quarta-feira, 5 de março de 2014

OS PRÉ-SOCRÁTICOS (ESQUEMA DE AULA)



·         Filósofos da natureza.




  O período pré-socrático abrange o conjunto das reflexões filosófica desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até o aparecimento de Sócrates (468-399 a.C.).


  A procura de uma Arché (substância primordial) que explique a pluralidade da Physis (natureza).
  

I- Os pensadores  Jônicos


  • Pensadores de Mileto/Samos/Éfeso – a busca da substância primordial.

a)    No vasto mundo grego a filosofia teve como berço a cidade de Mileto, passando depois para outras cidades da mesma Região.

b)    Jônia, litoral ocidental da Ásia Menor.

c)    A cidade de Mileto se destaca por ter abrigado os três primeiros filósofos da história ocidental: Tales, Anaximandro e Anaxímenes.


Tales de Mileto (623-546 a.C.)

  • “Tudo é água”.

a)    Na condição de filósofo, buscou a construção do pensamento racional em diversos campos do conhecimento que, hoje, não são consideradas especialidades filosóficas.

b)    Foi astrônomo, chegou a prever o eclipse total do Sol ocorrido em 28 de maio de 585 a.C.

c)    Na área da geometria demonstrou que todos os ângulos inscritos no meio circulo são retos e que em todo triângulo a soma de seus ângulos internos é igual a 180°.

d)    Procurando fugir das antigas explicações mitológicas, Tales queria descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as coisas.

e)    Segundo ele, a água quando densa, transforma-se em terra; quando aquecida, vira vapor que, ao se resfriar, retorna ao estado líquido. Garantindo assim a continuidade do ciclo.


Anaximandro de Mileto (610-547 a.C.)

  • “Nem água nem algum dos elementos, mas alguma substância diferente, ilimitada, e que dela nascem os céus e os mundos neles contidos”.

a)    Procuro aprofundar as concepções de Tales sobre a origem única de todas as coisas.

b)    Discordou do seu mestre quanto à natureza da Arché.

c)    Os sentidos são incapazes de captar a substância inicial, uma vez que esta é transcendente (Ápeiron – o infinito, o indeterminado).

d)    A substância inicial contém em si todos os elementos contrários; todavia somente um de cada par pode existir por vez, não podendo coexistirem em um mesmo objeto.


Anaxímenes de Mileto ( 588-524 a.C.)

  • “Assim como nossa alma, que é ar, nos mantém unidos, da mesma maneira o vento envolve todo o mundo”.

a)    A Arché é indeterminada, possui um caráter oculto.

b)    O Pneuma (Ar) é o princípio de todas as coisas.

c)    Elemento invisível e quase inobservável, mas, observável (conciliatório: Água e o Ápeiron).

d)    O Ar é a própria vida, força vital, divindade que “anima” o mundo; aquilo que dá testemunho da respiração (primeiro e último suspiro).


Pitágoras de Samos (570-490 a.C.)

  • “Todas as coisas são números”.

a)    Nascido em Samos Pitágoras teve que fugir para Crotona, Sul da Itália (Magna Grécia), por conta de suas ideias (perseguições políticas).

b)    Foi fundador de uma poderosa sociedade de caráter filosófico, religiosa e de acentuada ligação com questões políticas.

c)    Anos depois, a sociedade foi extinta e Pitágoras foi expulso de Crotona.

d)    Os números são a Essência de todas as coisas, os quais representam a ordem e a harmonia.

e)    Primeiro aspecto mais formal na explicação da realidade: Ordem e Constância.

f)    A Essência das coisas (os números) possui estrutura matemática, da qual derivam problemas como: finito, infinito, par, ímpar, unidade, multiplicidade, reta, curva, circulo, quadrado, etc.

g)    Contribuições nas áreas da: música, astronomia e, obviamente, matemática.

h)    Metempsicose: crença na imortalidade da alma (reencarnação).

i)     Prescrição de rígidos preceitos morais.


Heráclito de Éfeso (540 a.C.)

  • “Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo. O ser não é mais do que vir-a-ser”.

a)    Nascido em Éfeso, cidade da Região Jônica era também conhecido como: o Obscuro.

b)    Primeiro grande representante do pensamento dialético.

c)    Devir (Escola mobilista) – o mundo é dinâmico, em permanente transformação.

d)    A vida é um fluxo constante, impulsionado pelas lutas de forças contrárias: bem e mal, vida e morte, quente e o frio...

e)    A Luta (Guerra) é a Mãe, Rainha e Princípio de todas as coisas. É pela luta de forças opostas que o mundo se modifica e evolui.

f)    O Fogo – com chamas vivas e eternas, metáfora da realidade dinâmica do mundo.


Os pensadores Eleáticos

  • Reflexões sobre o Ser e o Conhecer.

a)    Lógica – estudo sobre o Conhecer.

b)    Ontologia – estudo sobre o Ser.


Xenófanes de Colofão

  • “É preciso um sábio para reconhecer um sábio”.

a)    Os deuses não têm, nem podem ter semelhança humana.

b)    Crítica às concepções de Homero e Hesíodo: antropomórficas.

c)    Os deuses não agem como homens, não nascem, nem se movem.

d)    Panteísmo: deus é o cosmo; o universo é uno.

e)    Pensou a unidade como totalidade; o movimento como ilusão e fez separação entre o percebido e o refletido.

f)    Suas ideias serão terão melhor acabamentos na escola eleática, onde Parmênides se destacará.


Parmênides de Eléia (510-470 a.C.)

  • “O ente é; pois é Ser e nada não é”.

a)    Nascido em Eléia, na Magna Grécia, litoral oeste da Península Itálica.

b)    “O Grande Parmênides”, assim chamado por Platão, fico marcado pela oposição que fez ao pensamento de Heráclito.

c)    Foi o pensador do imobilismo universal.

d)    Defendia a ideia de dois caminhos para a compreensão da realidade: o da Alethéia (verdade) e o da Dóxa (opinião):

  • Alethéia – o caminho do pensamento, da reflexão, da razão.
  • Dóxa – o caminho da ilusão, dos sentidos, das crenças.

e)    Há uma estreita relação entre o Ser, o Pensar e o Dizer.

f)    O Ser é uno, imóvel, indestrutível, ingênito e eterno:

  • O Ser não surgiu, porque ou teria surgido do nada (o que é impossível), ou teria surgido de um outro ser (justificando assim que o ser já era e sempre será).
  • O Ser não se move porque se o fizesse transformar-se-ia em outro Ser, mesmo continuando a Ser, e dois seres é algo impensável.
  • Por não ter sido criado nem gerado, também não pode ser destruído, porque se destruído algo restará e assim continuará sendo.

g)    O nada não existe, e por isso não pode ser pensado nem dito.


Zenão de Eléia (489 a. C.)

  • Utilizou a dialética como arte de provar ou refutar a validade de um argumento.

a)    Mas do que provar que o Ser é um, ele demonstrou que o múltiplo é impensável.

b)    Se com Parmênides a lógica recebeu o Princípio da Identidade, foi com Zenão que ela recebeu o Princípio da Não Contradição.

c)    Paradoxo I: Aquiles e a tartaruga - se à tartaruga fosse dada uma pequena vantagem, em uma eventual corrida, Aquiles (o mais rápidos dos herois) nunca a alcançaria. Uma vez que os espaços percorridos por ele, no encalço da tartaruga, podem ser divididos infinitamente.

d)    Paradoxo II: Uma flecha lançada do arco, em cada instante de tempo ela ocupa um lugar no espaço, o que indica que em cada tempo finito ela  encontra-se em repouso.

e)    Como nada pode estar simultaneamente em repouso e em movimento, este último é ilusório.


Anaxágoras de Clazômenas (500 a.C.)   

  • “Prefiro uma gota de sabedoria a toneladas de riqueza”.

a)    Afirmou que a natureza é eterna e que por isso não foi criada, nem pode ser destruída.

b)    Para ele o principio (arkhé) não é único nem quatro, mas sim formados por minúsculas partículas (homeomerias ou spérmatas).

c)    Para eles as “sementes” foram ordenadas por um princípio inteligente, uma inteligência cósmica (nous, em grego).

d)    O primeiro dentre os pré-socráticos a falar sobre um espírito ordenador (monoteísmo).
 

Empédocles de Agringento (492 aC.)
  • “Se você exige só obediência, então você juntará em volta de si mesmo somente bobos”.

a)    Para ele a origem da physis não provém de uma única substância, mas sim dos quatro elementos (terra, água, ar e fogo).

b)    É a partir da reunião e separação desses elementos que todas as coisas surgem.

c)    O movimento, transformação, geração e corrupção das coisas; o surgimento e o desaparecimento delas, deve-se à mistura dos elementos, em diferentes porções, nelas contidas.

d)    O que caracteriza cada ser é a predominância de um ou de outro destes elementos.

e)    Os quatro elementos presentes nas coisas nunca se transformam um no outro, somente se distribuem diferentemente em cada ser.

f)    O amor e o ódio são os dois elementos universais que proporcionam o movimento de reunião e separação das substâncias.

g)    Empédocles inaugura a forma pluralista de pensar a natureza.


 Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) e Leucipo de Mileto (século V a.C.)

  • “Falsos e hipócritas são aqueles que tudo fazem com palavras, mas na realidade nada fazem”. (Demócrito)

a)    Leucipo (mestre) e Demócrito (discípulo) são, geralmente, apresentados juntos porque seus pensamentos constituem uma única doutrina.

b)     São conhecidos como os pais da teoria atômica.

c)    O átomo (do grego a-tomos, o não divisível, não mais cortável) é para esses filósofos o elemento primordial da natureza.

d)    Os átomos são indivisíveis, maciços, indestrutíveis, eternos e  invisíveis. Podendo ser concebidos somente pelo pensamento, nunca percebidos pelos sentidos.

e)    A physis é composta por uma infinidade de átomos.

f)    Os átomos podem existir de forma variada e habitam uma outra infinitude: o vazio.

g)    No vazio os átomos se agregam, se desagregam e se deslocam, formando os seres que podemos perceber pelos sentidos (movimento).

Vídeo Aula
https://www.youtube.com/watch?v=XrdTNJkupiY

O VAZIO DA EXISTÊNCIA HUMANA



Por: Caudio Fernando Ramos, 05/03/2014. Cacau “:¬)


Ir à igreja e congregar. Isso é bom!
Deixar de usar drogas, até mesmo as lícitas. Isso faz diferença!

Ser fiel e obediente. É o que se deseja!

Não ser materialista, deixado de lado o egoísmo e calorosamente abraçar o altruísmo. Isso melhora a vida!

Esquecer a arrogância e vestir-se de humildade. Isso otimiza as relações!

Riscar o passado e deixar que o presente se manifeste cheio de bons presságios para o futuro. Com isso se sonha!

Entender que a solidão nunca foi boa companhia e, por conta disso, buscar uma convivência mais humanista. Isso é caminho de paz!

Enriquecer, deixando toda uma vida de lutas e privações no limbo do esquecimento. Isso facilita o viver!



É difícil, mas possível que consigas fazer tudo isso e muito mais...

Porém, não há garantias alguma!

A não ser a de que continuamos: enquanto natureza, tão animal como todos; enquanto espécie, tão humano como antes e, enquanto existência, tão limitado como sempre.

O vazio existencial (por este ou aquele motivo, com esta ou aquela intensidade) é endêmico!

  
É possível correr, não fugir!

É possível falar, não comunicar!

É possível compreender, não consolar!

É possível compartilhar, não dividir!

É possível salvar, não libertar!

É possível medicar, não curar!



Evitamos a morte por cuidarmos da vida; mas, não fosse à vida, da qual cuidamos, não haveria a morte, que tanto tememos.



Se a vida é o maior bem, ela traz em si mesma o maior mau. Cacau “:¬)

  

domingo, 2 de março de 2014

NICOLAU MAQUIAVEL: OXALÁ ELE TAMBÉM GOSTE DE CARNAVAL E FUTEBOL



Por: Claudio Fernando Ramos, 01/03/2014. Cacau “:¬)


Nós, na condição de nação, infelizmente, estamos bem adaptados a determinados costumes e práticas, quem bem poderiam ser chamados de “jabuticaba1”, ou seja, só acontecem no Brasil. Podemos citar dois deles: o primeiro é divertido, prazeroso e lesivo, ocorre em fevereiro, às vezes em março, o carnaval; o segundo é arrebatador, apaixonante e alienante, ocorre basicamente o ano todo, o futebol. A lesão e a alienação que nos referimos não são as das festas em si, nós, que por hora discorremos sobre esses fatos, até que gostamos dos mesmos. Nem queremos fazer crer que a expressão “jabuticaba” citada um pouco mais acima, pretende afirmar que o carnaval e o futebol só ocorrem por essas paragens. Nada disso! Desejamos refletir (sem a obrigação de responder e concluir) sobre as razões que nos levam a constatar e criticar; porém, aceitar de bom grado o fato de que, em nosso país, as coisas só têm início após o carnaval; e mais, por que a pátria amada só é considerada adequadamente vestida, depois de devidamente calçar as chuteiras? Isso ninguém toma, é nosso! É a nossa adorável “jabuticaba”. O nosso orgulho!
 
Nesse ano, além do carnaval, temos mais dois grandes momentos: a Copa FIFA e as eleições nas esferas federal e estadual. Todas três, certamente, têm sua importância e apelo nacional; mas, cá pra nós: qual delas é vital? Se você escolheu a última, acertou. Todavia, não é assim que o grosso da população pensa; se pensam, não levam em consideração. O carnaval, sem levarmos em conta suas virtudes e vicissitudes, juntamente com o futebol, constitui uma verdadeira paixão nacional. O mesmo já não ocorre com a política, mesmo com as esporádicas comoções que desperta, ela perde de longe para as duas outras concentrações nacionais. E é isso que nos faz pensar: por que o mais importante é o menos relevante?
Nós, que por hora manifestamos nossa opinião, em forma de artigo, não compartilhamos das utopias de Estado que em dados momentos lemos, ouvimos e vemos; somos maquiavélicos por formação e escolha. Para nós, toda relação é política, e, por trás disso, há sempre um amálgama de força e de poder.

Nicolau Maquiavel (1469-1527), mal compreendido em sua época, sempre esteve presente nas ações políticas dos homens, mesmo nas daqueles que não possuíam sequer consciência de sua existência, como nas daqueles que possuíam, e, por conta disso, insistiram em descredenciá-lo. Mais uma vez precisamos do realismo político do italiano renascentista, para que depois das “festas”, do prazer e da paixão (carnaval e futebol), tenhamos o discernimento necessário para distinguir a diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver. Porque, na perspectiva do autor de “O Príncipe”, todo aquele que se preocupa com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria.


O fracasso do político no pleno exercício de sua função (gestão pública), assim como o fracasso do cidadão no pleno exercício de sua liberdade (suas escolhas) é, inexoravelmente, o fracasso de uma nação.


Em 2014, a letargia comum de janeiro, fevereiro e parte de março, por conta do carnaval, tende a contaminar abril, maio, junho e parte de julho. Acordar desse marasmo o quanto antes pode ser o ponto de equilíbrio para um ano que já nasceu sobre a égide da derrota; pouco importando qual será a escola ou a seleção que erguerá o troféu.


Se ao menos Maquiavel soubesse sambar ou marcar gols, nosso futuro estaria bem menos comprometido, porque mesmo fazendo distinção entre a moral privada e a moral pública, ele tinha em mente a consequência das ações, ou seja, os seus resultados, e estes deveriam, em última análise, ter como principal objetivo a busca do bem comum. Nós acreditamos que esse bem não se restringe àquele que se esvaia anualmente nas quartas de cinzas; nem, muito menos, àquele que de forma itinerante só ocorre a cada quadriênio. Acreditamos que seja um projeto de nação, que pode até comportar inúmeras festas, mas que não se equaciona apenas com fantasias, entretenimentos e diversões. Acreditamos que seja um projeto de nação em que os utópicos fundamentos sejam deixados de lado, mas sem esquecer que o mesmo critério deve ser diligentemente aplicado por aqueles que insistem em tratar as coisas públicas de acordo com as conveniências, conchavos e casuísmos do momento.

Para que o bem comum, postulado pelo italiano, nos alcance, com ou sem fantasias, devemos lutar por um carnaval sem quartas de arrependimentos; e mesmo sem condições de ganhar tudo de todos, devemos anelar por um time de vencedores. Mudar apenas o carnavalesco de uma agremiação, do mesmo modo como se muda apenas o treinador de uma equipe, não constitui garantia suficiente para que se obtenham a vitória desejada.


Transformar: um país de pessoas que falam, em pessoas que fazem; um país de pessoas alegres, em pessoas felizes; um país de pessoas acolhedoras, em pessoas de paz; um país de pessoas que sonham, em pessoas que realizam; constitui o maior dos desafios, a mais gloriosa das lutas, a mais digna das batalhas!


Parece difícil para você? Vencer dos melhores do mundo cinco Copas FIFA também foi!


Parece um sonho para você? Veja a esplendorosa quimera apoteótica que se concretiza a cada carnaval!


Por que pensar que só na política nada é exequível? Cacau “:¬)

  
1 A  jabuticaba,  fruta brasileira por excelência, é uma baga redonda ou arredondada, em regra roxo - escura, com polpa esbranquiçada doce, saborosíssima, envolvendo 1 a 4 sementes. Também há jabuticabas "listradas de roxo ou vermelho, quase negro, com listras roxas ou vermelhas ".