ZN-FILOSÓFICA

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Positivismo de Auguste Comte

POSITIVISMO
Ordem, progresso e a ciência como religião da humanidade



                                            Auguste Comte, o fundador do positivismo

A palavra positivismo foi empregada pela primeira vez pelo filósofo francês Claude Saint-Simon - um dos chamados socialistas românticos - para designar o método exato das ciências e a possibilidade de sua extensão à filosofia. Mais tarde, o politécnico Auguste Comte (1798-1857), que foi seu secretário, utilizou a expressão para designar a sua filosofia, que teve grande expressão no mundo ocidental durante a segunda metade do século 19 (estendendo-se no Brasil à primeira metade do século 20).

O positivismo acompanhou e estimulou a organização técnico-industrial da sociedade moderna e fez uma exaltação otimista do industrialismo. Nesse sentido, pode-se compreendê-lo como produto da sociedade técnico-industrial que, ao mesmo tempo, a leva esta mesma sociedade a desenvolver-se e consolidar-se.

Basicamente, a característica essencial ao positivismo, tal qual o concebeu Comte, é a devoção à ciência, vista como único guia da vida individual e social, única moral e única religião possível. Desse modo, em última análise, o positivismo é compreendido como a "religião da humanidade".

Curso de filosofia positiva

A partir da ciência - e de uma ciência social ou sociologia, da qual Comte é um fundador -, o filósofo propunha reformular a sociedade para que se obtivesse ordem e progresso. Note-se, porém, que isso implica a criação de uma ciência social, pois só é possível reformular ou transformar aquilo que conhecemos.

A obra fundamental de Comte é o "Curso de Filosofia Positiva", livro escrito entre 1830 e 1842, a partir de 60 aulas dadas publicamente pelo filósofo, a partir de 1826. É na primeira delas que Comte formulou a "lei dos três estados" da evolução humana:

• o estado teológico, em que a humanidade vê o mundo e se organiza a partir dos mitos e das crenças religiosas;

• o estado metafísico, baseado na descrença em um Deus todo-poderoso, mas também em conhecimentos sem fundamentação científica;

• o estado positivo, marcado pelo triunfo da ciência, que seria capaz de compreender toda e qualquer manifestação natural e humana.

Passados mais de 150 anos da publicação do "Curso", talvez não fosse necessário dizer que é inerente ao positivismo uma romantização da ciência, romantização esta que atribuiu ao conhecimento científico uma onipotência não comprovada pela realidade. Atualmente, sabe-se que a ciência não só resolve problemas, como também os cria: veja-se como um exemplo a interferência danosa do desenvolvimento industrial no meio ambiente.

Positivismo no Brasil

Conhecer o positivismo, contudo, é particularmente importante aos brasileiros, devido à grande influência que esta escola filosófica exerceu no país na virada dos séculos 19 e 20. Se o leitor foi atento, percebeu que o objetivo da filosofia de Comte é a ordem e o progresso, lema inscrito na bandeira brasileira adotada após a proclamação da República.

As idéias de Comte, em especial através dos pensadores Miguel Lemos (1854-1917), Teixeira Mendes (1855-1927) e do militar Benjamin Constant (1836-1891), se impuseram aos círculos republicanos brasileiros, contribuindo para nortear a nova ordem social republicana, em especial nos governos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. 

 http://www.youtube.com/watch?v=WJrFGrVQjf4&feature=related

 (O link acima te levará para um vídeo sobre o Positivismo no You Tube)


http://educacao.uol.com.br/filosofia/positivismo-ordem-progresso-e-a-ciencia-como-religiao-da-humanidade.jhtm





ANARQUISMO




                                Bakunin sistematizou princípios que comporiam a ideologia anarquista

A palavra anarquismo tem origem no termo grego ánarkhos, cujo significado é, aproximadamente, "sem governo". O anarquismo é freqüentemente apontado como uma ideologia negadora dos valores sociais e políticos prevalecentes no mundo moderno: o Estado laico, a lei, a ordem, a religião, a propriedade privada etc.






De fato, como ideologia libertária e profundamente individualista, o anarquismo defende a ruptura com todas as formas de autoridade política e religiosa, a propriedade privada e quaisquer outros tipos de normas institucionais que cerceiem a liberdade do indivíduo em sociedade e na esfera da vida privada.


Anarquismo e comunidade fraterna


As doutrinas de inspiração anarquista defendem a idéia de que a supressão de todas as formas de dominação e opressão vigentes na sociedade moderna daria lugar a uma comunidade mais fraterna e igualitária. Mas a igualdade e a solidariedade comunitária seriam resultados de um esforço individual a partir de um árduo trabalho de conscientização.






Os movimentos anarquistas do século 20 promoveram a criação de núcleos comunitários denominados de "ateneus", para onde eram encaminhados os adeptos desta ideologia e que servia de aprendizagem e aperfeiçoamento intelectual. No Brasil, a primeira experiência desse tipo foi a criação da Colônia Cecília, em 1890, que foi dirigida por imigrantes italianos.


Origens do anarquismo


Não há consenso entre os historiadores sobre as origens da ideologia anarquista. Mas é possível afirmar que alguns pensadores e teóricos, como o inglês William Godwin, que em 1793 publicou o livro "Enquiry Concerning Political Justice" (cuja tradução é Indagação relativa à justiça política), o francês Pierre-Joseph Proudhon, que em 1840 publicou "Qu'est-ce que la propriété?" (cuja tradução é Que é a propriedade?), e o alemão Max Stirner, que publicou "Der Einzige und sein Eigentum" (cuja tradução é O indivíduo e sua propriedade), influenciaram decisivamente o conteúdo da ideologia anarquista.






O anarquismo influenciou importantes movimentos sociais no transcurso do século 19 até a metade do século 20.


Movimentos anarquistas


A crítica da propriedade privada e do Estado burguês feita pelos ideólogos anarquistas resultou no desenvolvimento do trabalho de conscientização e mobilização das massas proletárias (ou seja, o operariado). Em muitos aspectos, a ideologia anarquista se assemelhava à ideologia socialista - principalmente no tocante a luta de classes, a defesa das classes oprimidas, a crítica da propriedade privada, da sociedade e do Estado burguês. Por conta disso, durante décadas os anarquistas e os comunistas se aliaram na organização dos movimentos revolucionários.






Na Europa do século 19, destacou-se o trabalho do intelectual e revolucionário russo Mikhail Bakunin, responsável pela sistematização de muitos princípios, idéias e valores que vão compor a ideologia anarquista. Bakunin inspirou inúmeros movimentos anarquistas por todo o continente.


Anarquismo no Brasil


No Brasil, a ideologia anarquista foi introduzida pelos imigrantes europeus, principalmente os italianos e espanhóis. Os anarquistas foram os responsáveis pela organização dos primeiros movimentos operários e sindicatos trabalhistas autônomos. Eles lideraram as greves de 1917, 1918 e 1919, ocorridas em São Paulo e no Rio de Janeiro.






Entre os militantes anarquistas brasileiros, destacam-se o jornalista Edgard Leuenroth, o filólogo e professor José Oiticica e o intelectual Neno Vasco. A partir da década de 1920, os anarquistas progressivamente se afastam dos socialistas e, cada vez mais, perdem influência social e política. Após a Segunda Guerra Mundial, a ideologia anarquista entra em declínio em praticamente todos os países.




http://educacao.uol.com.br/sociologia/anarquismo-origens-da-ideologia-anarquista.jhtm

domingo, 26 de fevereiro de 2012

JÁ PASSOU DA HORA DA REEDUCAÇÃO DE ALGUÉM



(Itália quer anular isenção tributária da Igreja Católica)



Por: Claudio Fernando Ramos 26/02/2012


Já não era sem tempo. “É chegada a hora da reeducação de alguém, do Pai, do Filho, do Espírito Santo amém...” Caetano, V. O estrangeiro.

Caetano Veloso

 Em um Estado que se diz laico, como é o caso não só da Itália, mas o da maioria das Repúblicas Modernas (inclusive o Brasil), as instituições que se dizem filantrópicas, e nesse caso em especial as igrejas cristãs, a muito perderam essa característica, se é que algum dia a tiveram. Movimentam quantias volumosas, expandindo seus negócios para as mais diversas áreas da economia, aferindo daí lucros exorbitantes. De posse desses lucros se estabelecem, principalmente, na grande mídia (a propaganda é a alma do negócio) aumentando, incomensuravelmente, seu séquito de fies e simpatizantes. Uns dirão: elas falam do amor de Deus, portanto, semeiam a paz, a fé e a salvação da alma ; eu vos direi: alegando possuir uma procuração divina, falam do seu próprio amor. Ao longo dos séculos, esse amor personalizado (denominações), pode até ter ajudado alguns milhares (isso é fato), mas também, jamais deixo de semear o sectarismo, o legalismo e a hipocrisia (isso também é fato). No século XVI, o maior erudito do Renascimento se expressou dessa maneira em sua obra mais famosa: “É curioso verificar que cada país se gaba de ter no céu um protetor, um anjo tutelar, de forma que, num mesmo povo, entre esses grandes e poderosos senhores da corte celeste, se encontrem as diversas incumbências do protetorado. Um cura dor de dentes, outro assiste ao parto das mulheres; aquele faz achar os objetos perdidos, este vela pela segurança e prosperidade do gado; uns salva os náufragos, outro confere a vitória nos combates. Suprimo o resto, porque será um nunca mais acabar.” E a Loucura do autor, que nessa obra fala em primeira pessoa, conclui: “Além desses, existem outros santos que gozam de um crédito e um poder universais, encontrando-se entre estes, em primeiro lugar, a mãe de Deus, a quem o vulgo atribui poder maior do que o do seu próprio filho. Ora as graças que os homens pedem aos santos não serão, talvez, insinuadas também pela loucura?” Rotterdam, E. O Elogio da Loucura.



Que as religiões, sem exceções, trazem variados benefícios à sociedade, isso deve ser reconhecido, valorizado e motivado. Porém, o cidadão, quando cidadão de fato, também faz o mesmo (guardada as devidas diferenças), mas nem por isso está isento de suas responsabilidades ante as exigências do Estado. Jesus, para não ser motivo de escândalo, pagou imposto ao Império Romano (Mateus 17.24-27), todo cristão esclarecido sabe dessa verdade, mas preferem continuar usufruindo de um benefício que pode até ser um direito, mas jamais foi ou será justo.

Dilma Rousseff


Para a casta política (que também vive de regalias), religião é tabu. Nossa atual líder de governo teve que capitular ante este inexorável poder institucional (na época da campanha presidencial, Dilma foi implacavelmente arguida, principalmente pela igreja, sobre sua “simpatia” pela flexibilização da lei contra o aborto); mesmo o aborto sendo um problema de saúde pública, portanto, uma questão de Estado; no Brasil, nesse e em outros quesitos, quem ditam as regras são as igrejas. Isso não constitui nenhuma novidade. Desde a Antiguidade, os monarcas alinhavam-se com os sacerdotes. Juntos, o poder secular e o espiritual tornavam-se irresistível para as pessoas comuns. Mas, como podemos ver, as coisas estão mudando. Já no início da modernidade os homens do Renascimento, rompendo com os dogmas obscurantistas, mas sem romper com a fé, provaram que o homem é capaz de muitas coisas boas (principalmente os avanços científicos), não por desprezarem a Deus, mas, exatamente, por serem suas criaturas. “Que obra prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Que capacidade infinita! Como é preciso e bem-feito em forma e movimento! Um anjo na ação! Um deus no entendimento, paradigma dos animais, maravilha do mundo.” Shakespeare, W Hamlet, p. 51



Caso alguém se insurja, falando em nome de Deus, para que as coisas continuem tal como estão, ou seja, mil e uma formas de arrecadação e nenhuma ou pouquíssima forma de prestação de contas; identificando uma possível mudança como sendo aborrecível e vilipendiante para com Deus, temo que estejam, inconscientemente talvez, falando de um outro deus. Cacau :¬)






Itália vai cancelar isenção tributária da Igreja




ROMA, 24 Fev (Reuters) - O governo italiano anunciou nesta sexta-feira medidas destinadas a acabar com as isenções tributárias para propriedades comerciais pertencentes à Igreja Católica, o que deve resultar numa arrecadação adicional de até 600 milhões de euros.
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, incluiu essa medida, que afeta também outras organizações não-lucrativas, em um pacote mais amplo de desregulamentação que atualmente tramita no Parlamento da Itália.
A Igreja é dona de muitos hospitais, hotéis e pensões, que gozam de isenção tributária por serem parcialmente ocupados por freiras e padres, ou por terem uma capela. A nova lei elimina essa brecha, que isentava de impostos muitos estabelecimentos predominantemente comerciais.
Em dezembro, Monti pediu aos italianos que fizessem sacrifícios para salvar o país da crise da dívida na zona do euro. Em 48 horas depois da aprovação do pacote, mais de 130 mil pessoas aderiram a uma petição pela Internet exigindo o fim dos privilégios tributários para a Igreja.
O pacote deve ser votado na semana que vem pelo Senado e deverá, depois, seguir para a Câmara.
(Reportagem de Steve Scherer)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Procrastinação é um distúrbio crônico e prejudicial, mas fácil de ser vencido

Por Alessandro Vianna, especial para o Yahoo! Brasil


          As Imagens foram postadas por Claudio F. Ramos, não fazem parte do texto originariamente

Procrastinar é algo de que pouco se fala, mas que muito se faz. Embora "embromação" possa ser um de seus quase sinônimos populares, a procrastinação vai um pouco além disso. É um comportamento crônico nocivo, embora muito comum.

É aquele hábito de deixar tudo para depois: uma tarefa "chata", os estudos, o regime alimentar, as práticas físicas, o abandono de um vício, passar a economizar – coisas que sabemos que precisamos fazer, mas que, por inúmeras razões, ficamos adiando; muitas vezes nos enganando com desculpas frágeis e, não raro, falsas.

O procrastinador é alguém faz várias coisas ao mesmo tempo, exatamente para não fazer aquilo que realmente deve ser feito. Quando pensa no que de fato tem de fazer, sente-se preso e sem reação.


As consequências não raro são danosas, especialmente a longo prazo, quando, olhando pra trás, se percebe quanto tempo foi jogado fora por falta de ação objetiva.



Ao deixar de cumprir certas obrigações, decepcionamos alguém e perdemos credibilidade e oportunidades. Isso se percebe claramente na vida conjugal, no convívio familiar e na carreira profissional. Depois ficamos observando a trajetória de outras pessoas, que entraram em forma, ganharam conhecimentos e avançaram profissionalmente.



Quando vejo pessoas querendo empreender grandes mudanças de imediato, sei que estou diante de um procrastinador, porque ele fica inativo por muito tempo e, depois que percebe nos outros o quanto não evoluiu, resolve mudar tudo de uma vez.


É óbvio que não vai conseguir, porque as nossas grandes realizações são conquistadas aos poucos.


Desse modo, novamente derrotada, essa pessoa tende a desanimar e voltar a procrastinar novamente, repetindo um ciclo fadado à infelicidade.



Enquanto procrastina, a pessoa vai absorvendo estresse por uma oculta sensação de culpa, sentindo a sua perda de produtividade e cultivando vergonha em relação aos demais, por não conseguir cumprir seus compromissos.


A formação de um “enrolador” muitas vezes começa na infância. Crianças podem tornar-se procrastinadoras no futuro por conta do tratamento que recebem dos adultos. Daí a conveniência de revermos constantemente as nossas crenças, para nos livrarmos de influências negativas que adquirimos ao longo da vida.


Duas das vertentes mais clássicas são:


- A criança extremamente protegida, condicionada a achar que sempre alguém fará por ela. Quando adulta, ela tenderá, inconscientemente, a sentir-se insegura para agir, por não ter alguém auxiliando-a.



- A criança que é exageradamente cobrada. Ela pode desenvolver a característica do perfeccionismo. Assim, ela tende à procrastinação por acreditar que, mesmo se dedicando, não conseguirá realizar as coisas de modo primoroso – e acaba postergando tudo o que acha importante.


Tratamento
A procrastinação crônica é quase sempre associada a alguma disfunção psicológica ou fisiológica. Portanto, é passível de tratamento.


Quando recebo pacientes procrastinadores, incluo no tratamento algumas recomendações que ajudam muito a livrá-los dessa anomalia. Eis algumas:


- Reconheça, quando está enrolando, que pode haver mais dor em procrastinar do que em realizar a tarefa. Muita coisa é menos complicada do que parece ser.


- Não deixe aquele afazer chato por último, para que ele não se torne urgente e o apavore ainda mais.


- Experimente a sensação de alívio e o fortalecimento da auto-estima após concluir uma tarefa e perceba que livrou-se dela de maneira positiva, enfrentando-a.


- Para encorajar-se, pense no que vai deixar de ganhar ou no que pode perder caso não realize essa atividade. Se puder escrevê-las e avaliá-las seriamente, melhor.


- Se a tarefa for muito trabalhosa, divida-a em partes e vá realizando uma a uma, com um pequeno intervalo entre elas, e comemorando (sim!) a última concluída.


- Abra-se para o novo, deixando de agarrar-se às velhas experiências e crenças. O passado não volta mais; o presente é continuamente feito de novos desafios e o futuro é construído passo a passo pelas ações do presente.


- Quando perceber que está querendo procrastinar de novo, proponha-se a atuar por apenas alguns minutos na ação que está tentando evitar. Pode ser que você perceba que não é tão desagradável quanto pensava e venha a vencê-la (touché!).


- Caso lhe seja por demais desagradável, dê-se uma pausa e passe a fazer algo útil (não pare de agir), mas determine quando voltará ao assunto pendente.


A principal vitória é vencer a procrastinação em si. Trata-se de uma vitória para a vida inteira, como a daquela criança que um dia perde o medo do escuro.