sábado, 12 de julho de 2014

FRANCIS BACON (1561-1626)



(O MÉTODO EXPERIMENTAL CONTRA OS ÍDOLOS)

Adaptado por: Claudio Fernando Ramos, 12/07/2014. Cacau ":¬)


Introdução
Em meados dos séculos XVI e XVII no reinado da Rainha Elizabeth I, a Inglaterra passava por um período de mineração e industrialização. E neste mesmo período nascia um dos mais célebres filósofos ingleses, Francis Bacon. Tendo exercido um significativo papel na vida política daquela sociedade, conseguiu o título de conselheiro da Coroa (grão-chanceler).  Mas também eram muitos os inimigos que o cercavam, e quando lhe foi tomado o poder em virtude de acusações políticas (corrupção e suborno), seu trabalho intelectual se tornou mais intenso.

I - Método indutivo de investigação científica
Em sua teoria do conhecimento, Francis Bacon propõe um novo método indutivo, o qual ofereceu uma profunda contribuição aos métodos de investigação da natureza.

II - Pré-positivismo
Manifestou grande entusiasmo pelas conquistas técnicas de sua época: a bússola, a pólvora, a imprensa... Ao contrário disso manifestou aversão ao pensamento puramente abstrato (Escolástica). Além das contundentes críticas aos filósofos clássicos, rompeu com uma tradição filosófica de mais de dois mil anos e com a religião da época.  Acreditava numa filosofia que favorecesse a humanidade com seus métodos experimentais, era totalmente a favor de ciência moderna que libertasse o homem de seus ídolos.

·         Lembrando - a Filosofia Positiva foi postulada pelo filósofo-matemático francês Auguste Comte, no início do século XIX (fundador da sociologia).

III - Teoria dos ídolos
Bacon denominou ídolos as falsas noções que bloqueiam a mente e invadem o intelecto humano impossibilitando o acesso à verdade e gera dificuldades em relação às ciências, quando não os combatemos. Em sua teoria, os ídolos se classificam em quatro categorias: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do mercado ou do foro e ídolos do teatro:

A - Os ídolos da tribo - são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo, produzem uma certa espécie de superstição. Podemos dizer que ele tem sua origem nas ações humanas, nas limitações, preconceitos, sentimentos, incompetência. Um exemplo é a falsa ciência da cabala de sua época que imaginava uma realidade não inexistente numérica e os alquimistas que pensavam na atividade da natureza como na atividade humana, encontrando amor e ódio pelos fenômenos.  Ou também eles podem ser como um espelho que capta uma imagem de raio e a transmite de outra forma.

B - Os ídolos da caverna - fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Para o autor,  cada um tem a sua própria caverna, tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza, todos os indivíduos veem sua própria luz por ângulos diferentes e cometem erros diversos.  Com isso a luz da natureza entra em choque com a luz humana, pois cada um tem os seus ídolos da educação, do esporte, da cultura, da autoridade e daqueles que honra e admira a diversidade das falsas verdades que vão ocupando o intelecto humano.

C - Os ídolos do foro ou do mercado - podem ser um dos mais incômodos, pois podem invadir o intelecto através das palavras. São aqueles erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário ou a palavra é distorcida pelos homens “sábios” que usam de suas oratórias para enfatizar o discurso.  Segundo Bacon, “as palavras cometem uma grande violência ao intelecto e perturbam os raciocínios, arrastando os homens a inumeráveis controvérsias e vãs considerações” (REALE, 1990, p.339).

D - Os ídolos do teatro - são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana ou obras filosóficas, que se consagraram figurando mundos fictícios, como aquelas que encontramos na filosofia antiga ou nas tradições religiosas.  Bacon acusa Aristóteles de ter sido um dos piores sofistas e Platão de ter confundido filosofia com teologia.
Para expulsá-los é preciso ter conhecimento dos mesmos a fim de expurgá-los da mente, além de conhecer um novo método. É a verdadeira indução o método proposto, pelo qual o homem poderia construir uma nova ciência capaz de interpretar corretamente a natureza e realizar os anseios do espírito moderno.

·         Lembrando – para o filósofo escocês David Hume (1711-1776) o raciocínio indutivo não possui fundamentação lógica. Será, portanto, sempre um salto do raciocínio impulsionado pela crença ou hábito.


IV - Novo Método
A obra de Bacon representa tentativa de realizar o vasto plano de "Instauratio magna" ("Grande restauração"). De acordo com o prefácio do "Novum organum" ("Novo método"), publicado em 1620, a "Grande restauração" deveria desenvolver-se através de seis partes.
A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, estudavam o novo método que deveria substituir o de Aristóteles.

·         O "Novum organum" é a expressão de uma perspectiva que tanto se afasta do empirismo radical quanto do racionalismo exagerado - ambos duramente criticados por Bacon.

V - Preliminares
Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos:

·         1º) a poesia ou ciência da imaginação;
·         2º) a história ou ciência da memória - a história ele a subdivide em história natural e história civil.
·         3º) a filosofia ou ciência da razão - a filosofia ele distingue entre a filosofia da natureza e a antropologia.

VI - Esboço racional de metodologia científica
Em função da nova metodologia, e como meio de realizar a busca das formas que se poderão revelar como regularidades no domínio dos fatos, Bacon recomenda o uso de três tábuas que disciplinarão o método indutivo:

·         a tábua de presença - registra a presença das formas que se investigam.
·         a tábua de ausência ou de declinação - a segunda possibilita o controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes.
·         a tábua de comparação - finalmente, na última tábua registram-se as variações que as referidas formas manifestam.

VII - Pioneirismo
Embora Bacon não tenha realizado nenhum progresso nas ciências naturais, ele foi o autor do primeiro esboço racional de uma metodologia científica. E sua teoria dos "ídolos" antecipa, em germe, a moderna sociologia do conhecimento.
Bacon também foi notável escritor: seus "Ensaios" são os primeiros modelos de prosa inglesa moderna.

VIII - Propósito - “Conhecimento é poder.” - fazer dos conhecimentos científicos um instrumento prático de controle da realidade.
Adaptado de: http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2010/04/10/francis-bacon-e-a-critica-aos-idolos/. Em 12/07/2014. Cacau ":¬)

Exercícios:

1. Sobre os ídolos preconizados por Francis Bacon, é CORRETO afirmar que:
a) “A consequência imediata da ação dos ídolos é a inscrição do Homem num universo de massacre e sofrimento racional-indutivo, onde o conhecimento científico se distancia da filosofia, se deteriora e se amesquinha”.   
b) Toda idolatria é forjada no hábito e na subjetividade humanos”.   
c) “Os ídolos invadem a mente humana e para derrogá-los, é necessário um esforço racional-dedutivo de análise, como bem advertiu Aristóteles”.   
d) “Os ídolos da caverna são os homens enquanto indivíduos, pois cada um [...] tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza”.   
  
2. O século XVII engendrou uma revolução científica e filosófica, na qual é impossível separar os aspectos filosóficos dos científicos, pois ambos se mostram interdependentes e estreitamente unidos. Essa revolução caracterizou-se por uma transformação na antiga representação do Cosmos e no questionamento dos conceitos filosóficos e científicos que lhe davam sustentação. A esse respeito, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) Uma das principais características dessa transformação foi uma maior preocupação com o homem e sua vida terrena e com o estudo da natureza.   
02) Embora tenha criado a ciência moderna, essa “revolução” espiritual não alterou as bases da filosofia que predominava até então.   
04) Entre os principais cientistas do período, destacam-se Roger Bacon, Guilherme de Ockham e Giovanio Bocaccio.   
08) Os princípios da física desenvolvidos por Galileu Galilei baseavam-se nos postulados de Aristóteles.   
16) No século XVII, Francis Bacon critica a antiga filosofia por ser contemplativa. Para ele, conhecer é poder; portanto, o homem tem de agir sobre a natureza para transformá-la em bens úteis.   





terça-feira, 8 de julho de 2014

POLITICAGEM



Por: Claudio Fernando Ramos, 08/07/2014.

Nota
Depois de inutilmente tentarem junto ao poder público municipal, soldados do Corpo de Bombeiros de Natal, por meio de recursos próprios, compraram e instalaram placas em algumas praias do município, advertindo os banhistas sobre os riscos de afogamentos em alguns setores. Em nota a prefeitura respondeu que não existe qualquer legislação que a obrigue instalar tais placas!

Opinião!
Esse mesmo prefeito falou-nos ternamente no rádio e na TV quando quis gerenciar essa cidade. E mais, qual é a legislação que o “obriga” fazer propaganda com o nosso dinheiro? Essa lei também não existe, mas ele faz assim mesmo! Por quê? Simples, é do interesse dele!
E ainda se diz melhor do a outra que saiu!  Cacau/ julho 2014.       

FUTEBOL NÃO SE APRENDE NA ESCOLA!



(Crônica)

Por: Claudio Fernando Ramos, 08/07/2014. Cacau

 Pela segunda vez, em um torneio Copa FIFA, os selecionados do Brasil e da Alemanha se encontram. Como todos sabem, a primeira vez deu-se na Copa de 2002 (Coréia/Japão), onde o nosso país sagrou-se Pentacampeão. Lembro-me que naquela época eu vivia às voltas com um cursinho, no afã de poder adentrar as portas do ensino superior federal (deu tudo certo). Meus amigos de classe, filhos da classe média potiguar, bradavam, não sem uma certa arrogância, que os germânicos não eram páreos para o escrete brasileiro. De fato eles estavam corretos (como se mostrou mais tarde), mas não pude resistir à tentação de dar umas alfinetadas no inflado orgulho futebolístico nacional; fiz-lhes as seguintes advertências dias antes da partida: podemos até ser melhores do que eles no futebol; mas me digam, em termos puramente pragmáticos, no que mais podemos nos jactar antes os nossos adversários?  Caso eles percam essa Copa (2002) é correto que ficarão tristes, todos ficam; mas no dia seguinte eles possuem um país, uma história, um futuro... E quanto a nós? Se perdermos essa disputa, o que teremos para nos consolar no dia seguinte? Talvez a “certeza” que da próxima vez teremos melhor sorte?! Isso é medíocre!

Hoje, doze anos depois, cá estamos nós outra vez diante dos alemães. As circunstâncias não são idênticas, embora o objetivo permaneça o mesmo: ser campeão da Copa FIFA. A luta não é a da final, mas sim para que lá se possa estar. Desde o início da competição que o nosso adversário vem se mostrando mais regular do que nós e, para piorar, perdemos dois dos nossos melhores jogadores. Mesmo jogando em casa dessa vez (2014), definitivamente, o nosso conhecidíssimo ufanismo futebolístico, está cercado de ceticismo.

Contudo há quem ganhe dinheiro e notoriedade aos borbotões com esses eventos. Esses são otimistas sempre! Mesmo porque não poderiam agir de outra forma, vivem disso! Mercadores Midiáticos de Ilusões! Semelhantemente aos meus ex-colegas de classe (do cursinho), esses mercadores,  a cada quatriênio, alçam suas vozes o mais alto possível e bradam aos quatro cantos: perdendo ou ganhando, somos os melhores!

Nelson Rodrigues foi bem coerente quando definiu o Brasil como: a pátria de chuteiras. Nossas autoridades também deveriam fazer uso dessa mesma coerência. Ao invés de comemorarmos o dia da Independência do Brasil (07 de setembro) e o dia da Proclamação da República (15 de novembro) a cada ano, deveríamos comemorá-los a cada quatro anos, no período que contemplasse a segunda quinzena de junho e a primeira de julho. Ou seja, adaptarmos nossas datas mais solenes ao fenomenal evento Copa do Mundo FIFA. O trabalho que isso daria seria plenamente compensado ao vermos os nossos conterrâneos, cheios de propriedades, vestindo verde e amarelo, seus carros cheios de bandeiras e de seus lábios brotarem palavras impensáveis em qualquer outra celebração nacional: Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor...

Um país que possui mais de oitenta Prêmios Nobel (Alemanha), mais de sessenta deles na área de ciências da natureza e medicina, detém menos títulos mundiais do que nós por quê? Caso se disponha responder essa pergunta e perceba-se tomado de dúvidas quanto ao que dizer, fique tranquilo. Um conhecido cantor de hip-hop já se deu esse trabalho por nós; em uma de suas canções (Brazuca) ele afirma: “Futebol não se aprende na escola, por isso é que o Brazuca é bom de bola!”  Cacau 

Veja o Vídeo da música: Brazuca