ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ARISTÓTELES::A FELICIDADE COMO SABEDORIA PRÁTICA



“É feliz aquele que escolhe o que é mais adequado para si”.

VIDA E OBRA

- Aristóteles (384-322 a.C) nasceu em Estagira (Macedônia).

- Seu pai era médico do rei Felipe da Macedônia.

- É considerado juntamente com Sócrates e Platão um dos mais influentes filósofos gregos do mundo ocidental. 

- Foi aluno de Platão e educou Alexandre, o Grande.

- Criou o pensamento lógico e a biologia como ciência.  

- “Em suas obras sobre a natureza, Aristóteles tentou descobrir uma hierarquia de classes e espécies (…).

- Estava convencido de que a natureza tinha uma finalidade e que cada traço específico de um animal existia para cumprir uma determinada função”.

(Strathern, 1997, p.24)

- Foi o primeiro filósofo a valorizar a observação e a experiência em seus estudos e por isso pode ser considerado o pai do  método científico.

- Aos 17 anos foi para Atenas, o maior centro filosófico e artístico de toda antiguidade, matriculou-se na escola de Platão e lá permaneceu por vinte anos, até 347 a.C.

- Após a morte de seu mestre fundou sua própria escola, o Liceu.

- Ao contrário da Academia, que valorizava o pensamento teórico, o Liceu privilegiava as ciências naturais.

- Dirigiu o liceu até 324 a.C. Com a morte de Alexandre surgiram sentimentos xenófobos antimacedônios em Atenas, sentindo-se ameaçado Aristóteles fugiu afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia, assim como cometerá com Sócrates.

- Apesar de sua escola ter privilegiados as ciências naturais Aristóteles também pensou os problemas políticos e sociais de sua época, assim como se debruçou sobre os problemas éticos e morais. 

- Em seu livro “Ética e Nicomaco” Aristóteles pensou profundamente sobre a felicidade humana.

A FELICIDADE

- Para Aristóteles a felicidade não está ligada aos prazeres ou as riquezas, mas a atividade prática da razão.

- Segundo ele a capacidade de pensar é o que há de melhor no ser humano, uma vez que a razão é nosso melhor guia e dirigente natural. 

- Se o que caracteriza o homem é o pensar, então esta e sua maior virtude e, portanto, reside nela à felicidade humana. 

“Aristóteles, fiel aos princípios de sua filosofia especulativa, e após ter feito uma análise e um estudo da psicologia humana, verifica que em todos os seus atos o homem se orienta necessariamente pela idéia de bem e de felicidade e que nenhum dos bens comumente procurados (a honra, a riqueza, o prazer) preenche esse ideal de felicidade. Daí a sua conclusão: primeiro, a felicidade humana deverá consistir numa atividade, pois o ato é superior a potência; segundo, deverá ser uma atividade relacionada com a faculdade humana mais perfeita que é a inteligência (…)”.

(Costa,1993, p.67)

A FORÇA DO HÁBITO

“Somente a prática leva a excelência”.

- Em seu livro “Ética e Nicômaco”  Aristóteles mostra-nos que os homens se tornam o que são pelo hábito:

a. os homens se tornam bons engenheiros construindo, e se tornam músicos tocando, da mesma forma um homem torna-se justo praticando atos justos e mal praticando atos maus:

b. um homem torna-se um bom ou mau músico por tocar bem ou mal;

c. um escritor torna-se um bom ou mau escritor por escrever bem ou mal;

d. um mau músico não tem o hábito de tocar, também o mau escritor não tem o hábito de pensar e escrever.   

- Dessa forma para se tocar música ou escrever bem é necessária a excelência, é necessário o engajamento, é necessário o hábito.

- A pratica continua de uma atividade ou de um comportamento nos possibilita internalizar aquele hábito.

- Somente a prática leva a excelência.

- Esse raciocínio serve para todas as atitudes e atividades humanas.

- Pelo hábito de sentir receio ou confiança tornamo-nos covardes ou corajosos.

- O mesmo se aplica aos desejos e a raiva, por se comportarem da mesma forma e do mesmo modo em todas as circunstâncias algumas pessoas tornam-se moderadas e amáveis, outras se tornam concupiscentes ou irascíveis.

- É por isto que devemos fazer uso da razão em nossas escolhas e atividades.

“Devemos sempre desenvolver nossas atitudes e atividades de uma maneira racional”.

ARETÉ: A VIRTUDE HUMANA

“Por sua própria natureza os homens buscam o bem e a felicidade, mas esta busca só pode ser alcançada pela virtude”.

- A felicidade para Aristóteles corresponde ao hábito continuado da prática da virtude e da prudência.

- A virtude é entendida como Arete – excelência.

- É somente através do nosso caráter que atingimos a excelência.

- A boa conduta, a força do espírito, a força da vontade guiada pela razão nos leva à excelência.

- Dessa forma, a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de saber fazer escolhas racionais na vida.

A RAZÃO: NOSSO GUIA NATURAL

- A razão é a faculdade que analisa, pondera, julga, discerne. 

- Ela nos permite  distinguir o que é bom ou mau,  a distinguir os vícios das virtudes.

- Ela  nos permite fazer escolhas pertinentes para nossa felicidade.

Exemplo I

a. a temeridade é um vício por excesso;

b. a covardia é um vício por falta;

c. o meio termo é a coragem, que é uma virtude.

Exemplo II

a. o orgulho é um vício por excesso;  

b. a humildade um vício por falta; o meio termo é a veracidade, que também é uma virtude.

Exemplo III

a. a inveja é um vício por excesso;

b. a malevolência é um vício por falta;

c. o meio termo é a justa indignação.

A VIRTUDE ESTÁ NO MEIO TERMO

- Para Aristóteles toda escolha exige uma mediania, um equilíbrio entre o excesso e a falta. 

- Na vida não podemos ser imprudentes e impulsivos se arriscando em situações perigosas.

- Por outro lado,  também não podemos ser covardes e ter medo de tudo deixando que o medo nos domine.

- É necessário o meio termo entre esses dois sentimentos, devemos enfrentar os medos e perigos sabendo agir com bom senso.

- O mesmo raciocínio serve para alimentação, não podemos comer muito para passar mal do estômago, assim como não podemos evitar comer, pois também vamos adoecer. Devemos comer com moderação.

- Por esta ótica, também podemos pensar os sentimentos:

a. na vida não podemos ser vaidosos preocupando-nos apenas com nossas qualidades, satisfazendo sempre o nosso ego.

b. por outro lado, também não podemos ser muito modestos,  achando que somos inferiores.

c. é necessário auto-estima, sabendo reconhecer através da razão nossos defeitos e nossas qualidades.

- Para Aristóteles, portanto,  devemos sempre escolher o meio termo, sendo moderados em tudo que fazemos na vida. Somente assim atingiremos o bem e a felicidade.


Bibliografia

Aristóteles. Ética a Nicômaco. Edipro, São Paulo, 2007

Costa, José S. Tomás de Aquino: a razão a serviço da fé. São Paulo: Moderna, 1993

Stratheer, Paul. Aristóteles em 90 minutos.  Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1997.

Exercício I

1. Leia o texto a seguir. A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.

(Aristóteles. Ética a Nicômaco. Trad. de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Livro II, p. 273.)

 Com base no texto e nos conhecimentos sobre a situada ética em Aristóteles, pode-se dizer que a virtude ética

a) reside no meio termo, que consiste numa escolha situada entre o excesso e a falta.

b) implica na escolha do que é conveniente no excesso e do que é prazeroso na falta.

c) consiste na eleição de um dos extremos como o mais adequado, isto é, ou o excesso ou a falta.

d) pauta-se na escolha do que é mais satisfatório em razão de preferências pragmáticas.

e) baseia-se no que é mais prazeroso em sintonia com o fato de que a natureza é que nos torna mais perfeitos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Jonh Locke (1632-1704)
 
 
 
Exercício

1 - Apenas os princípios da não contradição e da identidade nascem conosco.
Diante dessa tese, Locke:
A) concorda; sem esses princípios nenhuma percepção lógica da realidade é possível.
B) concorda; na idade adulta todos os homens alcançam essas máximas.
C) discorda; se assim fosse, crianças e idiotas também alcançariam esses princípios.
D) discorda; tais noções primitivas são recebidas na alma no momento de sua criação.

E) NDO

 

Empirismo X Racionalismo

 

- A filosofia empírica (do grego empeiria = experiência) ganha formulação paradigmática, sistemática, metodológica e crítica consciente a partir de Locke.

 

- Seguindo a linha tradicional do empirismo, que admite que todo conhecimento vem da experiência, portanto, dos sentidos, Locke busca compreender qual a gênese, a função e os limites do entendimento humano.

 

- Critica a noção cartesiana de sujeito como substância.

 

Tábula Rasa

 

- “A mente é uma tabula rasa”, já diria Aristóteles, é retomado aqui para evidenciar que não existe nada na mente que não estivesse antes nos sentidos.

 

- De acordo com Locke, a mente é como uma cera passiva, desprovida de conteúdos, em que os dados da sensibilidade vão imprimindo ali as ideias que podemos conhecer.

 

- Aqui, ideia não tem o mesmo significado que em Descartes (ou se tem, trata-se apenas das adventícias, não das inatas).

 

- As ideias inatas existem no espírito humano, são anteriores ao nascimento e coordenam, assim, o modo como o homem conhece. (Concepção cartesiana)

 

- Para o filósofo empirista, o saber humano é determinado pelas impressões vindas da sensação, não de um fundamento inteligível inato.

 

- Corpo e mente são uma coisa só, não são distintos como em Descartes.

 

Do particular ao Universal

 

- O sujeito ainda existe como fundamento, mas agora não mais um sujeito universal (razão) e sim um sujeito particular no qual todas as representações (ideias) estão encerradas no modo como cada indivíduo percebe a realidade.

 

- Fica então a pergunta: como universalizar os juízos, já que as representações são particulares?

 

a) Viés aristotélico - para Locke a única coisa que pode ser inata no homem é a capacidade de depreender (abstrair) ideias dos fatos singulares.

 

b) Viés cartesiano - as próprias ideias são inatas.

 

O mapa da mente humana

 

- Em seu Ensaio sobre o entendimento humano, Locke faz uma espécie de mapeamento de como em nossa mente se produzem as ideias:

 

A) As ideias derivam das sensações.

 

B) Não existe pensamento puro sobre conceitos meramente inteligíveis, mas pensar é sempre pensar em algo recebido pelas sensações impresso em nossa mente.

 

C) A experiência nada mais é do que a observação tanto dos objetos externos como das operações internas da mente.

 

D) Pensamento não é formal, mas sim uma síntese entre forma e conteúdo derivados da experiência e limitados a esta.

 

- A experiência pode ser de dois tipos:

 

1ª – Externa, da qual derivam as ideias simples de sensação (extensão, figura e movimento, etc.);

 

2ª – Interna, da qual derivam as ideias simples de reflexão (dor, prazer, etc.).

 

- Locke chama de qualidade o poder que as coisas têm de produzir as ideias em nós e distingue entre:

 

1ª - Qualidades primárias (objetivas) – são as qualidades reais dos corpos das quais as ideias correspondentes são cópias exatas;

 

2ª - Qualidades secundárias (subjetivas) – são as possíveis combinações de ideias, sendo em parte subjetiva, de modo que as ideias delas não correspondam exatamente aos objetos (cor, sabor, odor, etc.).

 

- A mente, segundo Locke, tem tanto o poder de operar combinações entre as ideias simples formando ideias complexas; como o de separar as ideias umas das outras formando ideias gerais.

 

São três os tipos de ideias complexas:

1ª - Ideias de modo, que são afecções da substância;

 

2ª - Ideias de substância, nascidas do costume de se supor um substrato (essência) em que subsistem algumas ideias simples (gêneses);

 

3ª - Ideias de relações, que surgem do confronto que o intelecto institui entre as ideias.

 

Essência nominal

 

- Locke admite também a ideia geral de substância, obtida por abstração e não nega a existência de substâncias, mas sim a capacidade humana de ter ideias claras e distintas.

 

- Conforme Locke, a essência real seria a estrutura das coisas, mas nós conhecemos apenas a essência nominal, que consiste no conjunto de qualidades que deve ter para ser chamada com determinado nome.

 

- A abstração (que nos antigos era o meio pelo qual se alcançava a essência do ser) torna-se, em Locke, uma parcialização de outras ideias complexas:

 

1ª - o geral e o universal não pertencem à existência das coisas;

 

2ª - são invenções do próprio intelecto que se referem apenas aos sinais das coisas, sejam palavras ou ideias.

 

- O conhecimento, então, consiste na percepção da conexão ou acordo (ou do desacordo e do contraste) entre nossas ideias.

BARUCH ESPINOSA 1632-1677


 
“Se não queres repetir o passado estude-o!”

 
I - VIDA E OBRA

 

A) VIDA

- Nasceu em Amsterdam em 1632, filho de hebreus portugueses, de modesta condição social, emigrados para a Holanda.

- Recebeu uma educação hebraica na academia israelita de Amsterdam, com base especialmente nas Sagradas Escrituras.

- Demonstrando muita inteligência, foi iniciado na filosofia hebraica (medieval-neoplatônico-panteísta) e destinado a ser rabino.

- Depois de se manifestar o seu racionalismo e tendo ele recusado qualquer retratação, foi excomungado pela Sinagoga em 1656.

- Também as autoridades protestantes o desterraram como blasfemador contra a Sagrada Escritura.

- Retirou-se, primeiro, para os arredores de Amsterdam, em seguida para perto de Leida e enfim refugiou-se em Haia.

- Aos vinte e cinco anos de idade esse filósofo, sem pátria; sem família; sem saúde; sem riqueza; se acha também isolado religiosamente.

- Os outros acontecimentos mais notáveis na formação espiritual especulativa de Spinoza são: o contacto com Francisco van den Ende, médico e livre pensador; as relações travadas com alguns meios cristão-protestantes.

- Van den Ende iniciou-o no pensamento cartesiano, nas línguas clássicas, na cultura da Renascença; e nos meios religiosos holandeses aprendeu um cristianismo sem dogmas, de conteúdo essencialmente moralista.

- Provia pois às suas limitadas necessidades materiais, preparando lentes ópticas para microscópios e telescópios, arte que aprendera durante a sua formação rabínica; e também aceitando alguma ajuda do pequeno grupo de amigos e discípulos.

- Para não comprometer a sua independência especulativa e a sua paz, recusou uma pensão oferecida pelo "grande Condé" e uma cátedra universitária em Heidelberg, que lhe propusera Carlos Ludovico, eleitor palatino.

- Uma tuberculose enfraquecera seu corpo. Após alguns meses de cama, Spinoza faleceu aos quarenta e quatro anos de idade, em 1677, em Haia.

- Deixou uma notável biblioteca filosófica; mas a sua herança mal chegou para pagar as despesas do funeral e as poucas dívidas contraídas durante a enfermidade.

- Um traço característico e fundamental do caráter de Spinoza é a sua concepção prática, moral, de filosofia, como solucionadora última do problema da vida.

- E, ao mesmo tempo, a sua firme convicção de que a solução desse problema não é possível senão teoreticamente, intelectualmente, através do conhecimento e da contemplação filosófica da realidade.

 

B) OBRAS PRINCIPAIS

- As obras filosóficas principais de Spinoza são:

*Ethica (publicada postumamente em Amsterdam em 1677), que constitui precisamente o seu sistema filosófico.

* Tractatus theologivo-politicus (publicado anônimo em Hamburgo em 1670), que contém a sua filosofia religiosa e política.

 

II - INTRODUÇÃO

 

- Privilegiou a ética na construção do seu pensamento.

- Para ele o conhecimento depende dos tipos de afetos que prevalecem nos indivíduos.

- Formulou uma concepção inusitada das relações entre Deus e a natureza.

 

III - INFLUÊNCIA CARTESIANA

 

“A razão matemática, científica - espírito geométrico - que vale para o mundo natural, Descartes tento fazer chega até Deus.”

 

- O cartesianismo forjou a mentalidade (racionalista-matemática) dos maiores filósofos até Kant.

- O pensamento de Descartes exercerá uma influência vasta no mundo cultural francês e europeu, diretamente até Kant e indiretamente até Hegel.

- E exerceu tal influência não tanto como sistema metafísico, quanto especialmente pelo espírito crítico, pelo método racionalista, implícito nas premissas do sistema do filósofo.

- O cartesianismo propôs os grandes problemas em torno dos quais girou a especulação de vários filósofos, a saber: a relação entre substância finita de um lado, e entre espírito e matéria do outro; a harmonia preestabelecida de Leibniz e o panteísmo psicofísico de Spinoza.

- Spinoza é a mais coerente e extrema expressão do racionalismo moderno depois do fundador e antes de Kant.

 

IV - DEFINIÇÕES CONCEITUAIS

 

a) Transcendência – na teologia, significa que Deus é separado do mundo que criou e é superior a ele.

b) Imanência – na teologia, significa que Deus faz parte do mundo, não sendo, portanto, exterior a natureza.

c) Panteísmo – tudo é Deus, Deus é imanente ao mundo.

d) Determinismo – ausência do livre-arbítrio.

e) Conatus – termo latino que designa esforço físico ou moral.

f) Heteronomia – do grego hetero (diferente) e nomos (lei). Portanto, nossa ação não é comandada por nós mesmo, mas por outros.

g) Paixão – em grego phatos, significa padecer, sofrer, no sentido de algo que ocorre no sujeito independentemente de sua vontade. Ao padecer não somos nós que agimos, mas sofremos a ação de uma causa exterior.

 

V - DEUS SIVE NATURA

(Deus, ou seja, natureza)

 

- O racionalismo cartesiano é levado a uma rápida, lógica, extrema conclusão por Spinoza.

- Em geral, pode-se dizer que Descartes fornece a Spinoza o elemento arquitetônico, lógico-geométrico, para a construção do seu sistema, cujo conteúdo monista, em parte deriva da tradição neoplatônica, em parte do próprio Descartes.

- Spinoza quereria deduzir de Deus racionalmente, logicamente, geometricamente toda a realidade.

- O problema das relações entre Deus e o mundo é por ele resolvido em sentido monista.

A) de um lado, desenvolvendo o conceito de substância cartesiana, pelo que há uma só verdadeira e própria substância, a divina;

B) de outro lado introduzindo na corrente racionalista-cartesiana uma preformada concepção neoplatônica de Deus, a saber, uma concepção panteísta-emanatista.

 

- DITO DE OUTRO JEITO

 

- Os afetos e apetites humanos tratados como se fossem: linhas de superfícies ou de volumes (geometria da afetividade humana).

- Deus não é um ser transcendente, porém imanente.

- Espinosa é definido por outros pensadores como sendo um filósofo panteísta.

- O panteísmo de Espinosa possui uma sutileza: tudo está em Deus, sem que, no entanto, seja Deus. Há uma singular diferença entre a substância divina (Deus) e os seus modos (natureza).

- Deus é substância que constitui o universo inteiro e não se separa de tudo aquilo que produziu: “Todas as coisas são modos da substância infinita”.

- Deus é causa imanente (e não transcendente) dos seus modos, dentre os quais figura o ser humano.

 

- O PENSAMENTO: DEUS

 

- A substância divina é eterna e infinita: quer dizer, está fora do tempo e se desdobra em número infinito de perfeições ou atributos infinitos.

- Desses atributos, entretanto, o intelecto humano conhece dois apenas: o espírito e a matéria, a cogitatio e a extensio

- Descartes diminuiu estas substâncias, e no monismo spinoziano descem à condição de simples atributos da substância única.

 

- NATUREZA NATURANTE E NATURADA

 

- A substância e os atributos constituem a natura naturans. Da natura naturans (Deus) procede o mundo das coisas, isto é, os modos.

- Eles (os modos) são modificações dos atributos, e Spinoza chama-os natura naturata (o mundo).

 

- Os modos

 

- Os modos distinguem-se em primitivos e derivados.

- Os modos primitivos - representam as determinações mais imediatas e universais dos atributos e são eternos e infinitos: por exemplo, o intellectus infinitus é um modo primitivo do atributo do pensamento, e o motus infinitus é um modo primitivo do atributo extensão.

 

VI - CONHECIMENTO, LIBERDADE E AÇÕES HUMANAS

“Toda coisa se esforça, enquanto está em si, por perseverar no seu ser”.

 

- Não nega a causalidade interna (determinismo), antes a considera adequada para que o ser humano atinja a sua essência.

- Defende e define a liberdade como sendo autodeterminação.

- Conatus, no sentido de uma tendência natural e espontânea de autoconservação.

- O ser quer existir de acordo com a natureza e não contra ela.

- É o conhecimento racional que nos permite distinguir os desejos verdadeiros (próprios de nossa natureza) daqueles que nos afastam dela.

- Só o conhecimento adequado de si mesmo pode promover a liberdade humana.

 

VII - ESCRAVIDÃO

 

- Desejos estranhos são os desejos exógenos, ou seja, externos e inadequados ao ser.

- Os desejos externos são inadequados porque escravizam o homem impedido a expressão plena da natureza do ser.

 

VIII - PAIXÕES DA ALEGRIA E DA TRISTEZA

(Qual a diferença?)

 

“Alegrias e tristezas (sentidas) são dimensões de nossa afetividade”.

 

- Alegria, a passagem do ser humano de uma perfeição menor para uma maior.

- Tristeza, a passagem do ser humano de uma perfeição maior para uma menor.

 

A) ALEGRIAS

“O amor é a alegria do amante, potencializado pela presença do amado ou da coisa amada”.

 

- Quando a potência de existir, que é o desejo, se realiza conforme nossa natureza, sentimos alegria.

- Aumenta o nosso ser e a nossa potência de agir (conatus).

- Aproxima-nos do ponto em que nos tornamos senhor da nossa própria potência de agir (dignos de ação).

- A realização do desejo que atende a uma necessidade positiva nos permite agir para realizar nosso ser, o que nos traz alegria e libertação, porque aumenta nossa potência de ser.

 

Exemplos de Expressões de Alegria

 

- Contentamento; admiração; estima; misericórdia...

 

B) TRISTEZAS

Quando somos obrigados a realizar um trabalho que não escolhemos, quando sofremos sob a égide de um governo autoritário, quando sucumbimos aos apelos consumistas... Sentimos a “diminuição do nosso ser”.

 

- Quando a potência de existir é contrariada, sentimos tristeza.

- A tristeza manifesta-se quando nos orientamos por valores exteriores a nós mesmos, nos tornamos heterônomos.

- Afasta-nos cada vez mais da nossa potência de agir (conatus).

 

Exemplos de Expressões de Tristeza

 

- Ódio; aversão; temor; desespero; indignação; inveja; crueldade; resentimento; melancolia; remorso; vingança...

 

IX - RELAÇÃO CORPO-MENTE

(Dualismo sem supremacia)

 

- Exceção à regra - superação da dicotomia: corpo e mente (corpo-consciência).

- Sem hierarquias - buscou restabelecer a unidade humana: não há hierarquia entre o corpo e a mente.

- Negando a tradição grega, afirmou que o espírito não é superior ao corpo e que o corpo não determina a consciência.

- O problema, pois, das relações entre o espírito e a matéria é resolvido por Spinoza, fazendo da matéria e do espírito dois atributos da única substância divina. - Une os dois na mesma substância segundo um paralelismo psicofísico, uma animação universal, uma forma de pampsiquismo.

 

X - CARACTERÍSTICAS DA ALMA

 

A) FORÇA

- A força da alma (poder) reside na atividade de pensar, conhecer.

- Quando a alma se reconhece capaz de produzir ideias, passa a uma perfeição maior e é afetada pela alegria.

 

B) FRAQUEZA

- A fraqueza da alma reside na ignorância.

- Quando não alcança o entendimento, a descoberta de sua impotência prova o sentimento de diminuição do ser (tristeza).

- A tristeza proporciona a passividade da alma.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A TV QUE VOCÊ VÊ NÃO TE VÊ





Por: Claudio Fernando Ramos, 23/06/2015. Cacau “:¬)


 Vitimado por acidente automobilístico, na noite passada morreu um, ao menos para nós (eu e meu alterego), desconhecido cantor do chamado sertanejo universitário. Porém, não é essa a razão, nem é esse o motivo pelo qual nos colocamos a redigir essas linhas. Como já fizemos crer anteriormente, até a data de hoje o nome: Cristiano Araujo (que Deus o tenha), nos era total e completamente desconhecido. A razão e o motivo pelo qual escrevemos nascem do uso sensacionalista que as emissoras estão fazendo do fato, ou seja, da morte do jovem cantor e de sua namorada. A maior emissora do país, não necessariamente a melhor, depois de já ter noticiado o acidente em dois de seus jornais (Bom Dia Brasil e Jornal Hoje), mais uma vez nos roubou a já pouquíssima paciência com mais uma dose do mesmo; só que desta vez no sempre inexpressivo e melancólico programa da tarde intitulado: Vídeo Show. O programa de imbecilidades, dono do recorde de maior rotatividade de apresentadores da TV brasileira, abriu a sua programação da tarde de hoje (23/06) totalmente pautado no ocorrido (talvez eles consigam com esse triste e lamentável episódio, ganharem aquilo que em circunstâncias normais seria impossível: audiência). Não bastasse a notícia já dada, narrada, comentada, mastigada, especulada, regurgitada... Uma apresentadora de um dos programas de variedade da emissora, Ana Maria Braga, aparece ao lado de seu Papagaio de Pirata com a seguinte chamada escrita em letras garrafais: “Madrinha” de Cristiano Araujo... Pelo que pudemos ver e ouvir ela desconhecia a existência dele tanto quanto nós, isso ficou claro quando, ao lado da apresentadora (em um programa recuperado), depois ter sido arguido sobre o tempo em que já vinha cantando ele lhe respondeu: tenho dezessete anos de carreira. Cristiano Araujo, segundo ele mesmo, nasceu em uma família de músicos, e no dia em que foi ao programa (Mais Você) já contava com quase duas décadas na chama “estrada”. A partir dessas informações nos colocamos a matutar: madrinha do quê, afinal de contas? Madrinha de TV? Haveria também essa modalidade de apadrinhamento? Não sei bem, mas acho que o nome disso é outra coisa: TOPA TUDO POR AUDIÊNCIA.

Quantas pessoas relevantes no campo das artes e da cultura em geral já nos deixaram nos últimos anos? Várias, não é mesmo? Quantas delas receberam 1/3 da mídia que esse jovem cantor está recebendo? Analisando friamente, você acredita mesmo que toda essa comoção midiática nasce unicamente da perda precoce de um “talento” nacional? Todo esse espetáculo verborrágico possui respaldo cultural, ou seja, foi-se um talento ímpar, insubstituível, inquestionável? É tão somente por isso que muitos estão sendo induzidos a sofrerem, chorarem e lamentarem?

Os homens da TV sempre sabem o porquê de veicularem uns fatos bem mais que outros. Nós, espectadores, é que quase nunca sabemos o quê, o porquê e o para quê assistimos tantas bobagens e inutilidades (com essas palavras não estamos nos referindo à morte do rapaz).

De tudo isso só uma certeza resta ao idiotizado telespectador: até o próximo domingo já se sabe qual será a pauta da televisão brasileira! Sem medo de errar: 1ª A seleção brasileira de futebol  e sua pífia campanha na Copa América (se ganhar); 2ª A trágica morte do jovem cantor sertanejo; e 3ª Qualquer outra tragédia que ocorra até domingo (que em se tratando de Brasil é mais certo do que chuva no Estado de São Paulo). Cacau “:¬)