ZN-FILOSÓFICA

segunda-feira, 28 de maio de 2012


Arquivo Vivo: a hora e a vez dos Radicais Livres.

Por: Claudio Fernando Ramos Natal-RN, Maio 2012 

(Quimicamente falando, Radicais Livres são átomos ou moléculas que possuem número ímpar de elétrons, o que possibilita provocar reações químicas mais facilmente)

                               O Grupo Arquivo Vivo (Os Radicais Livres)


As pessoas com quem falo gostam de estereótipos. Duas palavras são frequentadoras assíduas de seus exíguos vocabulários; quando falam de seus gostos musicais, mecanicamente, denominam-se: ecléticos; mas, quando são arguidos pela qualidade duvidosa dessas mesmas músicas, defendem-se chamando seus interlocutores de radicais. Mesmo correndo o risco de parecer arrogante tenho que dizer: a maioria desconhece o significado mais lato desses termos. Para não ter que descer aos detalhes, isso seria um não mais terminar, proponho uma substituição; ao invés de ecléticos deveriam auto rotularem-se: modistas (não os vejo ouvindo nada além do que a mídia pressupõe ser o melhor) e ao invés de radicais, deveriam chamar os que questionam de tradicionais (não só porque não querem de tudo fazer ouvir, mas, principalmente, porque podem e sabem escolher o que ouvir, o que tocar). Isso, falo agora somente para os amantes de estereótipos, chama-se volição, ou seja, qualquer ato em que há a determinação da vontade.


A banda Arquivo Vivo, a exemplo de alguns átomos e moléculas radicais, vem, desde a sua fundação, provocando reações em cadeia (para a alegria de muitos e desespero de uns pobres diabos). Na condição de “a mais radical das bandas” vem ganhando admiração e elogios no mais importante dos palcos: o coração dos sambistas de verdade.


Um esgotado e abandonado reduto da boemia do Natal tem renascido das cinzas do descaso todas às noites de quinta-feira. No Beco da Lama, gratuitamente, uma pequena e heterogênea multidão podem viver o mais democrático dos momentos: ouvir, cantar e tocar samba.


Apareça por lá e contemplaras os verdadeiros ecléticos ouvindo: Tom, Vinícius, Toquinho, Cartola, Dona Ivone, Nelson Sargento, Candeia, Chico, João Nogueira, MPB4, João Bosco...
Apareça por lá e vislumbre os amantes da boa música esbanjando arrebatadora alegria.
Você pode até discordar, mas eu afirmo: é só na liberdade dos radicais que se pode esperar reações que provoquem as tão sonhadas e aguardadas mudanças verdadeiras. Cacau “:¬)
    

segunda-feira, 21 de maio de 2012





Música para quê?

Por: Claudio Fernando Ramos Natal-RN, Maio 2012  Cacau ":¬)


                                          Herrera, jogador argentino do Botafogo do Rio.



(O filósofo francês Sartre disse: O homem está condenado a ser livre! Será mesmo?)

Parabéns para o Herrera (Argentino)! Como ele só vi mais dois jogadores, que na sua grande maioria são uns sem noções, terem opiniões formadas, ou seja, não se deixarem dominar por essas pantomimas televisivas: Louco Abreu do Uruguai e Dejan Petkovic da Sérvia. Os atletas, na sua grande maioria, esmeram-se por: chutar bolas na trave para ganhar risonhos bonecos de plásticos; ensaiam coreografias ao som de pagodeiros e duplas sertanejas, com a finalidade de dar significado a descartáveis e insípidas canções; dedicam-se a marcar um mínimo de três gols, para desfrutar do “incomensurável” prazer de pedir a música de sua escolha na Revista Eletrônica Dominical e por aí vai (que dureza!). A ironia sofrida pelo atleta argentino no programa dominical da emissora e a descabida crítica feita pelo jornalista, inconformado talvez pela declinação ao vivo do jogador, em um site de relacionamento; demonstra bem a mentalidade da rede de TV, que quase sempre mantém, com relação a quase tudo nesse país, ares de imperadora. Quem constantemente diz defender e ter defendido a liberdade e a democracia nesse país de caudilhos, deveria saber estender esses benefícios aos outros sem distinções. Mesmo o atleta não tendo escolhido música alguma (Herrera), lhe indicaram uma, não sem antes destilar o sarcasmo característico dos poderosos contrariados. O esporte brasileiro que, salvo em algumas modalidades, há muito tempo anda de bengalas, necessita de muito mais do que essas tristes comédias dominicais. Aplausos à lucidez dos jogadores estrangeiros; quanto aos atletas brasileiros, penso que já passou da hora de deixarem de ser bobos da corte. Cacau “:¬)

                                    Imagens do uruguaio Louco Abreu e do sérvio Petkovic.

 Cacau  “:¬)