ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vozes do Samba em Natal



Por: Claudio Fernando Ramos – Dezembro 2012 

Quarteto Linha, Arquivo Vivo, Brisas do Tempo, Madureira, Debinha, Pires, Jr. Farmácia...

Quarteto Linha, a griff do samba em Natal. Cacau ":¬)
É verdadeiro afirmar que o samba, enquanto elemento de expressão cultura, não tem tido, desde a sua mais remota origem, vida fácil. De cara, teve que aprender a conviver e superar um robusto e inexorável preconceito.
Diziam alguns: -  Coisas de negros que não procuram algo de útil para fazer!
Outros tantos, confusos, sussurravam entre si: - Isso é música ou manifestação religiosa? Como se chama mesmo aquelas barulhentas reuniões que eles fazem: Macumba, Candomblé, Umbanda, Quimbanda ou Guiné?  

Arquivo Vivo. Quem disse que a beleza não é popular? Cacau ":¬)
Segregado, mas não exterminado; negou-se  a se deixar vencer. Projetando-se para além dos melindres e da tão comum mediocridade, sempre presente na Indústria da Cultura Musical, fez da dor, do abandono e do isolamento, suas matrizes poéticas. Poesias atemporais, daquelas que resistem ao imediato, momentâneo, passageiro, efêmero. Como farol, que bem construído, resite incólume, as vagas e as intempéries, o samba tem servido de guia às muitas vertentes desse abrangente, mas nem sempre fascinante, mundo musical.
Brisas do Tempo, o novo sempre vem, mas sem perder a essência. Cacau ":¬)
Hoje:
Tão branco quanto negro, enquanto raça;
Tão carioca quanto baiano, enquanto origem;
Tão nortista quanto sulista, enquanto dimensão;
Tão lembrado quanto requisitado, enquanto importância;
Tão brasileiro quanto estrangeiro, enquanto espaço;
Madureira. Uns vêm, outros vão, mas só alguns fazem história. Cacau ":¬)
Por essas e por outras prerrogativas, o samba vence.  Gostaria de utilizar o verbo no pretérito, Mas,prefiro fugir ao dogma e, como todos sabem, o real difere em muito do ideal. Ainda existem e resistem complexas relações com o mercado profissional da música. Essa complexidade surge (na parte que cabe ao samba), principalmente, por uma questão de essência e não por intencionalidade. Ou seja, o samba é, assim como outros ritmos de qualidade, a antítese do que se propõe na indústria musical. É sabido que indústria prioriza a cultura de massa, “vocês que fazem parte dessa massa...” Admirável Gado Novo (Zé Ramalho); jamais se colocando no contra fluxo das tendências momentâneas – que só fazem causar frenesi e dependência emocionais; e como se não bastasse, existe uma escrachada fomentação do banal, onde percebesse a desvalorização da “velhice” (metáfora do que é de raiz) e a despolitização das formas artísticas, ou seja, os que mais têm chances de comunicar (gravar, etc.) são, exatamente, os que menos têm algo de significativo a dizer.
Debinha. O amor ao samba, supera as momentâneas paixões. Cacau ":¬)
O samba, às vezes, pode até fazer uso dessas prerrogativas tão comuns em nossos dias, mas não sobrevive disso, e nem necessita, de nenhuma dessas práticas para implementar a sua manutenção. Por isso, enquanto alguns gritam para serem ouvidos (mesmo com tanta receptividade e alto-falantes à disposição), o samba encanta e entoa poesias para os que sabem, querem e podem ouvi-lo. Não há dúvida quanto o destino dos modistas, há seu tempo, todos serão silenciados.  Mas, a sorte e às vozes ritmadas dos sambistas (Natal-RN) desconhecem, e continuarão a desconhecer, qualquer razão ou motivo que os impeçam de continuarem fazendo arte. Viva o samba! Viva os poucos, mas, fiéis sambistas! Cacau “:¬)  

Pires. Mesmo educado, o samba não precisa pedir por favor. Cacau ":¬)



Jr. Famácia. Raramente percebemos o que fazem as formigas. Porém, de longe, são elas as mais esforçadas e poderosas criaturas de toda a natureza. Cacau ":¬)


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Viagens de Férias 2012

Férias, o melhor momento para se fazer a viagem dos sonhos..









Por: Claudio Fernando Ramos - Dezembro de 2012.

Nunca é demais lembrar que nossas férias, são férias escolares. Portanto, que ninguém se permita tirar férias do conhecimento! A leitura é uma fantástica e gratificante forma de lazer. Quando praticada com amor e paixão, possui a prerrogativa de proporcionar não só o imaginável, mas também, e, principalmente, o inimaginável. Por fim, não é difícil constatar que todo aquele que assim costuma se entreter, possui motivos e razões de sobra para sorrir, não só por um período, mas, sorrir e regozijar-se por toda a vida. Boas Férias! Bons Risos!  Cacau ”:¬) Rsrs...



domingo, 18 de novembro de 2012

TRICOLORES DE OCASIÃO



(Resposta às perguntas irônicas que me dirigem.)

Por: Claudio Fernando Ramos 18/11/2012 Cacau “:¬)

O para os oportunistas é a ocasião, para os íntegros é o coração. Cacau ":¬)
 O ano é 2012, certamente esse está sendo um dos melhores anos para nós Tricolor das Laranjeiras: Campeão da Taça Guanabara 2012, Campeão Estadual 2012 e Campeão Brasileiro (Tetra). Porém, por conta da inconsistência de muitos,  tenho sido alvo da crítica de várias pessoas que vivem na cidade do Natal, toda vez que visto uma das muitas camisas que possuo do Fluminense. Por aqui é comum as pessoas torcerem para mais de um clube de futebol, algo muito comum nos muitos interiores desse imenso país; isso ocorre por conta de dois fatores fundamentais: primeiro, porque a influência dos canais de TV com sede na Região Sudeste do país (Rio de Janeiro e São Paulo) é algo inexorável; segundo porque os times locais ( no caso de Natal: ABC, América, Alecrim...) são inexpressivos nacionalmente (desculpem-me a franqueza). Esses dois fatores somados, além de outros que prefiro não citar, acabam por produzir anomalias incompreensíveis: quando um time do Sudeste vem jogar contra um time local, para quem se torce? Se você já tem um time, que é o do coração (geralmente da própria região), há lugar, na mesma proporção, para outro (de região diferente)?

Driblando a adversidade, assim fomos campeões!

Eu tenho a minhas próprias respostas para essas duas perguntas; mas elas destoam de tudo o que ouço pelas ruas da capital potiguar.

Não é jogo dos dez erros. Só não vê quem não quer.
Depois do título comemoração com amigos, Redinha praia.
Até o carango é Tricolor!
Sou fruto de uma família de Tricolores. Fui, sou e sempre serei Fluminense (assim foi quando, por um período de tempo, morei em mais de uma Região do país e, consequentemente, em mais de uma dezena de Estados). Para os que vivem me arguindo sobre o porquê de tantas pessoas estarem usando a camisa do Flusão nos últimos dias (com tons de ironia), eu vos digo: perguntem aos que o fazem (e para piorar, a maioria das camisas são falsificadas)! Mas, como ainda insistem em me questionar, eu vos direi: não são Tricolores de coração, são oportunistas,  para esses, o time só ganha relevo guando vence - tornando-se o desejado da grande mídia, passa ser desejado do povão também; esses torcedores - tão mercenários quanto alguns jogadores, são “Tricolores” de Ocasião, nada mais, nem nada menos que isso. 

Se isso não bastar, aos que insistentemente me indagam: qual é o seu primeiro, segundo e terceiro clube quando estás fora do Rio? Eu respondo: Fluminense, Tricolor das Laranjeiras e Fluzão! Cacau “:¬)   

sábado, 3 de novembro de 2012

ENEM 2012


O HUMANO DIVINO
(Filosofia para o ENEM)

Por: Claudio Fernando Ramos 03 de Novembro de 2012 – Natal-RN
 
                                                      O poder que em nós reside.
 
Mesmo que a escolha não seja concretizada em um primeiro ou segundo momento, isso em nada abala a total soberania da liberdade em nossa vida! “O homem está condenado a ser livre”! Contraditoriamente, afirmou o filósofo francês.

Uma vez escolhida à educação, tanto a formal quanto a informal, como único e melhor caminho para se chegar a um fim proveitoso; é, irreversivelmente, isso o que irá ocorrer. Ao contrário do que se imagina, a liberdade também se alegra com o fato de que não é só na efetivação das escolhas postuladas que se pode ser feliz nessa vida. A escolha autônoma, em si mesma, é uma conquista!

Todo o processo, os longos ou curtos desdobramentos, os aprazíveis ou espinhosos caminhos a serem percorridos, têm, certamente, suas parcelas de contribuição a dar. Portanto, os que não negligenciarem a compreensão dos fatos, a transformação dos valores pessoais, e a pacificação de um sorriso espontâneo, no momento em que o percurso for sendo construído, certamente saberão mensurar, com toda riqueza de detalhes, a intensidade do regozijo no momento da chegada!

A liberdade da escolha, a perseverança no caminho e o êxtase da chegada, são elementos com dores e prazeres singulares. Mas, quando postos em um só recipiente e misturados à gosto, deificam qualquer alma. Alma essa que até então só era vista como humana. Cacau “:¬)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Natal Agoniza, Acudam!



                                                 Bandeira do Município de Natal.

Já há algum tempo, e mais especificamente nesses últimos quatro anos, a Câmara Municipal de Natal tem sido um local de decepções e frustrações para o povo natalense. Poucas vezes se viu e ouviu tantos conchavos, marasmos e incompetências mil.

 
Palácio Felipe Camarão, o esplendor externo não tretrata a agonia interna.

 A cidade do Natal agoniza!

Nesse difícil momento, instantes que antecedem a morte eminente: os parasitas que sugaram a essência do Município até a última gota, do último minuto; os ratos, que fizeram dos corredores do poder, seu esgoto particular; começam a abandonar o corpo/barco. Mas não devemos nos alegrar dizendo: finalmente, até que enfim, já não era sem tempo. Nada disso! Com esse abandono pontual, eles não sumirão, desaparecerão, escafeder-se-ão. Ao contrário! Com a costumeira habilidade, manter-se-ão afastados, não neutros (malandragem não para, malandragem dá um tempo). Aguardarão pacientemente algum sinal de convalescença da moribunda cidade. Se na futura gestão (tão comprometida quanto a atual) isso ocorrer,  esses mesmos ratos e parasitas, que tão descaradamente, se beneficiaram e apoiaram esse estado de coisa, darão início a lubrificação das engrenagens que acionam as articulações necessárias para mais uma bateria de acordos e apoios espúrios que, com a devida remuneração (o pagamento pode se dar com favores, cargos,  facilitações; cada um faz seu preço), farão a alegria dessa minoria (pais, filhos e netos de não sei quem) que sempre se revezam no poder (infames oligarcas e aristocratas).


Câmara Municipal do Natal, a casa que deveria ser do povo!
Estando no Vaticano, beija-se o anel do Papa. Para fazer política e ser vitorioso no Rio Grande do Norte, beija-se o anel de algumas seletas famílias. Eu só gostaria de poder olhar nos olhos de todos esses figurões que apoiaram a atual administração de Natal (não foram poucos, acredite). Nenhuma pergunta se faria necessária, mesmo porque, com toda certeza não haveria uma ética resposta para a mesma.


      Micarla de Souza, prefeita afastada de Natal 2012 (Tanto bateu asa que voou).

Já que o SUS não funciona com o mínimo de satisfação e os planos de saúde não atendem a contento. Resta-me, na condição de preocupado cidadão, adquirir em catecismo, um terço, um pouco de água-benta e algumas velas. E mesmo não sendo Católico, acreditar (de forma análoga aos sertanejos que gemem debaixo da maior seca dos últimos cinquentas anos) que de posse desses amuletos mágicos, com a minha microscópica, mas real fé, consiga fazer alguma contribuição para mudar esse quadro caótico em que se encontra não só a cidade do Natal; mas a política que por aqui, há séculos se faz (moro aqui tempo suficiente para saber que pelo voto é inviável).
        Carlos Eduardo, prefeito eleito de Natal 2012 (Trocou-se seis por meia duzia).

Fé em Deus, em Buda, Maomé, em Confúcio, Alan Kardec ou em quem você quiser. Menos nos políticos! Acreditar em pessoas dessa extirpe no Município de Natal é pura perca de tempo! Se achas que exagero, converse com nossa cidade. Mas, seja célere, antes que ela morra! Cacau “:¬)    

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

CHEGA DE CIRCOS, QUEREMOS PÃES!



Por: Claudio Fernando Ramos - Natal-RN, 12 de Outubro 2012. Cacau “:¬)

Foto extraída da net.                     

Em mais um feriado religioso nesse país “laico”, a TV se encarregou de me confrontar com mais uma, das infinitas, contradição social do Brasil - um sertanejo, com voz embargada, tentava, sem lograr êxito algum, explicar o porquê da dificuldade em manter vivo o pouco que lhe restava de seus gados. Tendo como pano de fundo uma vegetação crestada pelo sol implacável, um açude sem água com superfície rachada, um chão de terra vermelha repleto de “cadáveres” e ossos de animais, que um dia já alimentaram a esperança do camponês de progredir na vida, o sertanejo chorou! Chorou pelo que via: miséria absoluta; chorou pelo que sentia: impotência; chorou pelo que, por não possuir letração, ignorava: descaso, conchavos, incompetência e desonestidade política.

Desde o início do ano os meteorologistas vêm alertando as autoridades que as chuvas na Região seriam abaixo do normal. Em lugares onde o planejamento, gestão e vontade política são coisas comuns, a seca não deixa de ocorrer, mas seus efeitos são, seguramente, menos nocivos.

                                                  Foto extraída da net.

A água distribuída para a população vem de caminhões pipas (quando chegam), o milho subsidiado é vendido aos pecuaristas pela CONAB (quando tem)... Essas, além de outras ações, são implementadas pelo poder público, como forma de mitigar o problema; mas, ironicamente, é aí que reside o problema. Não há logística suficiente para que todos esses benefícios cheguem à ponta de forma satisfatória e em tempo hábil. Municípios, Estados e Governo Federal, trocam acusações e transferem responsabilidades, deixando a população sem respostas e, o que é pior, sem uma satisfatória ajuda.

Essa inoperância social não é generalizada, há alguns setores que estão seguros e resguardados. Todos os anos existem festas de todos os tipos na região, festas que são quase sempre mais intensas e competitivas no interior dos Estados nordestinos (locais onde a seca mais recrudesce): micaretas, festas juninas, aniversários de padroeiras etc. Necessariamente, não vejo as festas como um ou o problema, desejo  apenas por em relevo os investimentos públicos que há nelas. Os gestores municipais, sabedores da realidade inexorável de uma seca cíclica, deveriam assegurar, a exemplo do que fazem com as festas (verdadeiros circos), investimentos periódicos em setores sociais, visando prevenção antecipada de suas funestas consequências. Mas não é o que se vê. O que vemos são as pessoas comportando-se como filhotes de pássaros, que impossibilitados de saírem do ninho (suas casas, terras e culturas), ficam com a boca aberta à espera das migalhas doadas pelo governo Estadual e Federal. Doações essas que serão devidamente lembradas em períodos de eleições.

                                                       Foto extraída da net.

Bandas de Forró, pagodes e sertanejos (é só desses tipos que rolam) não são coisas baratas de se contratar. Estruturas para receber as bandas e o público participante, carecem de fortes investimentos, e todos sabemos que sem o aval financeiro dos municípios (quero dizer: vaidosos e inúteis prefeitos), esses projetos festivos, em sua maioria, seriam projetos falidos.

                                               Foto extraída da net.

Mas, como se pode perceber, as únicas coisas falidas no Nordeste são: a vida humana, a dignidade, o respeito ao próximo e a cidadania. Importando-se ou concordando-se, com tudo isso ou não, constata-se que circos não faltam, mas o mesmo não pode ser dito sobre os pães.

Esse pão que não chega, degrada aos que dele precisam; mas, se juntamente com o circo (que nunca falta) fosse farto, ainda assim não deixaria de ser aviltante: “A gente não quer só comida”.

                                        Foto extraída da net.

Os circos vêm tornando-se cada vez mais pujantes, não há ausência de públicos e de patrocinadores. Podemos tomar como exemplos algumas famosas gabolices midiáticas: uns gabam-se de possuírem a maior imagem de santo do mundo (turismo religioso), outros de organizarem o maior carnaval fora de época também do mundo (orgulho natalense), outros tantos vangloriam-se de serem os responsáveis pelo maior bloco de carnaval do planeta (supremacia pernambucana), e por aí vai. Os números da miséria do povo nordestino são bem maiores do que todos esses somados, mas, ao contrário dos "circos", esses números ninguém deseja que sejam propagados. A exemplo do racismo, falar sobre esses assuntos causam comichões, desconfortos, constrangimentos; hoje em dia, tudo isso pode gerar processo. Na perspectiva dos pseudos psicanalista e psicólogos, políticos messiânicos e dogmáticos religiosos de plantão: a culpa é quase sempre de quem fala ou denuncia, ou seja, é sempre a visão de uma pessoa amargurada, pessimista, incrédula e preconceituosa; não se deve dar muita atenção aos seus ditos, concluem; o que de fato falta ao denunciante são mais entretenimentos (futebol e novelas na TV), paixões (casar e fazer filhos), engajamentos (militar em partidos políticos),  fé religiosa (conversão denominacional), ser feliz (satisfação plena dos desejos), ser eclético (gostar de tudo, não sendo contra nada).


                                                  Foto extraída da net. 
Já disseram que o nordestino é antes de tudo um forte, é possível. No entanto, enquanto pouco ou nada é feito, ao sertanejo resta olhar e clamar  aos céus. Na condição de povo semianalfabeto, despolitizado e abandonado; mas, extremamente fervoroso, é bem possível que nesse doze de outubro, tomada de misericórdia, a Padroeira do Brasil, Aparecida, lamentando por ele, lave com suas lágrimas de intercessão a miséria tenaz que, apesar da fé e da fidelidade do sertanejo, nunca foi totalmente exorcizada da sua frugal existência. Cacau “:¬)