ZN-FILOSÓFICA

sexta-feira, 29 de março de 2013

DA IGNORÂNCIA TEMPORÁRIA A ILUSÃO DO CONHECIMENTO



(Ensaio filosófico sobre a delicia que é viver)

Por: Claudio Fernando Ramos, 29/03/2013. Cacau “:¬)

“Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzi-la com sua fama. Mas ela não se deixou achar. Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: “Eu me escondo nas coisas mais simples e anônimas.” —Augusto Cury
- Você é uma dessas muitas coisas simples! Afirmei tacitamente para *Egyle Nascimento, depois de ter lido a frase de Augusto Cury em seu perfil, em uma página de relacionamento na internet.

- Se sou, então por que não acho felicidade algumaescondida em mim? Vejo tudo, menos a felicidade. Respondeu-me ela com um certo tom de melancolia. Depois de pensar por um certo tempo, notei que as coisas tomavam um tom um pouco mais carmesin, por isso resolvi comprar essa discusão existencialista:

- É esse outro detalhe (não perceber a importância que se tem) que torna aquele primeiro real (ser importante para alguém), ou seja, a felicidade é um meio, não um fim em si mesmo. É sempre mais importante o que se quer conquistar do que aquilo que se conquistou.

As delícias de um manjar existem para os que as degustam, o mesmo prazer pode não ser compartilhado pelo próprio manjar, mas ainda assim ele é o mesmo manjar que a todos, ou a muitos, proporcionou prazer imarcescível.

Talvez a felicidade esteja em saber prestar-se ao outro e, sem fazer-se de rogado, buscar nesse mesmo outro algo que se preste a você.

O que torna um manjar delicioso são os ingredientes e as técnicas de produção utilizadas (note aí a inexorável presença do outro), portanto, um manjar exposto e compartilhado cumprirá o seu propósito; já um manjar guardado e negado, só poderá cumprir um único vir-a-ser: estragar-se.

Somos um compêndio de outros. Isso não significa que não somos nós mesmos; isso implica que não devemos ser sós, em nós mesmos.


Ser delicioso ao paladar alheio e, por vezes, não sentir o próprio sabor, não deve ser motivo de preocupação, pois que esse é um logro da própria vida, uma espécie de humilde solidariedade natural que visa nos potencializar na arte de não bastar-se. Não saber exatamente o que se é, mesmo sendo muito para os outros, evidencia uma condição de eterna busca pela perfeição; perfeição essa que nunca será alcançada, mas que também nunca estará ausente.

O mundo está cheio de espelhos. Os muitos espelhos da natureza são polivalentes, estes nos permitem não só a visão, mas também a audição, o sabor, o tato... Tudo reflete tudo! Não saber é uma condição temporária! Saber é uma ilusão eterna! Cacau “:¬)    

*Egyle Nascimento é minha aluna do 2ª ano matutino do CDFZN 2013.