ZN-FILOSÓFICA

sábado, 19 de julho de 2014

A IMPOTÊNCIA DA INVEJA



Por: Claudio Fernando Ramos, 19/07/2014. Cacau “:¬)

Por inveja Caim matou Abel.
 Toda inveja nasce de uma incapacidade! Um tolhimento, um limite extremo, externo ou interno, às vezes os dois. Mas, não há mal que não se cure; assim como não há bem que não se anule; digo isso levando em conta apenas os aspectos humanos da referida proposição. Assim sendo, concluímos que toda inveja é finda! O seu fim se dará no exato momento em que os labores diários não sejam mais, equivocadamente, direcionados para angariar os efêmeros bens e as ilusórias glórias do existir. Toda força deve convergir, implacavelmente, para que se conquiste e, mais importante ainda, mantenha-se a dignidade humana. Que cada um “saiba a dor a delícia ser o que é”; porque no fim, todos são... Devemos sempre ter em mente que quando o ser e o vir-a-ser encontram-se totalmente desprovidos de qualquer dignidade humana, os subvalores que normalmente atribuímos aos invejosos, devem também ser arrolados na conta dos invejados. Porque nesse caso (indignos que são), não há limites seguros para que tracemos a linha que deveria separá-los, distinguindo-os uns dos outros. Cacau “:¬)     
 

Estética

A finalidade da arte bem pode ser o da própria arte, ou seja, ela possui um fim em si mesma. Todavia, não há nada que impeça que a mesma sirva a elementos ideológicos diversos, sem que com isso sofra, necessariamente, alguma descaracterização essencial. Cacau “:¬) Julho 2014.

sábado, 12 de julho de 2014

FRANCIS BACON (1561-1626)



(O MÉTODO EXPERIMENTAL CONTRA OS ÍDOLOS)

Adaptado por: Claudio Fernando Ramos, 12/07/2014. Cacau ":¬)


Introdução
Em meados dos séculos XVI e XVII no reinado da Rainha Elizabeth I, a Inglaterra passava por um período de mineração e industrialização. E neste mesmo período nascia um dos mais célebres filósofos ingleses, Francis Bacon. Tendo exercido um significativo papel na vida política daquela sociedade, conseguiu o título de conselheiro da Coroa (grão-chanceler).  Mas também eram muitos os inimigos que o cercavam, e quando lhe foi tomado o poder em virtude de acusações políticas (corrupção e suborno), seu trabalho intelectual se tornou mais intenso.

I - Método indutivo de investigação científica
Em sua teoria do conhecimento, Francis Bacon propõe um novo método indutivo, o qual ofereceu uma profunda contribuição aos métodos de investigação da natureza.

II - Pré-positivismo
Manifestou grande entusiasmo pelas conquistas técnicas de sua época: a bússola, a pólvora, a imprensa... Ao contrário disso manifestou aversão ao pensamento puramente abstrato (Escolástica). Além das contundentes críticas aos filósofos clássicos, rompeu com uma tradição filosófica de mais de dois mil anos e com a religião da época.  Acreditava numa filosofia que favorecesse a humanidade com seus métodos experimentais, era totalmente a favor de ciência moderna que libertasse o homem de seus ídolos.

·         Lembrando - a Filosofia Positiva foi postulada pelo filósofo-matemático francês Auguste Comte, no início do século XIX (fundador da sociologia).

III - Teoria dos ídolos
Bacon denominou ídolos as falsas noções que bloqueiam a mente e invadem o intelecto humano impossibilitando o acesso à verdade e gera dificuldades em relação às ciências, quando não os combatemos. Em sua teoria, os ídolos se classificam em quatro categorias: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do mercado ou do foro e ídolos do teatro:

A - Os ídolos da tribo - são aqueles que se apoderam da própria natureza humana e não levam em conta o aprendizado sobre o universo, produzem uma certa espécie de superstição. Podemos dizer que ele tem sua origem nas ações humanas, nas limitações, preconceitos, sentimentos, incompetência. Um exemplo é a falsa ciência da cabala de sua época que imaginava uma realidade não inexistente numérica e os alquimistas que pensavam na atividade da natureza como na atividade humana, encontrando amor e ódio pelos fenômenos.  Ou também eles podem ser como um espelho que capta uma imagem de raio e a transmite de outra forma.

B - Os ídolos da caverna - fazem uma alusão à alegoria da caverna de Platão. Para o autor,  cada um tem a sua própria caverna, tem os seu jeito próprio de interpretar a natureza, todos os indivíduos veem sua própria luz por ângulos diferentes e cometem erros diversos.  Com isso a luz da natureza entra em choque com a luz humana, pois cada um tem os seus ídolos da educação, do esporte, da cultura, da autoridade e daqueles que honra e admira a diversidade das falsas verdades que vão ocupando o intelecto humano.

C - Os ídolos do foro ou do mercado - podem ser um dos mais incômodos, pois podem invadir o intelecto através das palavras. São aqueles erros encontrados nas palavras ou nos discursos humanos quando o diálogo sai ao contrário ou a palavra é distorcida pelos homens “sábios” que usam de suas oratórias para enfatizar o discurso.  Segundo Bacon, “as palavras cometem uma grande violência ao intelecto e perturbam os raciocínios, arrastando os homens a inumeráveis controvérsias e vãs considerações” (REALE, 1990, p.339).

D - Os ídolos do teatro - são aquelas teorias que não têm harmonia com a natureza humana ou obras filosóficas, que se consagraram figurando mundos fictícios, como aquelas que encontramos na filosofia antiga ou nas tradições religiosas.  Bacon acusa Aristóteles de ter sido um dos piores sofistas e Platão de ter confundido filosofia com teologia.
Para expulsá-los é preciso ter conhecimento dos mesmos a fim de expurgá-los da mente, além de conhecer um novo método. É a verdadeira indução o método proposto, pelo qual o homem poderia construir uma nova ciência capaz de interpretar corretamente a natureza e realizar os anseios do espírito moderno.

·         Lembrando – para o filósofo escocês David Hume (1711-1776) o raciocínio indutivo não possui fundamentação lógica. Será, portanto, sempre um salto do raciocínio impulsionado pela crença ou hábito.


IV - Novo Método
A obra de Bacon representa tentativa de realizar o vasto plano de "Instauratio magna" ("Grande restauração"). De acordo com o prefácio do "Novum organum" ("Novo método"), publicado em 1620, a "Grande restauração" deveria desenvolver-se através de seis partes.
A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, estudavam o novo método que deveria substituir o de Aristóteles.

·         O "Novum organum" é a expressão de uma perspectiva que tanto se afasta do empirismo radical quanto do racionalismo exagerado - ambos duramente criticados por Bacon.

V - Preliminares
Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos:

·         1º) a poesia ou ciência da imaginação;
·         2º) a história ou ciência da memória - a história ele a subdivide em história natural e história civil.
·         3º) a filosofia ou ciência da razão - a filosofia ele distingue entre a filosofia da natureza e a antropologia.

VI - Esboço racional de metodologia científica
Em função da nova metodologia, e como meio de realizar a busca das formas que se poderão revelar como regularidades no domínio dos fatos, Bacon recomenda o uso de três tábuas que disciplinarão o método indutivo:

·         a tábua de presença - registra a presença das formas que se investigam.
·         a tábua de ausência ou de declinação - a segunda possibilita o controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes.
·         a tábua de comparação - finalmente, na última tábua registram-se as variações que as referidas formas manifestam.

VII - Pioneirismo
Embora Bacon não tenha realizado nenhum progresso nas ciências naturais, ele foi o autor do primeiro esboço racional de uma metodologia científica. E sua teoria dos "ídolos" antecipa, em germe, a moderna sociologia do conhecimento.
Bacon também foi notável escritor: seus "Ensaios" são os primeiros modelos de prosa inglesa moderna.

VIII - Propósito - “Conhecimento é poder.” - fazer dos conhecimentos científicos um instrumento prático de controle da realidade.
Adaptado de: http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2010/04/10/francis-bacon-e-a-critica-aos-idolos/. Em 12/07/2014. Cacau ":¬)

Exercícios:

1. Sobre os ídolos preconizados por Francis Bacon, é CORRETO afirmar que:
a) “A consequência imediata da ação dos ídolos é a inscrição do Homem num universo de massacre e sofrimento racional-indutivo, onde o conhecimento científico se distancia da filosofia, se deteriora e se amesquinha”.   
b) Toda idolatria é forjada no hábito e na subjetividade humanos”.   
c) “Os ídolos invadem a mente humana e para derrogá-los, é necessário um esforço racional-dedutivo de análise, como bem advertiu Aristóteles”.   
d) “Os ídolos da caverna são os homens enquanto indivíduos, pois cada um [...] tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza”.   
  
2. O século XVII engendrou uma revolução científica e filosófica, na qual é impossível separar os aspectos filosóficos dos científicos, pois ambos se mostram interdependentes e estreitamente unidos. Essa revolução caracterizou-se por uma transformação na antiga representação do Cosmos e no questionamento dos conceitos filosóficos e científicos que lhe davam sustentação. A esse respeito, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) Uma das principais características dessa transformação foi uma maior preocupação com o homem e sua vida terrena e com o estudo da natureza.   
02) Embora tenha criado a ciência moderna, essa “revolução” espiritual não alterou as bases da filosofia que predominava até então.   
04) Entre os principais cientistas do período, destacam-se Roger Bacon, Guilherme de Ockham e Giovanio Bocaccio.   
08) Os princípios da física desenvolvidos por Galileu Galilei baseavam-se nos postulados de Aristóteles.   
16) No século XVII, Francis Bacon critica a antiga filosofia por ser contemplativa. Para ele, conhecer é poder; portanto, o homem tem de agir sobre a natureza para transformá-la em bens úteis.