ZN-FILOSÓFICA

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

FAÇA A COISA CERTA

Um restaurante popular do Brooklyn, cujo proprietário é descendente de italianos , localiza-se na comunidade de Bedford-Stuyvesant, e é muito frequentado por moradores do local, em sua maioria, negros. No conhecido estabelecimento, há uma “parede da fama” onde encontram-se pendurados apenas alguns retratos de italo-americanos famosos , entre eles , Robert de Niro e Al Pacino. No entanto, um dos frequentadores , também negro, não admite a ausência de fotos de sua etnia na “parede da fama”. Será o estopim para o início de um confronto dito “racial” entre brancos e negros. Trata-se de um filme de 1989, dirigido, atuado e escrito pelo afro-americano Spike Lee. Foi indicado ao Oscar por melhor roteiro original e ator coadjuvante (Danny Aiello), e mais tarde , seria escolhido pelo Instituto de Filmes Americanos (AFI) , após uma nova atualização em sua lista dos 100 melhores, como o 96° melhor filme de todos os tempos. O filme em questão intitula-se FAÇA A COISA CERTA.A temática racial e os problemas sociais dos E.U.A são constantes na filmografia do diretor , e seus filmes mostram a sua visão do cotidiano das minorias. Faça a coisa certa não apresenta-se apenas como um filme onde negros são discriminados por brancos. Existem também outras etnias, tão discriminadas quantos os negros e que não passam de uma minoria excluida : latinos, orientais, mestiços, e outras etnias presentes. No filme, não existe mocinho ou vilão, todos são iguais, todos são ambivalentes, até os negros tidos como agredidos, também agridem. O cineasta mostra como todas essas etnias também sabem ser preconceituosas e intolerantes.Assim como Amor, sublime amor ( 1961), que mostra o preconceito contra etnias, no caso, latinos, em um subúrbio de NY , Faça a coisa certa também trata da mesma temática, mas com uma abordagem geral. Não achem que os criticos gostam de Amor, sublime amor por ser apenas um musical ou Faça a coisa certa por ser apenas uma leve comedia racial . Ambos, embora alguns momentos pareçam monótonos e muito comuns, possuem uma temática universal: o preconceito, a dificuldade em aceitar as diferenças do outro.Para o elenco, nomes conhecidos como Danny Aiello , John Turturro e Samuel L. Jackson ( na época, Sam Jackson). O filme inicia-se com uma sequência inusitada: Garotas dançando em um palco ao som de Public enemy. Em seguida, vários personagens são apresentados ao público, cada um com uma determinada personalidade e caráter. Mas o filme passa a impressão de não ter uma história. Á principio parece um filme comum, mostrando diversos personagens, na maioria negros, moradores de um subúrbio de Nova Iorque: Samuel L. Jackson como locutor de uma rádio ( não participa diretamente da história); Um velho senhor chamado Prefeito; Sorridente , um homem gago e com problemas mentais;o entregador de Pizzas, Mookie ( Spike Lee) e sua companheira; Sal(Danny Aiello), um italo-americano ,dono de um restaurante, onde trabalha com os seus dois filhos; uma velha senhora conhecida como Mãe-irmã; Radio Raheem (Bill Nunn) e o seu grande radio tocando sempre a música “Fight the power” do public enemy; um coreano,dono de um mercado; e tres velhos senhores que conversam durante toda a tarde , encostados a uma parede, entre outros. Todos vivem à margem da exclusão e do clima quente , dominante na cidade.Afinal, existe algum roteiro, ou ele é confuso demais? São muitos pesonagens e mesmo assim naõ há uma historia, o filme mais parece uma análise descritiva do local através de imagens. A direção consegue contornar esse problema com os movimentos de câmera. Alguns personagens poderiam ser retirados , pois nada acrescentam ao filme. Algumas cenas parecem não ter sentido algum, como aquela em Spike lee dialoga com o personagem de John Turturro, após este ter feito alguns comentarios racistas , dizendo-lhe que o mesmo naõ gosta de negros, mas admira negros famosos como Magic Johnson, Eddie Murphy, Prince. Ao que o personagem de john Turturro retruca afirmando que “os negros famosos são mais que negros”. Outra cena interessante , ocorre aos 45 minutos, vários personagens de etnias diferentes proferem ofensas uns aos outros , não diretamente , e sim olhando para a câmera, olhando para o espectador.As cenas de xingamentos são compensadas por outra interessante cena , aquela em que Radio Raheem, "o cara do gravador" faz seu discurso frente a camera e atraves das duas mãos, onde encontram-se duas soqueiras em cada uma , fala sobre a eterna luta entre o amor e o ódio ( uma cena inspirada no clássico de Charles Laughton, O mensageiro do diabo.O filme é uma critica racial leve que aos poucos torna-se acentuada e tem o seu estopim, quando chatonildo, um dos personagens, resolve discutir com Sal o fato de não haver nenhum retrato de um negro famoso na parede do restaurante, apenas italo-americanos. Planeja, então, um boicote mal sucedido tendo como único parceiro , Radio Raheen, ressentido com Sal devido a uma discussão com o mesmo . A partir de uma hora e meia é que o filme ganha fôlego e acaba por impresionar e surpreender o espectador. Uma confissão: Se não fosse a lista da AFI, eu nunca saberia da existência desse filme e muito menos o teria assistido. Quer saber qual é a escolha certa? Então assista ao filme , tire suas próprias conclusões e tente descobrir porque os criticos o elegeram como o 96° melhor filme de todos os tempos.
Por Jackson Moreira Ferreira, em 28/08/2008 Eu, Cacau indico esse filme...