ZN-FILOSÓFICA

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O SAMBA TEM NOVA MORADA

Por: Claudio Fernando Ramos (Cacau) 31/01/2011
A dinâmica do comércio, dizem alguns ter vida própria, não permite erros. Talvez, contrariando crendices populares, nunca tenha existido o fator sorte nas relações humanas, quer seja às de caráter pessoal, quer às de caráter financeiros. Mas, é irrefutável o fato de que, oportunidade e competência são fatores decisivos nas mais diversas constituições da existência humana.
A casa de shows Espetinho, que se encontra na Praia do Meio, na bela cidade do Natal, vem de um passado de pouco auspícios; todavia, sob a batuta ousada e competente de Angélica e seu esposo começa, a seu modo, reescrever uma nova história do samba nesta modista cidade. Modista, porque sempre há os que sejam havidos por novidades, isso é bom, mas como dizia Clara Nunes: “Pedra que muito se muda não cria limo...”. Ou seja, perde-se o rumo da história, não se cria raízes, não há valorização das “boas” tradições.
São diversas as “casas” (alguns desses lugares não chegam a ser necessariamente uma casa) onde o samba e, mais ainda, o pagode se concentram nos fins de semanas. Algumas de ótimo nível, no que concerne a estrutura, outras sofríveis nesse quesito. Existem também alguns eventos mensais e outros esporádicos (Terreirão do Samba e o Samba da Lua, por exemplo)... Mas o que quero realmente dizer, sem maiores delongas, é que a mesmice tem tomado conta da maior parte desses eventos. Bandas se sucedem apresentando-se de forma semelhante; não posso saber o que se passa na mente de alguns “músicos”, mas permite-me o bom senso saber discernir quem vai ao palco como profissional, e os que nem sabem o que significa essa palavra.
Uma vez contratado (quer por pouco, quer por uma quantia justa), faça seu trabalho. Uma vez no palco (quer em uma casa climatizada, quer em uma casa sem ventiladores), apresente-se com galhardia. Muitos “pedem” aplausos, mas isso deveria ser consequência de um trabalho bem feito, não favores e concessões do público. Honra? Só ao mérito!
Devagar, mas de forma determinada, Angélica vem contrariando as superstições dos “pagodeiros”. A de que não é possível cantar samba em Natal, não há público, dizem alguns neófitos. No último sábado, Angélica pôs em sua casa duas conceituadas bandas para tocarem (Arquivo Vivo e Eterno Aprendiz)... Não me lembro de ter ouvido tanto samba em um só dia, em um só lugar, nesta cidade, salvo no dia nacional do samba.
Quanto ao amanhã, pouco ou nada se sabe, com já disse antes: essa é uma cidade modista. Mas hoje, o samba em natal tem nova morada. Todos os sábados no Espetinho. Divirtam-se!

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