ZN-FILOSÓFICA

domingo, 27 de julho de 2014

A GRANDE MÍDIA E SEUS PATRIOTAS UFANISTAS


Por: Claudio Fernando Ramos, 27/07/2014. Cacau “:¬)


Definição de Galvão Bueno sobre o quinto lugar de Felipe Massa no Grande Prêmio da Hungria na manhã do dia 27/07/2014: “Grande Resultado de Massa depois de muita luta!” Essa preposição perde totalmente o sentido quando ficamos sabendo que Massa largou em sexto e ainda foi beneficiado por uma das interrupções da corrida. Detalhe, nessa mesma corrida o piloto inglês da Mercedes Lewis Hamilton largou dos boxes, em outras palavras, um pouco pior do que o último, e chegou em terceiro. Isso ocorreu porque no treino de sábado (26/07/2014) seu carro pegou fogo. Agora responda: quem será que lutou de fato? Se isso fosse futebol o placar teria sido bem mais elástico do que o vexatório 7x1. Não bastassem às novelas, até no esporte temos que conviver com essa mídia viciada em criar falsas referências. Cacau “:¬)
   

RENÉ DESCARTES ( 1596/ 1650)





1       -  VIDA E OBRA


1 – 1 - Nasceu na França, era de família nobre.



1 – 2 - Viajou muito a fim de procurar a Verdade no mundo.



1 – 3 - Influenciado pelo Cardeal Bérulle, dedica-se ao estudo da filosofia (estudou em escola jesuíta).



1 – 4 - Em 1629, evitando problemas com a Inquisição, vai para a Holanda e passa a dedicar a

física e a matemática.



1 – 5 - Em 1637, retoma seus estudos de filosofia.



1 – 6 - Deixou muitos livros e inúmeras cartas, sendo famosas as cartas filosóficas à princesa

Elisabeth (Alemanha) e à rainha Cristina da Suécia.



1 – 7 - Morre em 1650 em Estocolmo devido ao rigor do inverno.



1 – 8 - René Descartes, foi considerado o “pai da filosofia moderna”.



2 - PRINCIPAIS OBRAS

2 – 1 - O discurso sobre o método

2 – 2 - As meditações

2 – 3 - Regras para direção do Espírito

2 – 4 - Carta Prefácio

2 – 5 - As paixões da Alma



Obs: Todos os seus livros foram proibidos – colocados no Index – pela Igreja em 1662, apesar de não

apresentarem tanto “perigo” e tanta “subversão” quanto os de Galileu.



3 - O MÉTODO



3 – 1 - Jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse como tal; isto é, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos

que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito, que eu não tivesse

nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida.



3 – 2 - Dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas

possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las.



3 – 3 - Conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais

fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento

dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem

naturalmente uns aos outros.



3 – 4 - Fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais que eu tivesse a

certeza de nada omitir.

4 - O COGITO







4 – 1 - Primeiro Descartes coloca em dúvida tudo aquilo que se conhece pelos sentidos (dúvida hiperbólica, ver texto complementar abaixo).



4 – 2 - Depois, destrói as certezas como a de que vemos um homem, um automóvel, etc.

Podemos estar sonhando, afinal.



4 – 3 - Por fim, supõe a existência de um gênio maligno que se diverte enganando as pessoas.

No entanto, resta uma certeza: enquanto penso, existo – “Cogito, ergo sum” (Penso, logo existo).


Texto Complementar
René Descartes e a dúvida hiperbólica

A dúvida hiperbólica é um conceito derivado do pensamento de René Descartes, a respeito do contínuo inquirir acerca da veracidade das coisas que nos são apresentadas como verdadeiras. Também chamada de dúvida sistemática, é o resultado imediato do primeiro princípio exposto pelo pensador no seu Discurso sobre o método (1637). É dita hiperbólica por ser uma dúvida exagerada, mas filosoficamente construída: sua razão de ser é examinar minuciosamente os conceitos de modo a só admitir por verdadeiro o que realmente é, e declarar duvidoso o que não pode afastar o mínimo de incerteza.


Viver em um ambiente onde todos os discursos pretendem alcançar a verdade das coisas é compartilhar de um espetáculo 1verborrágico onde as dúvidas e as certezas têm as mesmas possibilidades de sucesso. A razão é a coisa mais bem distribuída entre os homens. E o é de tal forma que ninguém se julga dela querer mais do que a que já possui. É assim que o filósofo francês vai iniciar sua obra sobre o método.

Para Descartes, não há homens com mais e homens com menos razão. Esta é uma característica inata inerente à espécie humana. Então como pode haver o erro nos juízos? É preciso buscar um fundamento seguro e definitivo em que a verdade possa ser universalizada.



Os gregos admitiam que ao observarem a natureza, eles interpretariam, desvelariam a verdade contida na phýsis e a partir disso guiariam seus destinos, seguindo os imperativos do cosmo. Os medievais (leia-se os cristãos) entendiam que o fundamento da realidade era Deus e a verdade revelada consistia nas leis que o homem deve conhecer para agir. Ambas pensam na perspectiva do objeto. Ambas imaginam poder deduzir a verdade, seja da autoridade da natureza, seja de Deus, o que nos permite considerar tal filosofia como realista (res = coisas). Assim, o homem, como sujeito, não passa de um mero espectador da peça divina ou da maravilha do cosmo. É uma peça determinada que apenas cumpre uma função sem ter nenhuma importância no papel de descoberta da realidade.



Dessa forma, os discursos e as ações eram realizadas sob a autoridade sempre externa das passivas marionetes humanas. Todas as maravilhas bem como as desgraças eram causadas em nome de Deus ou em prol do Todo. Com isso, vão surgindo contradições no real que despertam a argúcia e inteligência daqueles que não veem o homem meramente como um agente passivo no processo de conhecimento.



Essas contradições levaram os homens a descrerem de Deus e dos próprios homens, suspendendo os juízos de realidade, impossibilitando o conhecimento (ceticismo). Eis que surge um homem capaz de salvar a verdade, atribuindo a responsabilidade desta ao construtor dos argumentos.



Descartes utiliza-se do mesmo método daqueles céticos que não acredita que o mundo possa ser conhecido. Assim, ele duvida de tudo o que é possível duvidar (do corpo, das pessoas, de Deus, de si mesmo, do mundo, etc.) até que chega um momento em que a dúvida cessa. Pode-se duvidar de qualquer coisa, mas jamais pode-se duvidar de que para duvidar é preciso pensar. Cogito ergo sum (Penso, logo existo!) é a primeira e mais fundamental evidência da verdade da qual se deve partir. Isso quer dizer que todo conhecimento possível é humano, até mesmo as interpretações sobre Deus, o que se diz dele. Então ele é uma mera criação de nossa fantasia? Talvez! Mas não segundo Descartes, para quem Deus é um ser necessário como segunda verdade devido à consciência do sujeito pensante de sua própria imperfeição.

Temos, portanto, uma divisão de duas substâncias, já que o pensamento é real enquanto o resto depende deste: a Res extensa, que é a matéria e a Res cogitans, que é o espírito, razão ou somente sujeito pensante (em termos universais). Esse dualismo psicofísico subordina o mundo à mente humana de modo que somente pelas representações do espírito se conhece as coisas, ou seja, elas só ganham sentido (leia-se existência) a partir de uma abordagem que constrói argumentativamente o mundo através de princípios puramente inteligíveis. E o caminho para se chegar a esses princípios é o que Descartes escreve no seu Discurso do método:



1. Evidência: segundo Descartes é a regra que nos permite ter clareza e distinção dos princípios inteligíveis. Por serem simples ideias, são a fonte de toda construção teórica do saber;

2. Análise: é o processo pelo qual decompomos nossas representações imediatas em representações mais simples a fim de organizar e ordenar os dados de forma a compreender o objeto;

3. Síntese: momento ao qual se chega depois da decomposição; significa que o todo desorganizado de uma representação é sintetizado numa ordenação de suas partes, compondo-o em um todo, agora, organizado;

4. Enumeração: como há possibilidades de falhas, trata-se de uma verificação geral do processo com a finalidade de garantir que foi feita correta e devidamente a análise do objeto.



Em outras palavras, Descartes submete os dados dos sentidos (fonte de erro) ao jugo da razão humana (fonte de verdade). Para entender melhor do que se trata, bem como para se entender o funcionamento do método, vamos ver como Descarte considera as ideias ou representações humanas:



- Ideias adventícias: são as representações oriundas dos sentidos (advem = vem de fora). Nestas estão a fonte de erros dos juízos, pois um juízo não é feito sobre coisas e sim sobre o modo como compreendemos coisas. Assim, juízos que são baseados nestas ideias, segundo Descartes, são fontes do erro, pois nos dizem como a coisa aparece e não o que ela é;

- Ideias fictícias: ficção é o nome para o que não existe. Significa dizer que nossa imaginação pode, a partir de ideias adventícias, formar seres que não têm nenhuma correspondência com a realidade (cavalo alado, por exemplo, que é a ideia de cavalo com asas). Jamais nos instruem sobre algo;

- Ideias inatas: são princípios simples por si mesmos e de índole matemática. Só é possível representar ao espírito por uma intuição (ou seja, não são coisas). Por exemplo, o círculo, o triângulo, a perfeição, etc. São a marca do criador em nosso espírito e que nos permite conhecer os objetos particulares. São deduzidas e demonstradas apenas racionalmente.

Logo, é com esses critérios que, segundo Descartes, pode haver ciência absoluta e universal entendida como uma construção de um sujeito pensante e, por isso, ativo no processo do conhecer. As consequências e responsabilidades são sempre humanas. Se Deus ajuda, é devido a uma intervenção que não pode ser evidenciada (ou seja, seus projetos não podem ser conhecidos).

1 Pessoa que usa uma quantidade excessiva e geralmente irritante de palavras para dizer coisas de pouco conteúdo ou sem importância.

sábado, 19 de julho de 2014

A IMPOTÊNCIA DA INVEJA



Por: Claudio Fernando Ramos, 19/07/2014. Cacau “:¬)

Por inveja Caim matou Abel.
 Toda inveja nasce de uma incapacidade! Um tolhimento, um limite extremo, externo ou interno, às vezes os dois. Mas, não há mal que não se cure; assim como não há bem que não se anule; digo isso levando em conta apenas os aspectos humanos da referida proposição. Assim sendo, concluímos que toda inveja é finda! O seu fim se dará no exato momento em que os labores diários não sejam mais, equivocadamente, direcionados para angariar os efêmeros bens e as ilusórias glórias do existir. Toda força deve convergir, implacavelmente, para que se conquiste e, mais importante ainda, mantenha-se a dignidade humana. Que cada um “saiba a dor a delícia ser o que é”; porque no fim, todos são... Devemos sempre ter em mente que quando o ser e o vir-a-ser encontram-se totalmente desprovidos de qualquer dignidade humana, os subvalores que normalmente atribuímos aos invejosos, devem também ser arrolados na conta dos invejados. Porque nesse caso (indignos que são), não há limites seguros para que tracemos a linha que deveria separá-los, distinguindo-os uns dos outros. Cacau “:¬)     
 

Estética

A finalidade da arte bem pode ser o da própria arte, ou seja, ela possui um fim em si mesma. Todavia, não há nada que impeça que a mesma sirva a elementos ideológicos diversos, sem que com isso sofra, necessariamente, alguma descaracterização essencial. Cacau “:¬) Julho 2014.