ZN-FILOSÓFICA

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

VOLTA ÀS AULAS 2013




Por: Claudio Fernando Ramos 28/01/2013. Cacau “:¬)



Que todos tenham tido uma excelente férias! Tenham relaxado, passeado, viajado e, antes de tudo, lido alguns livros (esse último item sempre faz muita diferença em sala de aula). Amanhã estarei pela manhã e pela tarde, ministrando aulas no CDF da ZN, caso você seja o meu aluno nesse ano de 2013, aqui vai uma dica: costumo dar conteúdo mesmo no primeiro dia. Por isso, esvazio aquele velho e ultrapassado conceito de que primeiro dia de aula é só para bater papo mesmo. Dez meses nos separam do próximo ENEM (galera dos cursinhos e pré), portanto, o tempo urge. O mesmo se aplica aos meus alunos da Escola Doméstica/Henrique Castriciano (próxima segunda), aos alunos do CDF Via Direta e ao da Deodoro. As férias terminaram galera! Vamos estudar moçada! Estamos juntos! Cacau “:¬) 




O PROFESSOR EDUCADOR

Por: Claudio Fernando Ramos 28/01/2013. Cacau “:¬)




Como fazemos todos os anos, em 2013 vamos ajudar ao máximo! Mas, não se enganem, a cobrança tem que ser proporcional... Caso contrário, o próprio discente (aluno) se queixa. Todavia, o momento educacional não é um momento a ser temido, evitado, ou até mesmo desprezado; ao contrário, deve ser um momento desejado, sonhado e alcançado... Educação não é um caminho, o artigo tem que ser definido: educação é o caminho! É nosso dever ajudar a todos, mesmo os que querem isso menos do que deveriam. É imperioso que se saiba que antes dos Sofistas surgirem pelas ruas de Atenas, vendendo seus conhecimentos de retórica e eloquência, já havia quem o fizesse pelo simples prazer de ensinar, ou seja, ensinavam de graça (Sócrates e Platão). Hoje, nesse nosso mundo capitalista, o dinheiro pode até ser o motivador inicial de uma boa e eficaz docência; mas, com toda a convicção de minha alma, sei que não é ele que por lá mantém, o maior de todos os fomentadores de cidadãos: o Professor Educador. A vocação desse país é crescer. Geograficamente, isso ocorreu no passado, através da representativa contribuição das Bandeiras. Economicamente, isso tem ocorrido no presente, por intermédio das transformações que vêm sendo implementadas nos setores produtivos (agronegócio, principalmente). Mas, intelectual, humanística e eticamente, isso só se efetivará quando a educação formal deixar de parecer um mal para os governam e, um sonho mui distante, para os governados.   Cacau ":¬)




LAÇOS DE TERNURA



(A VERDADE ESTÁ POR DENTRO)

Por Claudio Fernando Ramos 28/01/2013 Cacau ":¬)


LEIA O LIVRO E VEJA O FILME. Cacau ":¬)




Se andas precisando de conselhos para a vida, assista esse filme.Não há garantias de respostas objetivas ao termino da exibição; mas, uma coisa é certa: também não haverá apatia. O filme é de 1983, portanto, não será nada fácil consegui-lo... Tudo vai depender da sua necessidade. Cacau “:¬) 

Já fazia alguns anos que não assistia a esse filme. Zapeando a TV fechada hoje, deparei-me com ele novamente. Fui, assim como da outra vez, conduzido à reflexão. Vivemos na era das descaracterizações! A maioria das coisas que vemos, falamos e ouvimos, com muita facilidade perdem o seu sentido original ou inicial, na mesma velocidade em que os segundos se sucedem em nossa vida. Em plena época da comunicação instantânea, caminhamos a esmo, sem direção. A todo tempo esquecemo-nos de onde viemos e, há muito, perdemos a noção exata de para onde estamos indo. Esse filme, Laços de Ternura, de forma análoga às reflexões dos filósofos, não tem a pretensão de responder, nem resolver os significativos entraves da existência humana. Porém, a forma como os atores (Shirley MacLaine está “soberba”, quanto ao Jack Nicholson, ele dispensa apresentações) e o diretor abordaram o excelente roteiro, sobre o qual o filme está belamente estruturado, certamente ajudará o espectador paciente (em alguns momentos o filme pode causar desconforto aos mais moralistas) e sensível (o filme não é sobre a história de alguém, é sobre as nossas histórias), a encaminhar-se pelas fantásticas e ao mesmo tempo conflituosas, veredas da vida. Cacau “:¬)  

Sinopse do filme: Aurora e Emma vivem os altos e baixos da relação mãe-filha. Enquanto Aurora, mãe protetora e viúva há alguns anos, não aprova o casamento de sua filha, Emma vive o drama de saber que seu marido a trai. Entre desentendimentos e alegrias, Aurora começa a se relacionar com o ex-astronauta Garrett Breedlove, um vizinho paquerador, enquanto Emma descobre que tem câncer. Vencedor de 5 Oscars, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Shirley MacLaine), Melhor Ator Coadjuvante (Jack Nicholson) e Melhor Roteiro Adaptado.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A IDADE DA LOBA



(MULHERES BALZAQUIANAS)

Por: Claudio Fernando Ramos, 26/01/2013. Cacau “:¬)


Após a leitura do texto ouça a música, clicando no link abaixo.


Essa semana ao me dirigir com palavras a uma colega de trabalho, a denominei balzaquiana; como educadora e mulher que é, logo a curiosidade lhe corroeu o pensamento, e ela me arguiu: o que isso significa? Como a discussão em que estávamos envolvidos (vários outros professores também davam suas contribuições) era febril, posterguei a explicação. Agora, nesse instante, bem menos acalorado do que antes, segue a devida resposta ao questionamento: “Balzaquiana ou mulher balzaquiana é uma expressão que surgiu após a publicação do livro A Mulher de Trinta Anos (1831-32) do francês Honoré de Balzac e que se refere às mulheres na casa dos 30 e, atualmente, também às mulheres de 40 anos. Em seu livro, Balzac faz uma apologia às mulheres de mais idade que, emocionalmente amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude - em completa oposição a tradicional figura da moça romântica que nos livros tinham no máximo 20 anos. Sua personagem principal, Júlia d`Àiglemont, é o grande retrato da mulher mal casada, que após anos de infelicidade, ao chegar aos 30 anos e consegue encontrar o amor nos braços de Carlos Vandenesse”.  Wikipédia, a enciclopédia livre





Particularmente, sempre tive declarada inclinação pelas balzaquianas. Mesmo vivendo em uma época em que a juventude, e, todas as prerrogativas a ela relacionadas, ganham cada vez mais importância e herdam cada vez mais espaços nos lugares em que, a rigor, deveria haver isonomia (igual direito), isocracia (igual acesso) e isegoria (igual direito à fala). 


Não há problema algum em se relacionar com mulheres de trinta ou mais. Sem sombra de dúvida, são mais experientes, no sentido mais lato que o termo possa comportar. A ausência da juventude é plenamente compensada por outras aquisições, que foram arroladas ao longo dos anos. A grande questão é como elas chegam aos trinta ou aos quarenta anos. Algumas, por terem se dedicado por completo, a filhos portadores da síndrome de Peter Pan (crescem, mas nunca amadurecem) e, a homens vampiros (sugam toda beleza e juventude até a última gota); chegam a essa fase da vida, como se estivessem chegando ao fim da existência (não há necessidade de exemplos, basta olhar para muitas mulheres/esposas/mães que conhecemos). É certo que enquanto os homens (adolescentes) se divertem com seus games, as meninas se apaixonam; mas, em contra partida, é também verídico que enquanto, a partir dos quarenta anos, muitos homens acontecem,  várias mulheres, prematuramente, se despendem.

Alguém disse em algum lugar, em algum momento, que difícil é construir alguma coisa significativa com o outro (duas pessoas, duas cabeças, dois mundos); porém, muito pior é recomeçar a mesma coisa, depois de muito tempo, com outra pessoa diferente de todas as pessoas anteriores. Acho que quem disse isso fui eu mesmo... Rsrsrsrs... Cacau “:¬)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O INFERNO SÃO OS OUTROS



(Ensaio sobre as vicissitudes humanas) 

Por: Claudio Fernando Ramos – Natal-RN, 25/01/2013. Cacau “:¬)

“Uniu dois mundos em vidas tão separadas
Juntou caminhos, mas separou as estradas”.
(Nana Caymmi: Dois Corações)


A exteriorização de nossas subjetividades. Cacau ":¬)


Se no passado o grande mistério a ser desvendado, residia na impossibilidade de saber o que havia após a, imaginária, linha do horizonte; hoje, essa dificuldade transferiu-se para o espaço. Saber se o universo surgiu ou foi criado; se é finito ou infinito; se está em provável expansão ou em improvável retração; se nele existem água, vida e inteligência, além do que já conhecemos no interior do planeta terra, constitui incógnitas ainda insolúveis. Porém, essas proposições não devem ser essencialmente encaradas como problemas, mas, sim, como desafios propostos a arguta curiosidade humana. Desafios que, em um futuro próximo ou distante, podem vir ou não a serem desvendados. Problemas, de fato, temos quando o assunto é: como ser bem sucedido nas relações humanas?

Internamente somos, posivelmente, tão vastos como o universo. Cacau ":¬)


Por mais explicito, extenso, prolixo e profundo que se apresentem, não há livros, artigos, ensaios, teses...; que possam em um só fôlego ou mais, esgotar o assunto (os livros de autoajuda bem que tentam). Sabedores dessa verdade, pretendemos ao longo de vários ensaios como este, prestar, na medida do possível, algumas humildes contribuições ao tema; tendo como objetivo a minimização dos inevitáveis conflitos pessoais e, se possível, o enriquecimento, desse insondável universo da subjetividade humana. 


Uma doença deve sempre ser encarada como algo que deva ser extirpada, e não o seu contrário, ou seja, nutrida, preservada, acalentada.


A liberdade vem se constituindo, ao longo dos séculos, em uma das mais caras aquisições da humanidade. Não nos referimos à liberdade no sentido  filosófico do termo, àquela liberdade que o filósofo francês J. P. Sartre afirma, categoricamente, que todos nós temos, independentemente de qualquer contexto social, histórico e político. Nem à liberdade que T. Hobbes e J. J. Rousseau, afirmam ter existido quando os homens ainda viviam em um hipotético estado de natureza. Quando nos referimos à liberdade, o fazemos  na mesma perspectiva das pessoas do senso comum, ou seja, da forma mais pragmática possível. 


Não é incoerente presumir, que o motivo e a razão pela qual as pessoas se procuram, em diversos momentos da vida, sob as mais variadas formas, levando-as a ocuparem-se diariamente, com maior ou menor intensidade, uma das outras; seja, em última instância, a constante busca da felicidade. Se as coisas são assim de fato, nossas premissas iniciais nos conduzirão a uma conclusão inevitável: não há felicidade possível se, no mesmo contexto, houver deliberada  supressão da liberdade. Se faz parte do nosso projeto estar ao lado do outro e, concomitantemente, existe o desejo de que o outro também queira o mesmo de nós; se a esse fator decisivo for acrescentado: qualidades mil, profundidade e integralidade; não devemos ignorar que a concretização desse desejo só se tornará exequível se a espontaneidade, e, não a imposição, for tomada como paradigma fundamental das humanas relações. A espontaneidade, consequência direta da liberdade, empresta, sem melindres algum, substancial qualidade a qualquer tipo de relação que tenha como finalidade última, o bem comum. Até mesmo àquelas relações formais onde, por conta da hierarquia presente, as pessoas são mantidas relativamente afastadas (líderes e liderados de forma geral), não fogem à regra.


Levando tudo isso em consideração, surgem-nos perguntas: por que muitas pessoas no afã de ser e de ter o outro intimamente, temerariamente, abre mão, sem reserva alguma, da conquista mais cara de toda a história da humanidade? Por que o nefando pensamento de que a manutenção de qualquer resquício de liberdade, privacidade, autonomia e consciência de si, se mantém,  como potencial ameaça  para qualquer possibilidade de amizade, paixão, amor e credo religioso (havendo um rigor bem maior para as duas últimas situações)? 


Não são poucas as amigas e amigos que desabafam sobre o fato de terem suas vidas esmiuçadas ao máximo; sofrem acusações infundadas sobre pretensas traições; suportam o constrangimento de terem que produzir ininterruptas provas dos sentimentos que sabem possuir...


De um jeito ou de outro, muito mais pela intuição do que pela razão, todos nós sabemos como esses problemas começam; sabemos também sobre as múltiplas formas como eles se processam e, inevitavelmente, como a maioria terminam (ver: Regra Três, música de Vinícius de Morais no fim do texto). Todavia, desconhecemos à solução definitiva, quer seja para esse ou para qualquer outro tipo de problema de ordem emocional. Fugir das relações para não ter conflitos, problemas e frustrações, é o mesmo que colocar-se em um extremo. Os extremos, sejam eles quais forem, são, invariavelmente, perigosos. Nesses casos, fica valendo o ditado: “O remendo  saiu pior que a rotura”. 


A reflexão surge como possibilidade de compreensão relativa da dificuldade existencial do homem (a compreensão absoluta é quase impossível). Pensar e repensar valores. Defender e abrir mão de determinados princípios. Não oferecer tudo, para que amanhã não se descubra sem ter como, nem o quê negociar (lembre-se da fábula: O Pulo do Gato). Ser “econômico” no sorriso dos bons momentos, para que não restem somente lágrimas para os difíceis. Tudo isso surge como promissoras possibilidades, não como definitivas soluções. 

"O inferno são os outros", pensamento do filósofo Sartre. Cacau ":¬)



Identificada à doença, resta saber, com precisão, quem são os hospedeiros. Seriam aqueles que fazem do controle do outro suas marcas registradas? O, ao contrário, a única responsabilidade dessa mazela emocional, deve recair, tão somente, sobre os ombros daqueles que, inconsequentemente, se submetem a esse estado de coisa? Ou, a exemplo do que dizem os religiosos cristãos, diante desse tipo de “pecado” não há inocentes? Cacau “:¬)  
          
Regra Três
Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Geração Y

(Ensaio sobre os novos tempos)

Por: Claudio Fernando Ramos – Natal-RN, 16/01/2013. Cacau “:¬)



Segundo alguns sociólogos a Geração Y, também chamada geração do milénio ou geração da Internet, se refere aos jovens nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela Geração Z.



Vivemos na fase da comunicação instantânea, esse é um fato inconteste. Tudo ficou mais fácil. Para os que já eram gente na década de oitenta, é doloroso recordar como foi complicado fazer uma simples ligação telefônica, principalmente se fosse de um orelhão. Já na década de noventa, possuir um telefone celular era prerrogativa de poucos... Hoje, modernos e tecnológicos que somos, nossos jovens nem se divertem mais ao vivo, tudo é virtual, ganhasse e perdesse amigos com o apertar de uma tecla. Admirável mundo novo! 



Mas se as novas tecnologias facilitam a nossa vida, dando a ela uma dinâmica nunca antes imaginada, nem tudo são flores. Comunicar-se ficou muito mais fácil, mas será que o mesmo pode ser dito sobre a compreensão das mensagens? Meu trabalho me coloca na presença de jovens diariamente, falo com eles, falo para eles e também tenho que ouvi-los. Percebo fenômenos interessantes nessa lida diária: 1 – dificilmente seus discursos têm aquelas três partes tão conhecidas de todos nós – princípio, meio e fim; 2 – todo início de sentença é sempre precedido por chavões – “tipo assim...”, sabe como é...!?, nossa... cara... é muito demais!, meio que...; 3 – há um generalizado desconhecimento do valor e importância dos conceitos – para a esmagadora maioria um conceito nada conceitua; 4 – princípios elementares da lógica são deixados à beira do caminho: a) principio da não contradição - uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo; b) principio do terceiro excluído - uma alternativa só pode ser verdadeira ou falsa; c) princípio da identidade - A é A; e por fim: d) o princípio de razão suficiente ou razão determinante - esse princípio enuncia que nada é sem que haja uma razão para que seja ou sem que haja uma razão que explique o que seja. 



Tudo isso pode parecer um tanto quanto inverosímel ou até mesmo preciosismo de minha parte, talvez alguns me taxem até de reacionário ou anacrônico, mas antes de corroborar esses pensamentos, seria interessante levar em conta algumas perguntas que não querem calar: 1) por que na última redação do ENEM houve tantas provas em branco e provas zeradas (147 mil, juntado as duas situações)? 2 – por que o mercado sofre tanto em busca de mão de obra qualificada e não consegue? 3 – por que as nossas faculdades formam tantos mais informam tão poucos (as provas da OAB e os erros médicos que o digam)? 4 – por que no ensino médio temos que lidar com provar de recuperação trimestral, provas finais e conselhos de classe (há muito tempo passar de ano nas escolas brasileiras deixou de ser somente consequência do mérito)? Tudo isso sem esquecer a sistemática despolitização a que os jovens então sujeitos; encharcados de dancinhas, modinhas e futilidades mil, não resta espaço algum para a tomada de consciência. Empreendimento necessário, porém, quase sempre trabalhoso e na maioria das vezes não prazeroso. 

No passado, as pessoas dos países chamados subdesenvolvidos iam para o norte (primeiro mundo) fazer o trabalho inferior que os cidadãos dos países ricos não queriam fazer; hoje vemos o contrário radical: pessoas de países centrais vêm aos países periféricos e emergentes para fazer o trabalho intelectual que não somos capazes de realizar. Acho que devo parar por aqui, caso contrário o texto ficará longo por demais e, assim sendo, dificilmente ele será lido por algum de meus antenados e informados amigos virtuais. Tá ligado? Caca “:¬) Rsrsrsrs...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ESTAMOS CRIANDO UM EXÉRCITO DE ASNOS



Por REGIS TADEU  Regis Tadeu
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/estamos-criando-um-ex%C3%A9rcito-asnos-141417385.html



Até que demorou a acontecer...
Já faz muito tempo que venho tendo uma postura absolutamente intolerante com todas as pessoas – incluindo meus fiéis leitores aqui do blog e de minhas redes sociais – que escrevem errado. Não, não me refiro a pessoas que cometem um ou outro erro de digitação, e sim a todos aqueles que escrevem errado por problemas de alfabetização. Faço questão de corrigir todo mundo, muitas vezes de modo sarcástico, justamente para que estas pessoas não venham a ser prejudicadas no futuro, seja em suas carreiras profissionais ou em seus respectivos cotidianos domésticos.
E é justamente o que está acontecendo agora...
Uma imensa parcela dos estudantes que foram muito mal na prova de Redação do último Enem está exigindo uma revisão de seus textos. Até aí, nada contra. Acho que o estudante tem todo o direito de saber onde errou. Há uma série de petições espalhadas pela internet colhendo assinaturas para que seja feita uma representação ao Ministério Público Federal. Se não me engano, uma estudante carioca conseguiu na Justiça o direito de ver a sua redação corrigida. O problema é que esta turma não se conforma – ou não quer acreditar – que tenha ido mal e quer que as notas sejam modificadas. Aí não, né?
Segundo dados do próprio Exame Nacional de Ensino Médio, foram avaliadas mais de quatro milhões de redações no exame de 2012. Deste montante, acredite se quiser, cerca de 75 mil foram entregues em branco! Em branco!!!! Ou seja, o aluno sequer tentou escrever algo a respeito do tema proposto – no caso, “A imigração para o Brasil no século 21” – ou, pior, sequer teve noção daquilo que foi pedido. Uma catástrofe total!
Só que as notícias ruins não param por aqui. Além das redações “em branco”, cerca de 72 mil foram anuladas por não obedecerem aos requisitos pré-estabelecidos, como o de escrever sete linhas de texto – sim, míseras SETE linhas!
Volto a escrever que não há qualquer problema em um aluno saber quais os erros que cometeu. Isto é justo. Só que a questão reside em um ponto muito mais delicado, espinhoso e, por isto mesmo, necessário de apertar: estamos criando uma geração inteira de analfabetos funcionais, que até sabem ler, mas não compreendem o significado das palavras, não consegue interpretar um texto e muito menos elaborar um pensamento coerente em forma de sentenças.
Infelizmente, a juventude brasileira é o retrato fiel do descaso com que a Educação vem sendo tratada ao longo dos anos em nosso País. Ninguém sabe nada. Ninguém consegue interpretar fatos, coletar informações, compreender as circunstâncias, selecionar ideias e oferecer um argumento plausível que venha a sustentar uma opinião. Ninguém consegue sequer pensar por si mesmo...
Sempre que corrijo os erros de meus leitores, a maioria vem com a seguinte desculpa esfarrapada: “não preciso escrever certo (sic) na internet; quando precisar, escrevo certo; aqui é lugar de escrever fácil (sic)”. Pois, toda vez que retruquei dizendo que se você se acostuma a escrever errado, vai continuar fazendo isto em sua vida justamente pelo hábito de cometer estes erros constantemente, fui recebido com grosserias e desprezo. Agora, por ocasião das redações do Enem, as pessoas estão percebendo como o buraco é mais embaixo...
E não pense que estou botando toda a culpa por esta situação nas imbecilidades que as pessoas cometem nos “facebooks” e “twitters” da vida. Infelizmente, tantos as escolas e faculdades quanto o mercado de trabalho em geral preferem ter em suas fileiras gente burrinha e obediente, que não tenha autonomia de pensamento, que saiba apenas decorar aquilo que lhe imposto, sem questionamentos. Com isto, a última coisa que alguém consegue é desenvolver a sua capacidade de raciocínio.
Pense nisto na hora de deixar o seu filho escrever e ler o que bem entender por aí...