domingo, 1 de setembro de 2013

ATÉ QUANDO E O QUÊ, FICAREMOS ESPERANDO?



Por: Claudio Fernando Ramos, 01/09/2013. Cacau “:¬)




 Ontem, ao conversar com uma pessoa muito querida, pequei-me transbordando de reminiscências. De um momento para outro fui arrebatado de volta aos conturbados, mas não menos fantásticos anos 80.


Nos idos anos 50, a juventude mundial deu início a uma gloriosa trajetória cheia de descobertas, conquistas e mudanças.


O apogeu dessa fantástica empreitada ocorreu na década seguinte, o quadro não poderia ser mais propício: Guerra Fria, revoluções, a conquista da lua, o anticoncepcional, o faça amor não faça guerras...


Na década de 70, às portas, aos poucos, começaram a se fechar.


Na década de 80, restaram somente às janelas; por elas, tímidos raios de sol insistiam em iluminar os sonhos que outrora foram bem mais que utopias. Nesse escopo, uma banda (Plebe Rude), assim como tantas outras, surge no cenário nacional trazendo uma música de extrema pertinência, não só para aquele contexto (o pagar das luzes), mas, para o nosso azar, também para esse (os anos 2000). "Até Quando Esperar",  de uma forma retórica, o título da música nos concita a pensar e repensar sempre os nossos valores, conquistas, crenças e diretos, além de outros. Eu, sempre rebelde, mesmo em meus melhores momentos, convido você para voltarmos por uns breves minutos aos anos 80. Quem sabe de lá poderemos resgatar alguns preciosos valores, que certamente muito nos faz falta nos dias atuais?

http://letras.mus.br/detonautas/1541665/
   

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ESCOLÁSTICA (ESQUEMA DE AULA)



1 - As Escolas

Por: Claudio Fernando Ramos, 29/08/2013. Cacau ":¬)


 

1 – 1 Renascimento Cultural - as escolas foram implementadas no período que compreende os séculos VIII e IX, pela dinastia carolíngia.

1 – 3 Palácios, igreja e mosteiros – esses foram os lugares onde essas escolas funcionaram.

1 – 3 O conteúdo – O conteúdo do ensino era o estudo clássico das sete artes liberais, constituídas pelo trivium e pelo quadrivium:

a)    O trivium – composto de gramática (estudo das letras e da literatura), retórica (história e arte de bem falar) e dialética (lógica, a arte de raciocinar).

b)    O quadrivium – compunha-se de geometria, aritmética, astronomia e música.



2 – As universidades



2 – 1 – A razão busca sua autonomia – a partir do século IX e X, a Europa começou a sofrer transformações profundas: expansão das cidades, desenvolvimento do comércio e do artesanato, formação de corporações...

2 – 2 – Heresias e ameaças de ruptura – contestações e debates surgiam no sempre homogêneo horizonte da cristandade medieval, e a criação das universidades certamente contribuíram para isso.

2 – 3 – Universidade (assembleia corporativa) – na Idade Média as universidades eram compreendidas como mais uma das várias assembleias corporativas existentes “universidade dos mestres e estudantes”: Oxford, Cambridge, Paris, Salamanca, Roma... (todas criadas antes de 1270).

3 – A escolástica - assim denominada por congregar diversos pensadores pertencentes a uma “escola”.

4 – A questão dos universais

4 – 1 – O que são universais? – é o conceito, a ideia, a essência comum a todas as coisas (ser humano, animal, casa, bolo...).

4 – 2 – O problema – desde o século XI até o século XIV, uma polêmica marcou as discussões sobre a questão dos universais: o s gêneros e as espécies têm existência separada dos objetos sensíveis?

4 – 3 – As soluções – realismo, realismo moderado, nominalismo e conceptualismo.

a)    Realismo – o universal tem realidade objetiva (são res, ou seja, “coisa” em latim). Essa é uma posição claramente influenciada pela teoria das ideias de Platão. Seus principais representantes foram: Santo Anselmo (século X) e Guilherme de Champeaux (século XIII).

b)    Realismo Moderado – os universais só existem formalmente no espírito, embora tenham fundamento nas coisas. Tomás de Aquino (XIII) é seu principal representante.

c)     Nominalismo – o universal é apenas o que é expresso em um nome. Ou seja, os universais são palavras, sem nenhuma realidade específica corespondente. Roscelino (século XI) foi um dos principais nominalista.

d)    Conceptualismo – posição intermediária entre o realismo e o nominalismo, teve como principal defensor Pedro Abelardo (século XII). Para ele, os universais são conceitos, entidades mentais, que existem somente no espírito.

5 – Consequências – a divergência sobre os universais pode ser analisada a partir das contradições e fissuras que se instalaram na compreensão mística do mundo medieval.

a)    Os realistas: partidários da tradição – nessa condição, valorizavam o universal, a autoridade, a verdade eterna representada pela fé.

b)    Os nominalistas: o individual é mais real – indica o deslocamento do critério de verdade da fé e da autoridade para a razão humana. Naquele momento histórico (final da Idade Média), o nominalismo representou o racionalismo burguês em oposição às forças feudais que desejavam superar.

OBS 1 – A questão dos universais não é um problema restrito à Idade Média. Os filósofos empiristas (Hobbes, Hume e Condillac) são nominalistas, ao concluírem que as ideias não existem em si, pois só é possível conhecer algo pela experiência.

OBS 2 – Nas filosofias contemporâneas, como na filosofia da linguagem, o que é posto em discussão é a relação entre linguagem e realidade.


6 – Tomás de Aquino (1225-1274) 



6 – 1 - O apogeu da escolástica – durante a primeira metade da Idade Média os teólogos sofreram influência do neoplatonismo, porque poucas obras de Aristóteles eram conhecidas.

6 – 2 – Perigo aristotélico – quando os árabes fizeram as primeiras traduções, elas foram rejeitadas pelos cristãos por conter interpretações vistas como perigosas para a fé.

6 – 3 – O árabe Averróis – no século XIII, Tomás de Aquino com o pensamento aristotélico por meio do árabe Averróis, a quem ele chamava de “o comentador”. A partir daí formulou uma síntese do pensamento do estagirita, adequando-o ao cristianismo.

6 – 4 – A fé como instrumento do saber – a revelação é tomada como critério de verdade, ou seja, em caso de contradição entre razão e fé, deve predominar a verdade revelada.

6 – 5 - O conhecimento natural – mesmo que a razão não possa conhecer a essência de Deus, por meio dela pode-se, no entanto, demonstrar sua existência ou a criação divina do mundo.

6 – 6 – Empirismo – para explicar o conhecimento reconhece-se a participação dos sentidos, seguidos pelo intelecto. O conhecimento começa pelo contato com as coisas concretas, passa pelos sentidos internos da fantasia ou imaginação até a apreensão de formas abstratas. Da apreensão da imagem (concreta e particular), até a elaboração da ideia (abstrata e universal).

6 – 7 – Corpo e alma – a alma é a forma substancial do corpo. A alma, por possuir uma origem divina, pode subsistir sem o corpo.

 7 – Ética e Política

7 – 1 – Deus: origem e fim de tudo – com o auxílio da revelação, mediante a graça e a fé, pode-se alcançar uma felicidade mais alta, mesmo na vida presente.

7 – 2 – O princípio da paz – a filosofia tomista ampliou o a discussão sobre o direito internacional. Para ele, deveria haver direitos que, uma vez utilizados, fomentassem profícuas relações entre os diversos Estados como forma de garantia da paz.

7 – 3 – Estado e igreja – o Estado conduz o ser humano até certo ponto, quando então é necessário o auxílio de outra instituição, a Igreja Católica, por meio da qual o ser humano atinge seu fim último, que é a felicidade eterna.

8 – Provas da existência de Deus

8 – 1 – O primeiro motor – as chamadas “cinco vias” da prova da existência de Deus estão baseadas na obra Metafísica, de Aristóteles, que explica o movimento do mundo pela existência necessária de uma causa primeira (Primeiro Motor Imóvel).

8 – 2 – Suma Teológica – enquanto para Aristóteles Deus é um ser alheio ao mundo, Tomás de Aquino introduziu a noção de providência divina (um deus que age sobre suas criaturas):

a)    Movimento – conforme a teoria do ato e potência, só algo em ato pode mover o que existe em potência. Portanto, tudo que se move deve ser movido por outro, pois nada se move por si mesmo. Para evitar uma regressão ao infinito, o que seria absurdo, é necessário concluir que existe um motor que move todas as coisas e não é movido, ou seja, Deus.

b)    Causa eficiente – Nada pode ser causa de si mesmo, senão seria anterior a si mesmo. Por não poder seguir um processo infinito, é preciso admitir uma causa primeira que não é causada, Deus.

c)     Contingência e necessidade – um ser contingente é aquele cuja existência depende da existência de outro. Mas se todos fossem contingentes, nada existiria, portanto, deve haver um ser necessário, que é Deus.

d)    Graus de perfeição – Todos os seres têm graus diferentes de perfeição, cujas qualidades podem ser comparadas entre si. Mas só um ser teria o máximo de perfeição, ou seja, o máximo de realização de atributos e qualidades: Deus.

e)    Causa final ou argumento teleológico – toda natureza tem uma finalidade, um propósito, caso contrário não haveria ordem. Portanto, deve haver uma inteligência ordenadora, que é Deus.

OBS 1 – As cinco vias denotam o esforço de Tomás de Aquino para desenvolver uma “teologia natural”, que mais tarde Leibniz chamará de teodiceia, ou seja, o conhecimento racional de Deus.

OBS 2 – Durante a Baixa Idade Média, a recuperação do aristotelismo por Tomás de Aquino revelou-se um recurso fecundo. No Renascimento e na Idade Moderna, no entanto, a escolástica tornou-se entrave para o desenvolvimento da filosofia e da ciência (Copérnico, Galileu, Descartes e etc.).

OBS 3 – Ao fazer a crítica da metafísica tradicional, Kant concluiu pela impossibilidade de demonstrar racionalmente a existência de Deus.

OBS 4 – A filosofia “cristianizada” de Aristóteles influenciou a ação dos padres dominicanos (Tomás de Aquino) e, mais tarde, dos jesuítas, que desde o Renascimento, e por vários séculos, empenharam-se na educação dos jovens.
  
Bibliografia:
Aranha, Maria Lúcia de Arruda
Filosofar com textos: temas e história da filosofia
Volume único, São Paulo: Moderna, 2012.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

SANTAS DÚVIDAS, INGRATA CERTEZA


Por: Claudio Fernando Ramos, 13/08/2013. Cacau “:¬)



 Segundo o filósofo Epicuro de Samos, nós homens possuímos três grandes temores: tememos a dor, tememos a morte e tememos a Deus. Para o pensador grego, de toda dor não se colhe apenas pesar; quanto à morte, ela só está quando não estamos, se estamos, portanto, ela é que não está; e, com relação à divindade, ela não se intromete em questões pontuais dos humanos. Se tudo isso procede ou não, lá vai uma vida de discussões.  Temos por certo que: as nossas certezas são dúvidas arrogantes, ao passo que as nossas verdades são suposições idiotizadas. Alguém disse que a fé não move montanhas, mas sim, coloca uma onde antes nada havia. Faz sentido! Principalmente em se tratando de um ateu. Ninguém jamais testemunhou a transposição de uma montanha! Talvez não fosse essa a intenção dos autores das Sagradas Escrituras. 


A ciência nos põe no chão, a exemplo de Aristóteles e seu empirismo; a religião nos lança às nuvens, semelhantemente ao mundo ideal de Platão; o senso comum nos faz olhar, pensar e afirmar a partir do nosso Eu mais profundo; a intuição, com o ímpeto de uma rústica catapulta, nos projeta para frente, lançando-nos por sobre o presente, antecipando-nos, em muito, o futuro. Porém, só a dúvida, com ou sem companhia (ciência, religião, intuição, senso comum), possui a capacidade de nos manter lineares; presente, por ter tido um passado; futuro, por possuir um presente; descobridor, porque ousa, sem titubear, duvidar das próprias certezas.


Por isso, pelo bem de toda e qualquer forma de verdade, tanto das absolutas quanto das relativas, que Deus nos livre sempre dos Donos das certezas, porque com os Propagadores da dúvida, nós, mais cedo ou mais tarde, haveremos de nos entender.