quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

OS DEUSES GREGOS REPOUSAM EM TERRAS POTIGUARES




Por: Claudio Fernando Ramos - Natal-RN, 07/10/2012

Algunmas celebridades do Monte Olimpo.

No ano de 1989, mesmo com um governo civil desde 1985, pois foi só em 1989 que de fato houve eleição para a presidente da república, o povo desse imenso e lindo país, retornou aos trilhos da história! Enfim, a tão sonhada redemocratização lançou luz sobre os lúgubres e mal cheirosos cárceres do poder. Foi o fim de uma era com presidentes totalitários, governadores fantoches e prefeitos biônicos. Um povo oprimido pôde enfim ser feliz! Mas, por quanto tempo?
Desde o famigerado ano de 1964, quando fomos rechaçados e brutalizados por “defensores” da lei e da ordem (ordem essa que na prática, mostrou-se mais vil que a ameaça dos supostos subversivos), o povo brasileiro deixou de poder tomar, em suas próprias mãos, o destino de sua efêmera e vulnerável existência. Essa situação assemelhava-se a do período homérico, momento em que se acreditava fielmente nos deuses do Olimpo e havidamente consultava-se os oráculos, rendendo-se a inexorabilidade de suas mensagens. Até que pensadores, conhecidos historicamente como filósofos cosmológicos ou, mais popularmente, como pré-socráticos, roubaram a cena. Tales, Demócrito, Parmênides, Heráclito... Cada um há seu tempo e modo, mostraram aos homens que são eles mesmos os escritores, diretores, protagonistas e espectadores de sua arte mais cara e celebrada: viver e decidir a própria vida.
Mas, como todos sabemos ou ao menos desconfiamos, os mitos não morem, eles se transformam. Cuidar (cedo ou tarde) de si mesmo, nunca foi (desconfio se um dia será), tarefa das mais fáceis para nós mamíferos, sempre tão carentes de tudo e de todos. A democracia representativa em nossa terra, de forma análoga aos mitos gregos, vem confirmar essa nossa peculiar condição: procuramos um líder, pedimos por um guia, clamamos por um messias, imploramos por um salvador... Alguns desses conceitos eram estranhos até mesmo para os gregos, tomados que eram por crenças politeístas, estranho que não sejam para nós. Definitivamente, isso não vai nem pode acabar bem!
As propagandas dos políticos, que a cada dois anos são veiculadas aos meios de comunicações de massa, vêm produzindo estragos consideráveis e inclementes no espírito humano. Se como disse Rousseau, o espírito do homem já foi bom um dia, desconfio que isso já não faça mais sentido. Não é sem intenção que essas pessoas de pouco ou nenhum escrúpulo, utilizando-se da imagem dos mais humildes (economicamente falando), tentam (a qualquer preço) seduzir a maioria (que também é constituída de humildes). Ora, se todos eles, nesse caso há raríssimas exceções, ao longo de várias décadas, têm como finalidade última, o bem estar dos pobres; por que quê a cada 730 dias (quando as promessas voltam a ser feitas) temos a sensação (para os poucos entendidos) e a constatação (para os mais conscientes) de que possuímos menos hoje do que possuíamos anteriormente?
A razão disso repousa em nossa ganância pessoal e coletiva, ou seja, o homem nunca está satisfeito, desejando sempre mais e mais?
Talvez!
Ou seria as nossas percas secular: direitos roubados, espíritos corrompidos, valores desviados e crenças desmedidas, que tanto nos fragiliza?
É bem provável!
Dívidas históricas e sociais não se paga com umas escolas reformadas, uns postos de saúdes com alguns medicamentos e faltosos médicos, umas ruas calçadas com o mínimo de asfalto, algumas cestas básicas e uma tonelada de promessas. Os candidatos de minha cidade (moro aqui já faz mais de dez anos, portanto, posso fazer uso desse pronome possessivo) são parecidos, principalmente no quesito promessas. Quando diferem nesse ou naquele ponto (o que é muito raro) o efeito é nulo, ou seja, não faz a menor diferença na forma de gerir os rumos que a cidade deva tomar (o inimigo de hoje será o aliado de amanhã, o inverso também é verdadeiro). Esteja onde estiver Maquiavel deve estar dizendo:  
- Eu já disse isso a mais de cinco séculos, porém me taxaram de ser maquiavélico!
Por não acompanhar estatística política com muita seriedade, não me é possível antecipar quais serão os derrotados no próximo escrutínio. Mas, isso não me impede de saber, mesmo sem ser um oráculo, quem será o perdedor (por mais quatro anos): o povo (principalmente aqueles que mais foram vistos nas campanhas: os humildes).

Como podemos ver, os mitos estão novamente no centro do universo, no cimo do Monte Olimpo. O panteão dos deuses modernos são as assembleias (Municipais, Estaduais e Federal). Nas casas das divindades há deus para tudo, não há necessidade humana que não possua seu equivalente em representatividade; aliás, representatividade nunca foi um problema nesse país de falsos beatos. Não é sábio ignorar que deuses (presidentes), semideuses (governadores) e herois (prefeitos, senadores, deputados e vereadores) são vaidosos, lutam entre si, amam desesperadamente o poder e sabem se vingar como ninguém. Alguns devotos seduzidos pela áurea das “divindades”, oferecem-lhes o “sacrifício” do voto comprado na expectativa de receberem o “milagre” do favor. Essa atitude devota ocorre mais regularmente em espaços de intensa “peregrinação religiosa”: morros /favelas (tuteladas pelo poder paralelo nos grandes centros urbanos) e sertões/agrestes (crestados pelo implacável calor da miséria).

Aos não devotos, resta a confiança em um tempo cíclico que nos remeta para além dos mitos contemporâneos. Que um novo período cosmológico desponte, trazendo-nos a luz da razão, semelhantemente ao ocorrido com os primeiros filósofos da Antiguidade, os pré-socráticos, favorecendo enfim o pensamento humano, tão necessário para a tomada de transformadoras e duradouras decisões. Talvez assim, nos apossemos da verdade, que, acreditem, nunca nasceu no topo do Monte Olimpo. Por que ter fé neste ou naquele candidato? O que justificaria essa atitude própria dos carolas? Aos que não se negarem o pensamento, não será difícil imaginar que uma sociedade mais justa só se constrói com homens justos, assim pensava Aristóteles; e essa, como todos nós sabemos, é uma prerrogativa que os deuses gregos nunca possuíram e, como não é novidade para ninguém, os nossos “deuses da política” também não. Cacau “:¬)

LIVRES, TALVEZ; RESPONSÁVEIS, ETERNAMENTE.


Por: Claudio Fernando Ramos - Natal-RN, 08/01/2013. Cacau “:¬)



Liberdade de escolha... Sartre (filósofo francês do século XX) dizia, categoricamente, que todos estão condenados à liberdade. Pode ser verdade, mas é difícil aderir facilmente a essa concepção filosófica de liberdade sem os devidos questionamentos, e mesmo com esses. Mesmo porque, além do imperativo das diárias necessidades internas, a que todos estamos inexoravelmente sujeitos, que não são poucas, nem facilmente mensuráveis; ainda sofremos, cotidianamente, os constrangimentos externos de uma sociedade aviltante e alienante. Toda essa imprecisão que por hora levanto, não diz respeito só ao conceito de liberdade em si, mas se estende de forma assistêmica, aos demais conceitos correlacionados: escolha certa, escolha errada, escolher o bem, escolher o mal, escolher ser feliz... Porém, de forma quase contraditória, nada disso impede ou barra a real possibilidade do mais negligenciado dos conceitos: a responsabilidade. Mesmo sem ter certeza da possibilidade da liberdade, e consequentemente, das escolhas que se formula a partir de sua suposta existência;  deve-se pensar de forma contrária quando o assunto é a responsabilidade individual e coletiva. Esse dever é passado a cada cidadão pela esmagadora, e, na maior parte das vezes injusta, força da lei dos homens, ou da dogmática, e quase sempre confusa, lei religiosa (não importa de qual). Mesmo que, a exemplo do que ocorre com a liberdade e seus derivados, não encontremos fundamentos plenamente racionais, que corrobore de forma unívoca e satisfatória, a sua incontestável e por isso necessária existência. Cacau “:¬)    

sábado, 5 de janeiro de 2013

OS MISERÁVEIS



Por: Claudio Fernando Ramos, Natal-RN. 05/01/2013 Cacau “:¬)
 
Existem vários tipos de misérias no Brasil! Dentre elas, duas são endêmicas: a fome e o analfabetismo funcional (popularmente conhecida como burrice aguda ou crônica). Nas redes sócias (face book), com aproximadamente 1.800 compartilhamentos, essas frases que vos apresento, grassam entre os jovens. As frases são recebidas com entusiasmos, gracejos e, o que é pior, com significativos assentimentos.
Resolvi observar mais de perto as proposições que, nos jovens, vêm despertando tanta simpatia. Feito isso, cheguei às seguintes conclusões:


Para que ir à escola?

Inglês: para não só ver, mas acima de tudo, entender os filmes.

Português: para não ler ou escrever só isso; mas poder apreender, interpretar e, se possível for, reinventar o mundo através das palavras.

História: os mortos “ensinam” tanto quanto ou até mesmo mais que os vivos. Aprender com quem já errou ou acertou é fator preponderante para a formação cognoscitiva do ser humano. Sobre erros e acertos do passado do e presente, no plano político, leia o que diz N. Maquiavel em sua obra renascentista: O Príncipe.

Ciência: a ausência da parte, necessariamente, desarmoniza o todo, mesmo que isso não seja facilmente percebido pelos sentidos. Valorar esta ou aquela parte do corpo, desprezando as demais, é prova irrefutável de que ainda não demos muitos passos que nos afaste das cavernas, tão abundantes nos primórdios da existência. Rezemos para que os médicos também não tenham andado tão pouco.

Geografia: reduzir à ciência geográfica a mera identificadora de lugares, é, sem dúvida alguma, prova cabal do desconhecimento dessa disciplina. Essa ignorância assemelhasse a seguinte frase, proferida pelos machistas de plantão: mulheres foram feitas para o sexo, para os filhos e para os serviços domésticos nada mais. O que pode ser mais anacrônico?

Matemática: ter uma calculadora (calculadora científica) não difere muito de se possuir um computador de última geração. A questão não é possuí-los, mas sim, operá-los. Desconfio que a maioria esmagadora não consegue. Ou será que me equivoco?

Artes: do Google muito pode ser impresso, é fato. Porém, é impossível a qualquer provedor, outorgar a qualquer internauta: o prazer, a satisfação, a arrebatadora experiência de encontrar-se com o belo. Todas as formas de arte, quando livre do pragmatismo diário, tem a capacidade de suscitar no homem o seu melhor, mesmo que isso venha ser desvirtuado e mal utilizado posteriormente. Quem só imprime não tem como saber dessas coisas. 



Educação Física: acordar cedo, de fato constitui uma virtude (talvez seja mesmo um “esporte”), ao menos no mundo capitalista, onde reza a máxima: tempo é dinheiro. Todavia, a grande maioria das pessoas acorda cedo (cada um de acordo com suas necessidades), mas, esse suposto “esporte” da maioria, não nos tem livrado de uma estatística alarmante (uma verdadeira pandemia): cresce a cada dia o número de obesos no país.


Do interior da caverna só alguns saem.

Não precisei pensar muito para perceber o quão inócuas são essas proposições. Verdadeiras falácias, que só encontram ecos nos corações e mentes dos que, miseravelmente, ainda acreditam que mesmo desprezado a mais singular das instituições humanas (a escola), é possível viver com qualidade de vida e dignidade nesse mundo. Esses vivem na simbólica Caverna de Platão, de lá se negam a sair. O que preocupa não é o fato de lá ficarem, mas o porquê ficam. Ficam porque amam a mediocridade e, o que é muito pior, desconhecem qualquer outro lugar que não seja os das sobras da ignorância.    Cacau “:¬)  

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

QUEM ESPERA SEMPRE CANSA!


(VÍDEO PRECONCEITUOSO CONTRA NORDESTINOS)

 Por: Claudio Fernando Ramos, Natal-RN 03/01/2013 Cacau “:¬)

http://www.youtube.com/watch?v=zcd3Y8ICQ4s

Eu, tão Carioca quanto Negro e minha namorada, tão Nordestina quanto Brasileira!
  
Somente por duas vezes, em toda a minha vida, saí desse país. Porém, foram suficientes para que eu pudesse vivenciar o afastamento necessário e, de forma neutra, se é que isso é possível, pensar o Brasil de fora para dentro. Mensurei, comparei, e, assim pude chegar a  conclusão sobre quem ou o que de fato nós somos. Alegres, criativos, espontâneos, otimistas... Assim é essa nação! Mas, infelizmente, essa não foi à única conclusão a que cheguei. De forma antagônica esse mesmo povo é, também, sórdido, mesquinho, hipócrita, machista, racista e, acima de tudo, preconceituoso.
Falar, escrever, ensinar sobre essas últimas verdades não é tarefa das mais honrosas nessas paragens. É estranho perceber alguns constantes fatores: tanto nas cidades como nos interiores, os que possuem avós indígenas, não “sabem” que ser neto constitui grau de parentesco; os que descendem de africanos, teimam em afirmar que a África tem uma “capital” chamada Salvador (sendo esse o ponto máximo que podem se aproximar da Grande Mãe África); nortistas (Norte/Nordeste) que migram para o Sudeste, rapidamente se livram do sotaque, como quem se livra de um estorvo; brancos, em si mesmados, tentando, a todo custo reproduzir na zona tropical, o mesmo estilo de vida próprio da zona temperada do norte do planeta.  
Por essa e por outras,  nos outorgaram: uma democracia racial (a cor não importa); uma isocracia política (o poder é para todos); uma isegoria social (todos têm direito a opinião) e uma isonomia religiosa (todos somos filhos de Deus). Tudo muito sedutor!  Mas, basta um olhar mais atento para concluir, sem muito esforço, que tudo é muito falso!
Esse vídeo que vos apresento é a prova mais cabal sobre o que falo. Todavia, não se deixem enganar, não mais! Não é este ou aquele indivíduo que, de forma isolada, constitui o problema da bela e justa nação brasileira; não, nada disso. Isso é herança, é identidade, é estilo de vida, são escolhas. É, antes de qualquer coisa, tudo o que somos. Um povo com pouca ou nenhuma identidade.
Dessa vez o alvo são os nordestino, mas temos os negros, os homoafetivos, as mulheres, os gordos, os magros, os analfabetos funcionais, os totalmente analfabetos, os idosos, as crianças, os profissionais do sexo, os desempregados, os pobres, os que vivem nas favelas e periferias... Falta tempo para elencar todos.

Só para não dizer que não falei das flores. Cacau “:¬)