ZN-FILOSÓFICA

domingo, 23 de novembro de 2014

Como surgiu a Sociologia


A Revolução Francesa (França, 1789) e a Revolução Industrial (Inglaterra, 1780 a 1860) são conhecidas como o cenário para o surgimento da Sociologia. A Europa estava sofrendo grandes mudanças, transformando a vida social da população, dando ênfase no processo de industrialização e urbanização da sociedade Capitalista que ali se implantava. Foram desfeitos alguns costumes e tradições, como a família patriarcal, a servidão e o trabalho manufatureiro, dando início à indústria capitalista.

A importância da Revolução Industrial no surgimento da Sociologia

Com a Revolução Industrial, as localidades devido a um crescimento demográfico significativo, acabavam por não disponibilizar para seus habitantes uma boa infraestrutura. Ao que tange moradias e serviço de saúde, as civilizações deixavam a desejar para aqueles que saiam do campo e vinham tentar a vida na cidade. Um importante crescimento que houve na época, sob um ponto de vista, foi na área de técnicas produtivas e na introdução da máquina a vapor, que proporcionava mais comodidade para os trabalhadores do ramo. Por outro lado, a substituição da energia humana pela energia motriz, das ferramentas pelas máquinas, bem como a produção doméstica pelo sistema fabril, trouxe alguns prejuízos para as famílias que começaram a se encontrar desempregadas. As consequências da rápida industrialização não foram as melhores possíveis, já que aumentos na criminalidade, alcoolismo, violência, prostituição e surtos de epidemias de tifo e cólera foram rapidamente constatados. Estas interferências terminaram por exterminar uma fatia considerável da população.

Já na Revolução Francesa, o objetivo era fazer triunfar os ideais seculares, como liberdade e igualdade sobre a ordem social tradicional, fazendo com que essas idéias se espalhassem pelo mundo. A antiga forma de sociedade (Ancien Regime) foi abolida, promovendo muitas transformações na política, na vida cultural e na economia do país, não havendo mais as instituições  aristocráticas e  tradicionais, possibilitando igualdade entre todos os cidadãos perante a lei. Muitas das explicações baseadas na religião passaram a receber criticas e serem suplantadas por pensamentos racionais e lógicos, radicalmente mudando do modelo teocêntrico (Deus) para o antropocêntrico (Homem).


O surgimento dos primeiros sociólogos

Os primeiros sociólogos procuravam entender o estado de organização da sociedade em formação, sendo o século XVIII muito importante para o surgimento dessa ciência profunda e complexa, a qual é estudada e analisada até os dias de hoje. Todas as transformações que ocorreram na época trouxeram consigo problemas para a vida em comunidade, daí surge a Sociologia e seus pesquisadores para esclarecerem e organizarem as mudanças ocorridas no meio social, juntamente com os processos que interligam os indivíduos em grupos, associações e instituições. O termo Sociologia foi criado por Auguste Comte, em 1838, que pretendia unificar a Psicologia, a Economia e a História, levando em consideração que todos esses assuntos giram em torno do homem e seu comportamento. Mas os fundamentos sociológicos só foram institucionalizados com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber, pensadores renomados que se tornam base para nosso estudo.

http://www.sociologia.com.br/surgimento-da-sociologia/

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Valeu Zumbi!

Por: Claudio Fernando Ramos, 20/11/2014.

Imagem de Zumbi dos Palmares, litoral de Aracaju - SE 2014.
As virtudes e/ ou os vícios nas ações diárias de um homem, não importando quem ou o quê ele seja, só podem ser  plenamente conhecidas se sua origem não for desprezada! Cacau “:¬)

Ouviu-se um grito na “floresta” do nordeste brasileiro, era Zumbi dos Palmares, chamando à liberdade do quilombo, seus filhos desumanizados pelos algozes da existência racial! Ainda hoje, 20 de novembro 2014, é possível ouvir os ecos desse sagrado chamado! Seu chamado insiste em ribombar nas mentes e corações afrodescendentes dessa nação. Por conta disso hoje é feriado!  Não tenho em mente um mero feriado legislativo, refiro-me, antes de tudo, ao feriado das consciências, ao feriado da alma de um povo que não quer, não pode e não deve  se esquecer de sua origem, sua história,  seu valor!  Decido gritar de volta! Meu grito há de superar os vários anos já passados! Transcendendo toda lógica e temporalidade conhecida, esse grito atemporal chegará aos ouvidos dos meus ancestrais que há muito jazem em repouso: Valeu Zumbi; Zumbi valeu! 
Essa é a minha convicção, essa é a minha gratidão, essa é a minha homenagem! Cacau “:¬)

sábado, 25 de outubro de 2014

EGYLE

Por: Claudio Fernando Ramos, 25/10/2014. Cacau “:¬)
Egyle Nascimento, esse é o seu nome. Como é comum na Região Nordeste desse país, ela também recebeu mais um desses nomes inusitados. Passei anos, na condição de seu professor, tentando pronunciar esse nome sem cometer gafes, inútil. Mas uma montadora de automóvel veio ao meu socorro. Sou muitíssimo grato!  Assim que lançaram um determinado modelo, me foi possível, finalmente, pronunciar o nome de minha mais cara aluna sem cometer maiores deslizes. A rigor, o nome da minha amiga (Egyle) não é o mesmo do automóvel (Agile); mas, como se pode perceber, ajudou um bocado. Propagandas de carros, cervejas, bancos e telecomunicações são coisas fartas nas mídias nacional. Pela primeira vez uma delas me trouxe algum beneficio direto.
Brincadeiras à parte, estou aqui para homenagear uma das minhas melhores alunas; esse melhor não está necessariamente relacionado ao rendimento numérico da mesma (notas e médias escolares); mas, principalmente, aos valores e princípios que o seu ser encerra.

Exerço, como alguns já sabem, docência na área da filosofia, omiti intencionalmente o verbo ensinar porque soa estranho demais; segundo Kant, pensador alemão do século XVIII, filosofia não se ensina, quando muito ajudamos as pessoas a filosofarem. E é exatamente isso que essa jovem vem fazendo sem maiores dificuldades nos últimos anos. Platão disse que filosofia não é para todo mundo, se ele está correto, essa deve ser a razão pela qual poucos querem gastar tempo pensando. Contrariando a postura pragmática do populacho, a jovem Egyle deseja, a exemplo dos dogmáticos, encontrar-se com a verdade; mas também não aceita, a exemplo dos céticos, as verdades já estabelecidas. Essa postura simples e significativa, faz toda diferença. Alguém já disse que são as perguntas que movem o mundo e que a filosofia nasce do espanto.

Nasci em uma época em que os jovens se faziam representar; já na década de oitenta, as luzes desse período começaram a se apagar juntamente com os últimos acordes do rock pop Brasil; na década seguinte, a de noventa, os sonhos de uma ex-gloriosa juventude já estavam comprometidos!


Hoje, mesmo não podendo prever o que virá a seguir, o que por hora vislumbro não me traz bons auspícios. Porém, se alguns dos jovens, com quem lido diariamente, desenvolverem pela vida e pelo conhecimento postura semelhante à dessa menina de nome exótico, nem tudo estará perdido! Se assim for, é bem possível que outra primavera, semelhante à de Praga, faça florescer incontáveis jardins no interior dos corações juvenis. Cacau “:¬)        

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

SE NÃO ESCOLHER É RUIM, ESCOLHER ERRADO É PIOR!


Por: Claudio Fernando Ramos, 24/10/2014. Cacau “:¬)


Você quer mesmo saber em quem vou votar no próximo domingo?
Pois é... Complicou!
Por mais estranho que possa parecer, eu também gostaria de saber alguma coisa sobre isso!

No cenário nacional, não sinto saudade alguma do passado tucano, salvo em alguns poucos aspectos; todavia, não estou nem um pouco satisfeito com o presente petista, salvo em alguns poucos aspectos também!

Para piorar, a situação no cenário estadual não é nada promissora: aqui no RN, temos dois burgueses/oligarcas se auto-intitulando representantes dos anseios populares.
Papais Noéis dos pobres!
Até que faz sentido, não demora muito entraremos em dezembro.
Já tivemos o coelho da Páscoa, agora é a vez do bom velhinho.
Se tudo o que está sendo prometido, nos dois níveis de governo, for cumprido ao menos 2/4, o Brasil vira Suécia!
  
Não é da ignorância que nascem as minhas dúvidas, ao contrário, é exatamente pela sua ausência que agora sofro!
Se eu tivesse a passionalidade dos apaixonados...
A ignorância dos incautos...
A utopia dos sonhadores...
A alienação dos fragilizados...
Esse, sem sombra de dúvida, seria o meu melhor momento!
Seria a minha hora de acreditar que é possível mudar, sonhar, transformar... Fazer história decidindo, por meio do voto, o destino da nação!
Mas, como já disse um pensador Iluminista (Rousseau): “inocência”, o homem só possuiu quando viveu no suposto estado de natureza (O Bom Selvagem); em outras palavras, a vida em sociedade, a propriedade privada e os governos despóticos, degeneraram os homens de modo irreversível.
Portanto, segundo o pensador contratualista, a inocência foi inexoravelmente perdida!


Bem... Ainda não sei em quem vou votar, mas de uma coisa já tenho certeza: “nunca antes na história desse país”, a opção pelo voto branco ou nulo se mostrou tão atraente e sensata! Cacau ":¬)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Tenho medo de Urano (PSDB), não confio em Saturno (PT)!

Por: Claudio Fernando Ramos 10/10/2014. Cacau “:¬)


 Depois de adulto, sempre votei! Tento, na medida do possível, ser coerente não só com o que acredito, mas, principalmente com as coisas que faço.



Cidadania é como humanidade, não nascemo com elas, precisamos desenvolvê-las!



Partidos como PSDB, PMDB, Democratas (antigo PFL) entre outros (chamados de direita ou de centro direita) nunca receberam (ao menos de forma direta, salvo em caso de coligações partidárias) o meu voto, e, duvido muito que um dia receberão (só o tempo dirá).

Na condição de filho de mulher negra (duplamente discriminada: mulher e negra), solteira (tendo que fazer a vida sozinha) e pobre (trabalhando como diarista nas casas da classe média na capital fluminense), nunca me senti representado pela classe política (oligarquia) que, desde o fim do Império (1889), controla esse país.

A exemplo do que narra a mitologia greco-romana, essa nação sempre possuiu deuses que devoram os próprios filhos nos instantes seguintes ao nascimento.

O mito Greco-romano nos conta que o Céu (Urano) uniu-se à Terra (Geia), tiveram filhos, mas esses, assim que nasciam, o pai (Urano) os mandava de volta para o interior do seio materno e lá ficavam em regime de perpétua clausura.

No início da década de oitenta, próximo da redemocratização do país (ocorrida em 1985), um partido despontava no cenário “pluripartidário” nacional, o PT. Originário das forças operárias, diversos grupos de esquerda (sindicatos, igreja e trabalhadores) se uniram em pró de uma ideologia comum: eleger pessoas que governassem visando não só os interesses das corporações e classe dominante.

Depois de protagonizar intensas disputas contra Collor (uma vez) e FHC (duas vezes), o PT finalmente chegou ao poder na pessoa de Luiz Inácio Lula da Silva ou, simplesmente, Lula. Depois de governar por oito anos, o partido conseguiu eleger a primeira mulher da história desse país. Hoje, nas vésperas de mais um escrutínio, o partido tenta a sua quarta eleição consecutiva.

Mas o mito greco-romano não termina com a clausura dos recém-nascidos. Um dos filhos preso (Saturno, também conhecido como Cronos, o senhor do tempo) revoltasse contra o tirânico pai (Urano) e, em nome da liberdade, castra-o; liberta todos os irmãos e, em seguida, toma o poder que havia sido do pai e passa a governar sobre todos. No entanto, desconfiado e temeroso com a possibilidade da perca do poder, aprisiona todos os seus irmãos nas trevas e passa, de forma implacável, a devorar os próprios filhos, assim que esses vêm à luz.


Conhecendo essa antiga história, não consigo deixar de relacioná-la ao contexto histórico da política nacional.

O Brasil sempre teve seus Uranos; atualmente vem tendo os seus Saturnos!

Prisioneiros que éramos, devorados que somos!

Olho para o candidato Aécio Neves e vejo a encarnação de Uranos! A volta de Uranos (PSDB) talvez implique em mais clausura para os “libertos” filhos de Geia (a classe trabalhadora). Todavia, com a manutenção do que aí está, Dilma Rousseff, é provável que só façamos alimentar o devorador de todas as coisas, o voraz Cronos (PT).

Tenho medo de Urano (PSDB), não confio em Saturno (PT)!


Antes, não podíamos votar; depois, não sabíamos em quem votar; hoje, tudo está muito pior, não sabemos por que votar! Cacau “:¬)

sábado, 4 de outubro de 2014

Miss Brasil 2014: perfeita, não fosse o sotaque!

Por: Claudio Fernando Ramos, 30/09/2014. Cacau “:¬)


Os antigos já diziam: o pior cego é aquele que não quer ver. Já estou cansado de ouvir uns imbecis dizerem: O “PIOR” RACISTA É O PRÓPRIO NEGRO QUE SE AUTODISCRIMINA! Se você está pensando que a frase diz respeito ao indivíduo de pele negra que não gosta de ser negro, e por isso subestima-se, estás enganado! A frase, na maioria das vezes, se refere aos negros que ousam tocar no assunto conhecido internacionalmente como: RACISMO. Em todo Brasil, inclusive no Nordeste, o racismo dos brancos deve ser mediado pelos brancos; quanto aos negros, vitimas do racismo, falar de racismo é o mesmo que mexer em casa de marimbondos sem a devida capacidade e proteção. Negro que fala de racismo é racista também! Ou é, no mínimo, negativista, pessimista e rancoroso! Todas às vezes que me perguntam sobre as cotas, eu retruco: de qual cota estás falando? Como é do nosso conhecimento, no país existem várias (cotas sociais), mas só à que diz respeito aos negros (cota racial) chama a atenção dos “injustiçados” (autômatos de ideias alheias).

Mas o motivo desse texto está sendo escrito não é, diferentemente do que podes estás imaginando, comentar a situação do negro no cenário nacional; mas sim chamar atenção sobre mais um ato explicito de preconceito em terras brasilis. E, como não poderia deixar de ser, tudo aconteceu no fórum dos covardes, ou seja, as redes sociais.

Veja se você acerta: não é sobre os negros, os gays, os pobres, os gordos, os analfabetos, as mulheres, os religiosos, os ateus... Sobrou quem? Eles mesmos, os NORDESTINOS!
A miss Brasil 2014, eleita no fim de setembro do mesmo ano, sofreu agravos por ser de um Estado nordestino (Ceará). Um dos comentários definia o sotaque cearense como sendo sofrível, além de outras coisas. A cor não é um problema, ela não é negra! A aparência também não, ela foi eleita Miss Brasil! Mas, no quesito sotaque, ela foi reprovada! Veja como funciona a mente de um preconceituoso, nada é suficientemente bom, a não ser se for perfeitamente bom!

 http://ego.globo.com/famosos/noticia/2014/09/miss-brasil-2014-fala-de-preconceito-tenho-orgulho-de-onde-nasci.html


Depois de ler a reportagem, tente responder: será que também, nesse caso, alguns daqueles imbecis de plantão teriam o descalabro de pronunciar uma frase análoga àquela que dizem aos negros? OS “PIORES” PRECONCEITUOSOS SÃO OS PRÓPRIOS NORDESTINOS QUE SE SUBESTIMAM! É possível, é bem possível! Aliás, nesse país de mariposas (quanto mais luz, mais cegos), o que é impossível? Cacau “:¬) 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Nietzsche(1844-1900)




Apolíneo e dionisíaco
- Nietzsche critica a tradição da filosofia ocidental a partir de Sócrates, a quem acusa de ter negado a intuição criadora da filosofia anterior, pré-socrática.

- O filósofo alemão, estabelece a distinção entre dois princípios: o apolíneo e o dionisíaco, a partir, respectivamente, dos deuses gregos Apolo (deus da razão, da clareza, da ordem) e Dioniso (deus da aventura, da música, da fantasia, da desordem).

- Esses dois princípios ou dimensões complementares da realidade – o apolíneo e o dionisíaco – foram separados na Grécia socrática, que, optando pelo culto à razão, secou a seiva criadora da filosofia, contida na dimensão dionisíaca.

A transvaloração dos valores
- Nietzsche orienta-se no sentido de recuperar as forças vitais, instintivas, subjugadas pela razão durante séculos.

- Para tanto, critica Sócrates por ter sido o primeiro a encaminhar a reflexão moral em direção ao controle racional das paixões.

- Segundo ele, a tendência de desconfiança nos instintos culmina com o cristianismo, que acelera a domesticação do ser humano.

- Em diversas obras, como Sobre a genealogia da moral, Para além do bem e do mal e Crepúsculo dos ídolos, em estilo apaixonado e mordaz, Nietzsche faz a análise histórica da moral e denuncia a incompatibilidade entre esta e a vida.

- Sob o domínio da moral, o ser humano se enfraquece, tornando-se doentio e culpado.

- Nietzsche relembra a Grécia homérica, do tempo das epopeias e das tragédias, momento em que predominavam o que para ele eram os verdadeiros valores aristocráticos, quando a virtude reside na força e na potência, como atributo do guerreiro belo e bom, amado dos deuses.

- Segundo Homero, entre inimigos não há bom ou mau, porque ambos são valorosos.

- Ao fazer a crítica da moral tradicional, Nietzsche preconiza a “transvaloração de todos os valores”. Diz Scarlett Marton:

A noção nietzschiana de valor opera uma subversão crítica: ela põe de imediato a questão do valor dos valores e esta, ao ser coloca, levanta a pergunta pela criação dos valores. Se até agora não se pôs em causa o valor dos valores “bem” e “mal”, é porque se supôs que existiram desde sempre; instituídos num além, encontravam legitimidade num mundo suprassensível. No entanto, uma vez questionados, revelam-se apenas “humanos, demasiado humanos”; em algum momento e em algum lugar, simplesmente foram criados”.

A genealogia da moral
- Se os valores não existiram desde sempre, mas foram criados, Nietzsche propõe a genealogia como método de investigação sobre a origem deles.

- Mostra assim as lacunas, o que não foi dito ou foi recalcado, permitindo que alguns valores predominassem sobre outros, tornando-se conceitos abstratos e inquestionáveis.

- Pela genealogia Nietzsche descobre que os instintos vitais foram submetidos e degeneraram.

- Procura então ressaltar aqueles valores comprometidos com o “querer-viver”.

- Denuncia a falsa moral, “decadente”, “de rebanho”, “de escravos”, cujos valores seriam a bondade, a humildade, a piedade e o amor ao próximo.

- Distingue então a moral de escravos e a moral de senhores:

a) A moral de escravos.
- A moral de escravos é herdeira do pensamento:
·         socrático-platônico – que provoca a ruptura entre o trágico e o racional.

·         tradição judaico-cristã, da qual deriva a moral decadente, porque baseada na tentativa de subjugação dos instintos pela razão.

- O homem-fera, animal de rapina, é transformado em animal doméstico ou cordeiro.

- A moral plebéia estabelece um sistema de juízos que considera o bem e o mal valores metafísicos transcendentes, isto é, independentes da situação concreta (histórica) vivida.

- A moral de escravos nega os valores vitais e resulta na passividade, na procura da paz e do repouso.

- O indivíduo se enfraquece e tem diminuída sua potência.

- A alegria é transformada em ódio à vida, o ódio dos impotentes.

- A conduta humana, orientada pelo ideal ascético, torna-se vítima do ressentimento e da má consciência – o sentimento de culpa.

- O ressentimento nasce da fraqueza e é nocivo ao fraco.

- O indivíduo ressentido, incapaz de esquecer, é como o dispéptico (que digere mal os alimentos – no texto significa o ressentido “remói” o seu fracasso): fica “envenenado” pela sua inveja e impotência de vingança.

- Ao contrário, o indivíduo nobre sabe “digerir” suas experiências, e esquecer é uma das condições de manter-se saudável.

- O sentimento de culpa é o ressentimento voltado contra si mesmo, daí fazendo nascer a noção de pecado, que inibe a ação.

- O ideal ascético nega a alegria da vida e coloca a mortificação como meio para alcançar a outra vida num mundo superior, do além.

- As práticas de altruísmo destroem o amor de si, domesticando os instintos e produzindo gerações de fracos.

b) A moral de senhores.
- A moral “de senhores” é a moral positiva que visa à conservação da vida e dos seus instintos fundamentais.

- É positiva porque baseada no sim à vida, e configura-se sob o signo da plenitude, do acréscimo.

- Funda-se na capacidade de criação, de invenção, cujo resultado é a alegria, consequência da afirmação da potência.

- O indivíduo que consegue se superar é o que atingiu o além-do-homem.

- O sujeito além-do-homem é aquele que consegue reavaliar os valores, desprezar os que o diminuem e criar outros que estejam comprometidos com a vida.

- Assim diz Roberto Machado:
É por isso que contra o enfraquecimento do homem, contra a transformação de fortes em fracos – tema constante da reflexão nietzschiana – é necessário assumir uma perspectiva além de bem e mal, isto é, “além da moral”. Mas, por outro lado, para além de bem e mal não significa para além de bom e mau. A dimensão das forças, dos instintos, da vontade de potência permanece fundamental. “O que é bom? Tudo que intensifica no homem o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria potência. O que é mau? Tudo que provém da fraqueza”.

A vontade de potência.
Com o que foi exposto, talvez se pense que Nietzsche chega ao extremo individualismo e amoralismo. Muitos inclusive o chamaram de niilista, para acusá-lo de não acreditar em nada e negar os valores, o que não faz jus ao seu pensamento. Ao contrário, o filósofo atribuía o niilismo (significa nada) à moral decadente dos valores tradicionais, que acomodaram o ser humano na mediocridade que tudo uniformiza.

- Destruir esses valores é a condição para que possam nascer os valores novos do além–do-homem, o que só pode ser alcançado pela “vontade de poder”.

- Também essa expressão leva a confusões: não se trata de poder que domina os outros, mas das forças vitais recuperadas pelo indivíduo dentro de si “num dionisíaco dizer-sim ao mundo” e que se encontravam entorpecidas.

- Nesse sentido, o poder é virtude no sentido de força, vigor, capacidade. Portanto, virtude é autorrealização.

- Se essa moral valoriza a individualidade, o faz tanto para si como para os outros, pois cada um pode ser ele mesmo.

Niilismo.
Segundo a análise de Nietzsche, no momento em que o cristianismo deixou de ser a “única verdade” para se tornar uma das interpretações possíveis do mundo, toda a civilização ocidental e seus valores absolutos também foram postos em xeque.

- Nesse contexto, ocorre uma escalada do niilismo, que “deve ser entendido como um sentimento opressivo e difuso, próprio às fases agudas de ocaso de uma cultura.

- O niilismo seria a expressão afetiva e intelectual da decadência.

- O niilismo moderno apontado por Nietzsche assenta-se, em grande parte, na ideia da “morte de Deus”.
- Em sua obra Gaia ciência, o filósofo decreta que “Deus está morto”, mas esclarece que quem o matou fomos nós mesmos, ou seja, trata-se de um acontecimento cultural.

- Desse modo, teríamos destruído os fundamentos transcendentais (assentados em Deus) dos valores mais caros de nossas vidas.

- Assim, por meio do niilismo:
[...] o homem moderno vivencia a perda de sentido dos valores superiores de nossa cultura.

- Por essa ótica, niilismo seria o sentimento coletivo de que nossos sistemas tradicionais de valoração, tanto no plano do conhecimento quanto no ético-religioso, ou sociopolítico, ficaram sem consistência e já não podem mais atuar como instâncias doadores de sentido e fundamento para o conhecimento e a ação.

- Apesar desse niilismo em relação aos valores consagrados da civilização, Nietzsche defendeu também valores afirmativos da vida, capazes de expandir as energias latentes em nós.

- “Ouse conquistar a si mesmo” talvez seja a grande indicação nietzschiana àqueles que buscam viver a “liberdade da razão”, sem conformismo, resignação ou submissão.

Fonte: Filosofando: introdução à Filosofia e Fundamentos de Filosofia.