ZN-FILOSÓFICA

domingo, 18 de janeiro de 2015

A LUZ DA JUVENTUDE ANTE A SOBRA DA VELHICE

(Conto II)

Por: Claudio Fernando Ramos 17/01/2014. Cacau “:¬)

*Necessárias correções ortográficas serão feitas à posteriore.  Grato pela compreensão! 

Claudio F Ramos, autor. 01/2015 Cacau ":¬)


Introdução

Esse nosso segundo conto contempla um tema do interesse de todos, se não agora, amanhã certamente. Se no primeiro conto falamos sobre o suicídio, nesse discorremos sobre a velhice. Os temas são bastante abrangentes e, por conta disso, polêmicos. Porém, entendemos que esses contos não são tratados científicos, doutrinas religiosas ou até mesmo pontos de vistas pessoais. As obras, agradáveis aos leitores ou não, são apenas de caráter fictícios. Portanto, qualquer semelhança com uma possível realidade, deve ser arrolada como nada além que uma mera coincidência. No mais, qualquer opinião, contra ou a favor da obra de nossa autoria, ficará restrita ao universo que as cabem: meras opiniões. Boa leitura! Cacau “:¬)

Texto

Depois...
Alguns anos depois de tamanha claridade, brilho e intensa luz, uma sombra se fará sentir.
Essa sombra nunca é muito célere no seu aproximar, por conta disso alguns até acham que ela falhará. Mas ela virá, acredite, ela sempre vem e, quando o fizer, se fará extremamente eficiente no seu escurecer.
Leve para uns, um fardo para outros,  no entanto, escura para todos.
Com ela, o alvorecer cotidiano não deixará de existir, não necessariamente; porém, a exuberância, desse mesmo alvorecer, saudosos e iluminados dias de outrora, pecará pelo excesso de modéstia, limites e incontáveis contingências quando a sombra o alcançar.
Muitos, apesar da velocidade letárgica da mesma, serão atingidos por essa inexorável penumbra do existir.
Outros partirão antes de sua indeclinável presença.
Os que partirão prematuramente, inconscientes ou não, no momento da partida implorarão aos seus deuses, caso os possua, pelo privilégio de serem alcançados pela tal sombra.
Os que receberem a graça de verem o seu desejo atendido, descobrirão impotentes que não haverá razão alguma para agradecer pelo grande “milagre” obtido.
Mas os que ainda assim insistirem na gratidão, não encontrarão oportunidade alguma para o pleno regozijo.
Aos que vivem com a luz, tudo é permitido; principalmente fazer, errar, reinventar...

Quanto aos que sobrevivem sob a égide da sombra, restam-lhe a esperança...

Um longo silêncio se fez.
O jovem ficou no aguardo de mais algumas palavras do ancião. Mas elas não vieram.
Enquanto olhava a lateral do rosto do senhor que estava sentado ao seu lado, do interior do jovem surgiu um ímpeto questionador: - Esperança no quê Mestre?
Mas ele, a exemplo do ancião, preferiu manter-se em silêncio. Não quis ser inoportuno, talvez o mestre estivesse fazendo uma oração silenciosa ou coisa que o valha; quem sabe até mesmo mensurando a extensão, peso e significado de suas palavras. Quem sabe...
O idoso tinha os olhos fixo em um ponto qualquer à sua frente, o jovem não sabia bem no quê.
Do local de onde estavam, era possível ter uma perfeita visão do vale mais abaixo. Ao longe, sem ofender a serenidade harmônica do local, um pastor tangia algumas dezenas de ovelhas. As cores dos animais contrastavam suavemente com o verde da relva e, seus balidos, de forma fraca e agradável, chegavam até os seus ouvidos como uma canção que só a natureza seria capaz de compor. Sentindo-se um pouco desconfortável com as câimbras que impiedosamente fustigavam suas pernas, procurou uma posição mais confortável; encostou as costas na grama verde, cruzou as mãos por trás da cabeça, fazendo-as de travesseiro e, em seguida, pôs-se a pensar.  Com singular humildade, era cônscio da dificuldade que tinha em entender e aceitar boa parte de tudo o que havia ouvido. As palavras do ancião foram calmas e agradáveis aos ouvidos, semelhantemente aos balidos das coloridas ovelhas que tranquilamente pastavam no vale. Mas, apesar dessa tranquilidade no falar do idoso e da sua própria limitação cognitiva enquanto entendedor, algumas coisas lhe ficaram evidentes, a menos que estivesse muito enganado, percebia muito pessimismo naquele discurso; notava um quê de amargura fatalista por trás de cada frase, uma dor incontida entranhada em cada sentença. Ficou cansado de pensar, não era de seu hábito fazer isso com regularidade, inclinou levemente a cabeça para o lado esquerdo, a fim de poder, novamente, contemplar as ovelhas; essas, conduzidas pelo pastor, estavam um pouco mais distantes agora. Lenta, mas paulatinamente eram conduzidas para mais distante ainda; parecia que o pastor as estava recolhendo. Permaneceu observando enquanto elas e o pastor iam, aos poucos, sumindo no horizonte.
Perguntou para si mesmo:
- Por que os homens precisam sempre encontrar respostas? Por que fazem sempre perguntas? Tudo não seria bem mais fácil se aceitássemos a vida tal como ela é: nascimento, vida e morte?
Sentiu inveja das ovelhas que não mais podia ver, partiram. Teve vontade de rir de si mesmo por conta desse sentimento incomum, encontrava-se às voltas com uma melancolia barata e vulgar. Nada fez! No fundo, bem no fundo, sabia que era coisa séria o que agora sentia. Para ele, elas podem não saber de nada, nem serem livres como os homens acreditam que são; mas, mesmo sem terem consciência disso, possuem um tesouro inestimável para qualquer ser vivente: finalidade específica na existência. Por isso, sem rebeldias, vazios questionamentos e retóricas evasivas, generosamente, dia após dia, elas ofertam leite, lã e, por fim, a própria carne; tudo isso para que outras formas de vida possam continuar existindo, independentemente se esses outros seres merecerem ou não essa dádiva sacrificial.
- E quanto a nós humanos?
Seres superiores, inteligentes e racionais! Seus pensamentos estavam tomados de incontida angustia.
- Sabemos tanto, temos filosofias, tratados, ciências, religiões... No entanto, passamos a vida toda para sabermos quem, o quê, e o porquê somos... E no fim de tudo, só temos mais perguntas acompanhadas de capciosas respostas... Meu Deus, o que tudo isso significa?
Assustado, de um salto pôs-se de pé; sem aviso prévio dedos flácidos, mas determinados, haviam lhe tocado.
- Vamos! A sombra da noite se aproxima! Se formos alcançados por ela corremos o risco de nos perder pelo caminho!
As palavras do idoso interrompeu abruptamente sua imersão reflexiva. A força melancólica das palavras do ancião, o tocou como uma profecia messiânica. Olhou para o céu, não era mais possível ver o sol, no entanto, o horizonte ardia. Uma espécie de batalha parecia estar sendo travada entre as cores. O azul, que havia dominado o céu ao longo do dia, agora se encontrava meio que encurralado, restrito a uma pequena faixa no oeste; dava a impressão de resistir bravamente à investida do marrom-alaranjado que se formava um pouco acima do já combalido azul. Do outro lado, no leste, subindo detrás das montanhas, uma sombra poderosa surgia para revindicar todo o céu para si. À noite, com todas as suas prerrogativas, em breve se faria sentir. Pensou em Heráclito: a guerra é a mãe de todas as coisas! O universo, com tudo o que nele existe, não tem como declinar desse imperativo. O dia vai para que a noite venha, a juventude precisa ceder espaço à velhice, a morte porá fim à vida...
O idoso já estava distante, não esperou pelo jovem, preferiu deixá-lo com seus pensamentos por mais alguns segundos. - É sempre tão raro que se queira fazer isso à luz do dia. A velhice trás mais e melhores pensamentos; esse é de fato seu único mérito! Sentenciou o velho de si para si, em seguida, concluiu: - a noite clama por uma boa cama, com lençóis limpos e travesseiros macios, onde todos, não importando se velhos ou jovens, podem, com toda calma, refletir sobre os mistérios da vida! - Esse, concluiu com certa satisfação, é um dos motivos pelos quais não devemos temer as sombras da noite.
- Mestre! O jovem o havia alcançado, e agora lhe falava com certa ânsia.
- Lhe seria muito incomodo se... Bem, se em um dia qualquer pudéssemos retomar essa significativa discussão? Eu tenho tantas dúvidas!
O ancião nada lhe respondeu, simplesmente cobriu a cabeça com o capuz do roupão que vestia, sentia frio nas orelhas. Protegido pela fraca luz do crepúsculo e pela ocultação do capuz, seu rosto sustentava um sorriso enigmático; sorriso inacessível para o jovem que o acompanhava tentando acelerar os passos. Andar rápido e pensar ao mesmo tempo; mesmo do alto de sua juventude, não lhe era fácil fazer as duas coisas concomitantemente. Cacau “:¬)


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

TODOS TIVERAM MÃE, SÓ ALGUNS (PRIVILEGIADOS) TIVERAM AMIGOS!

Por: Claudio Fernando Ramos, 02/01/2015. Cacau “:¬)


Ouço, desde a minha mais tenra idade, as pessoas fazerem a cerca do amor materno, os mais efusivos comentários: como amor de mãe não há igual; amor de mãe é para sempre; amor de verdade só existe um: o de mãe; etc, tec, etc...


Bom, ao escrever essas linhas, nesse despretensioso aforismo, nossa intenção não é a de negar, de forma alguma, a incontestável importância desse tipo específico de amar e ser amado; mesmo porque, mal ou bem amados, todos tivemos mãe!


Porém, existe um tipo específico de amor que volta e meia nos chama atenção; sendo mais específico, estamos falando sobre o Amor de Amizade!

Se tentarmos compará-lo (Amor de Amizade) com essa outra forma específica e maravilhosa de amar (Amor Materno), todos (com raras exceções) seremos unânimes em preferir este em detrimento daquele.

Por que somos sempre céleres em fazer isso?

Certamente o laço sanguíneo (de sete a nove meses no interior de alguém), a dependência (física, emocional e psíquica), a educação (formal e informal), a religiosidade (principalmente, não unicamente, o marianismo católico-romano) e as normas sociais (autoridade tutorial) deram suas contribuições.

Todavia, aquilo que serve como legitimação dessa forma de amor (Materno) também pode ser utilizado como argumentação oposta!

Vejamos, se, situação hipotética, o Amor Materno não tivesse a seu favor todos esses expedientes que acima citamos, ele ainda assim, teria a força que tem?

Dificilmente!

É verdade que o Amor de Amizade mais parece um homem forasteiro (a) que chega sem dizer nada e logo ocupa significativo espaço no interior do coração do outro; entretanto, é exatamente isso que o torna interessantíssimo, digno de nota nesse aforismo despretensioso. Ele não possui auxílios, e, pior ainda, é posto à prova o tempo todo: Deus me proteja dos amigos, pois dos inimigos cuido eu; amigo de verdade nunca falha; se ele fosse seu amigo não teria feito isso; amigo de verdade é isso ou aquilo outro; etc, etc, etc.

Como deixamos transparecer no início, não possuímos a pretensão de provar, negar, valorar e desvalorar coisa alguma! Quanto mais amor melhor, sejam eles: maternos, paternos, amizades ou divinos; todos são bem vindos! Só não podemos deixar de render tributo ao Amor de Amizade. Amor esse que sem possuir a maioria dos predicados presentes e tão necessários nas outras formas de amor, consegue elevar-nos da condição de seres singulares e solitários que somos, nos fazendo, gentil e voluntariamente, interagir como se tivéssemos nascidos para sermos um corpo e não um ser.


Por último devemos trazer viva na mente a seguinte sentença: todos têm mãe, só alguns (privilegiados) têm amigos! Cacau “:¬) 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DIA-A-DIA DO CONSUMIDOR

Por: Claudio Fernando Ramos, 16/12/2014. Cacau “:¬)
Sou cliente do Supermercado Nordestão há mais de quinze anos, desde que vim mora nessa linda cidade: Natal. O que mais admiro na rede é a sua variedade e a sempre boa qualidade no setor de hortifruti. Porém, há um sério problema na loja do conjunto Santa Catarina! De tempo em tempo, a exemplo do que faz minha namorada na casa onde moro, os chefes dos setores mudam as coisas de lugar; com isso o cliente sofre para achar as mercadorias. De pessoa autônoma, pois se sabia onde as coisas estavam, passa-se a pessoa dependente: onde está isso e aquilo? Para piorar, não se encontra um repositor disponível para ajudar e nem adianta buscar ajuda nos caixas e empacotadores, por conta das constantes mudanças, eles também não sabem! Afinal, a quem interessa tanta “mudança”? Ao cliente é que não é! Cacau “:¬) 

sábado, 29 de novembro de 2014

ALEGRIA DE “SER” AMERICANO

Por: Claudio Fernando Ramos, 29/11/2014. Cacau “:¬)



Eu deveria estar magoado, futebolisticamente falando, afinal o América do RN não só aplicou uma inusitada goleada no meu Fluzão, em pleno Maraca, mas também o desclassificou da Copa do Brasil. Porém, as piores coisas do mundo são o egoísmo e a ingratidão! Como eu posso, apesar dos pesares, ficar magoado com um time que nesse ano só meu deu alegrias? Não entendeu? Calma, eu explico. Quando o Fluminense veio jogar na Arena das Dunas, pela copa do Brasil, me disseram: seu time não ganha do América aqui (em Natal)! Paguei para ver; resultado: ganhei 72 latas de cerveja. Passado um período de tempo, me disseram: o América F. C não será rebaixado para a série “C” do Campeonato Brasileiro este ano (2014). Paguei novamente para ver; resultado: bom o resultado você já sabe! Como você pode perceber,  no ano corrente o América de Natal deu-me mais alegrias do que tristezas. Amanhã, na casa do meu amigo Aloísio (dono do Barretos Bar), tomarei algumas cervejas relacionadas ao jogo na Arena; na próxima segunda tomarei (no Bar de Carrilho – Mercado na Praia da Redinha) às relacionadas ao rebaixamento. Como é comum aqui no RN, o primeiro se diz torcedor do América e do Vasco ao passo que o segundo, afirma torcer pelo América e pelo Flamengo. Apesar de ser apenas Tricolor das Laranjeiras  eu gostaria de convidar você leitor, para juntos tomarmos essas cervejas, principalmente se fores americano, afinal de contas se não fosse o seu América eu nada teria ganho! Cacau “:¬)

domingo, 23 de novembro de 2014

Como surgiu a Sociologia


A Revolução Francesa (França, 1789) e a Revolução Industrial (Inglaterra, 1780 a 1860) são conhecidas como o cenário para o surgimento da Sociologia. A Europa estava sofrendo grandes mudanças, transformando a vida social da população, dando ênfase no processo de industrialização e urbanização da sociedade Capitalista que ali se implantava. Foram desfeitos alguns costumes e tradições, como a família patriarcal, a servidão e o trabalho manufatureiro, dando início à indústria capitalista.

A importância da Revolução Industrial no surgimento da Sociologia

Com a Revolução Industrial, as localidades devido a um crescimento demográfico significativo, acabavam por não disponibilizar para seus habitantes uma boa infraestrutura. Ao que tange moradias e serviço de saúde, as civilizações deixavam a desejar para aqueles que saiam do campo e vinham tentar a vida na cidade. Um importante crescimento que houve na época, sob um ponto de vista, foi na área de técnicas produtivas e na introdução da máquina a vapor, que proporcionava mais comodidade para os trabalhadores do ramo. Por outro lado, a substituição da energia humana pela energia motriz, das ferramentas pelas máquinas, bem como a produção doméstica pelo sistema fabril, trouxe alguns prejuízos para as famílias que começaram a se encontrar desempregadas. As consequências da rápida industrialização não foram as melhores possíveis, já que aumentos na criminalidade, alcoolismo, violência, prostituição e surtos de epidemias de tifo e cólera foram rapidamente constatados. Estas interferências terminaram por exterminar uma fatia considerável da população.

Já na Revolução Francesa, o objetivo era fazer triunfar os ideais seculares, como liberdade e igualdade sobre a ordem social tradicional, fazendo com que essas idéias se espalhassem pelo mundo. A antiga forma de sociedade (Ancien Regime) foi abolida, promovendo muitas transformações na política, na vida cultural e na economia do país, não havendo mais as instituições  aristocráticas e  tradicionais, possibilitando igualdade entre todos os cidadãos perante a lei. Muitas das explicações baseadas na religião passaram a receber criticas e serem suplantadas por pensamentos racionais e lógicos, radicalmente mudando do modelo teocêntrico (Deus) para o antropocêntrico (Homem).


O surgimento dos primeiros sociólogos

Os primeiros sociólogos procuravam entender o estado de organização da sociedade em formação, sendo o século XVIII muito importante para o surgimento dessa ciência profunda e complexa, a qual é estudada e analisada até os dias de hoje. Todas as transformações que ocorreram na época trouxeram consigo problemas para a vida em comunidade, daí surge a Sociologia e seus pesquisadores para esclarecerem e organizarem as mudanças ocorridas no meio social, juntamente com os processos que interligam os indivíduos em grupos, associações e instituições. O termo Sociologia foi criado por Auguste Comte, em 1838, que pretendia unificar a Psicologia, a Economia e a História, levando em consideração que todos esses assuntos giram em torno do homem e seu comportamento. Mas os fundamentos sociológicos só foram institucionalizados com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber, pensadores renomados que se tornam base para nosso estudo.

http://www.sociologia.com.br/surgimento-da-sociologia/

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Valeu Zumbi!

Por: Claudio Fernando Ramos, 20/11/2014.

Imagem de Zumbi dos Palmares, litoral de Aracaju - SE 2014.
As virtudes e/ ou os vícios nas ações diárias de um homem, não importando quem ou o quê ele seja, só podem ser  plenamente conhecidas se sua origem não for desprezada! Cacau “:¬)

Ouviu-se um grito na “floresta” do nordeste brasileiro, era Zumbi dos Palmares, chamando à liberdade do quilombo, seus filhos desumanizados pelos algozes da existência racial! Ainda hoje, 20 de novembro 2014, é possível ouvir os ecos desse sagrado chamado! Seu chamado insiste em ribombar nas mentes e corações afrodescendentes dessa nação. Por conta disso hoje é feriado!  Não tenho em mente um mero feriado legislativo, refiro-me, antes de tudo, ao feriado das consciências, ao feriado da alma de um povo que não quer, não pode e não deve  se esquecer de sua origem, sua história,  seu valor!  Decido gritar de volta! Meu grito há de superar os vários anos já passados! Transcendendo toda lógica e temporalidade conhecida, esse grito atemporal chegará aos ouvidos dos meus ancestrais que há muito jazem em repouso: Valeu Zumbi; Zumbi valeu! 
Essa é a minha convicção, essa é a minha gratidão, essa é a minha homenagem! Cacau “:¬)

sábado, 25 de outubro de 2014

EGYLE

Por: Claudio Fernando Ramos, 25/10/2014. Cacau “:¬)
Egyle Nascimento, esse é o seu nome. Como é comum na Região Nordeste desse país, ela também recebeu mais um desses nomes inusitados. Passei anos, na condição de seu professor, tentando pronunciar esse nome sem cometer gafes, inútil. Mas uma montadora de automóvel veio ao meu socorro. Sou muitíssimo grato!  Assim que lançaram um determinado modelo, me foi possível, finalmente, pronunciar o nome de minha mais cara aluna sem cometer maiores deslizes. A rigor, o nome da minha amiga (Egyle) não é o mesmo do automóvel (Agile); mas, como se pode perceber, ajudou um bocado. Propagandas de carros, cervejas, bancos e telecomunicações são coisas fartas nas mídias nacional. Pela primeira vez uma delas me trouxe algum beneficio direto.
Brincadeiras à parte, estou aqui para homenagear uma das minhas melhores alunas; esse melhor não está necessariamente relacionado ao rendimento numérico da mesma (notas e médias escolares); mas, principalmente, aos valores e princípios que o seu ser encerra.

Exerço, como alguns já sabem, docência na área da filosofia, omiti intencionalmente o verbo ensinar porque soa estranho demais; segundo Kant, pensador alemão do século XVIII, filosofia não se ensina, quando muito ajudamos as pessoas a filosofarem. E é exatamente isso que essa jovem vem fazendo sem maiores dificuldades nos últimos anos. Platão disse que filosofia não é para todo mundo, se ele está correto, essa deve ser a razão pela qual poucos querem gastar tempo pensando. Contrariando a postura pragmática do populacho, a jovem Egyle deseja, a exemplo dos dogmáticos, encontrar-se com a verdade; mas também não aceita, a exemplo dos céticos, as verdades já estabelecidas. Essa postura simples e significativa, faz toda diferença. Alguém já disse que são as perguntas que movem o mundo e que a filosofia nasce do espanto.

Nasci em uma época em que os jovens se faziam representar; já na década de oitenta, as luzes desse período começaram a se apagar juntamente com os últimos acordes do rock pop Brasil; na década seguinte, a de noventa, os sonhos de uma ex-gloriosa juventude já estavam comprometidos!


Hoje, mesmo não podendo prever o que virá a seguir, o que por hora vislumbro não me traz bons auspícios. Porém, se alguns dos jovens, com quem lido diariamente, desenvolverem pela vida e pelo conhecimento postura semelhante à dessa menina de nome exótico, nem tudo estará perdido! Se assim for, é bem possível que outra primavera, semelhante à de Praga, faça florescer incontáveis jardins no interior dos corações juvenis. Cacau “:¬)