ZN-FILOSÓFICA

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

FILOSOFIA COMENTADA



FRANCIS BACON, HELENISMO E SÓCRATES

 Na sua busca pelo conhecimento verdadeiro, Francis Bacon desenvolveu a crítica dos ídolos. Esses ídolos correspondem a imagens que impedem o conhecimento da verdade, podendo ser de quatro tipos: os ídolos da caverna, ídolos do fórum, ídolos do teatro e ídolos da tribo. Em seu texto Novum Organum, Bacon explica o que são os ídolos da caverna.

Francis Bacon elaborou a teoria “Crítica os Ídolos” que tinham por objetivo desconstruir as imagens que formam nos seres humanos opiniões cristalizadas e cheias de preconceito deste modo, será possível aplicar na razão a experiência, neste caso, o método indutivo infere de dados universais argumentações a partir de dados singulares como uma porção de água que ferve a cem graus, e outra, e mais aquela, logo, a água ferve a cem graus.

Francis Bacon procura modificar a forma como o homem se relaciona com a natureza. Outro pensador relevante para o período foi Galileu Galilei, justamente por questionar os postulados da física aristotélica.

 Francis Bacon é um dos principais expoentes do empirismo, enquanto que Descartes é o principal representante do racionalismo. Ambos desenvolveram métodos científicos, mas que partem de concepções epistemológicas bastante distintas. Enquanto Bacon enxerga na experiência a origem do conhecimento, Descartes considera que somente a partir da Razão pode-se conhecer alguma coisa verdadeiramente.

Francis Bacon foi um defensor do método indutivo e empirista em Ciência. Segundo ele, a ciência deve partir de fatos concretos para que se possa chegar às generalizações, que correspondem às formas gerais das leis e causas. Desta maneira, o homem age como intérprete da natureza, conhecendo-a e dominando-a, extraindo dela conhecimentos necessários para seu próprio proveito.

Francis Bacon segue a tradição empirista inglesa que remonta Roger Bacon (século XIII) realçando a significação histórica da ciência e do papel que ela poderia desempenhar na vida da humanidade. Seu lema, muito conhecido, “saber é poder” mostra como ele procura, bem no espírito da nova ciência, não um saber contemplativo, desinteressado, que não tenham um fim em si, mas um saber instrumental, que possibilite a dominação da natureza como fez a Revolução Industrial que superou a manufatura pelas maquinofatura (chamadas hoje de indústria) substituindo o trabalho manual pelas máquinas.

 “Ciência e poder do homem coincidem”. Isso está claramente expresso na filosofia de Bacon;  a respeito da relação entre o conhecimento e o poder. O filósofo, nesta concepção, define o saber como algo prático, como um domínio do homem sobre as coisas.

Francis Bacon foi um dos fundadores do método científico moderno. Sua máxima “saber é poder” revela a visão de que o conhecimento da natureza é também uma forma de poder sobre ela. A necessária passagem do particular para o geral, no método científico, se daria por meio da experimentação.

Francis Bacon é considerado um dos fundadores da ciência moderna no período que marca a passagem do pensamento escolástico para o moderno. Bacon demonstra seu desejo por um método que procura valorizar a experiência, de acordo com leis seguras e de forma constante. O filósofo apresenta uma visão que relaciona de forma adequada ciência, conhecimento e experimentação.


Sobre o helenismo, Marilena Chaui afirma: “Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros Padres da Igreja, a Filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus”.
(Chaui, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 9ª ed. 1997, p. 34.)

O epicurismo é muito conhecido como a filosofia da amizade. Por considerar como um bem a procura por prazeres, o epicurismo é muitas vezes considerado como uma manifestação filosófica hedonista. O estoicismo se relaciona com o estado de apathea (apatia), considerado como um estado de indiferença em relação às emoções e paixões. O ceticismo se relaciona com uma moral que questiona a metafísica. Por fim, cinismo pode ser considerado como uma corrente de síntese filosófica. A expressão maior desse modelo de pensamento é “O natural é público”.

À busca pelas “volúpias mais deliciosas”, quanto à fuga dos prazeres que conduzem à dor. Essa visão se aproxima justamente ao epicurismo, que defende tanto a busca dos prazeres, quanto a rejeição das dores mais intensas.

Filosofia cosmopolita: nesse período, a filosofia enraizava-se no platonismo e no aristotelismo, procurava encontrar a felicidade mediante a atividade racional sobre a natureza e  valorizar os problemas lógicos, físicos e éticos.

A ética estoica é enunciada de acordo com a física, quer dizer, dado que o estoicismo constrói uma física da causalidade necessária (as leis da natureza são necessárias e de certo evento ocorrerá uma consequência inevitável), a ética lida com a ideia de destino e, por conseguinte, não há contingência caso um evento seja, e se faça, sempre verdadeiro. Isto estabelecido, temos:
“De acordo com Diógenes de Laércio, os estoicos distinguiam na ética, enquanto parte da filosofia, “lugares” ou objetos de estudos: o impulso ou tendência, hormé; os bens e males; as paixões, páthé; a virtude, areté; o sumo bem, télos; as ações; as condutas conveniente, kathekonta; e o que convém aconselhar ou impedir. A ética é elaborada em dois movimentos: um que vai da psicologia da tendência aos valores (bem e mal) que orientam positiva ou negativamente as ações, passa pelas perturbações que podem afetá-las (paixões) e chega à perfeição (virtude, bem) e às especificações concretas ações morais (convenientes); e outro, que vai do ideal do sábio às especificações concretas de conduta e à pedagogia moral.
Toda ação ética é orientada por um fim único (télos), em vista do qual todo o resto é meio ou fim parcial. O fim último é a felicidade (eudaimonía) daquele que vive bem porque realiza plenamente sua natureza. Os estoicos consideram que a virtude basta para a felicidade, da qual ela é a causa, mas não é ela o télos ou o sumo bem, que é viver em conformidade (homología) com a natureza, isto é, consigo mesmo e com o mundo. A infelicidade, portanto, é o desacordo ou o conflito consigo mesmo e com a natureza”.
(M. Chaui. Introdução à história da filosofia: as escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 156)

O ponto de partida da filosofia socrática não é a afirmação “sei que nada sei”, mas sim a palavra do oráculo de Delfos (dedicado a Apolo) que afirmou para Sócrates ser ele o homem mais sábio de todos. Sócrates não duvidou da palavra do Deus e partiu em busca da compreensão das palavras divinas. Interrogando outras pessoas, Sócrates percebeu que apesar de ele não possuir conhecimento sobre as coisas, possuía conhecimento sobre sua própria ignorância, algo que todos os outros homens não possuíam. A ignorância sobre o que significava a palavra divina o fez ir atrás do conhecimento sobre si mesmo. 

Não é correto afirmar que Sócrates ministrava aulas com a finalidade de transmissão dos seus conhecimentos, pois como é sabido o filósofo se gabava de ser um parteiro de ideias (cf. Teeteto). Isso nos leva necessariamente à consideração de que o conhecimento era do interlocutor e o seu trabalho consistia em fazer isto ser concebido. Esta afirmação: “a busca pela essência do bem está vinculada a uma visão antropocêntrica da filosofia”, necessita de referência precisa, pois há uma mistura de termos antigos e modernos que cria um anacronismo inaceitável. Todavia, até onde conseguimos percebemos, a intenção da frase é ressaltar que os pré-socráticos mantinham pesquisas preocupadas com o conhecimento da natureza, enquanto Sócrates possuía como grande tema o conhecimento de si. Essa noção é parcialmente verdadeira, pois nem os pré-socráticos eram simplesmente preocupados com o “mundo objetivo”, nem Sócrates era simplesmente preocupado com o “mundo subjetivo”. A natureza, o cosmos, possui enorme importância para a filosofia desenvolvida por Platão; podemos observar isso na leitura da República (Livro VI, por exemplo).

O lema da filosofia socrática é: conheça-te a ti mesmo; e como o próprio Sócrates diz na sua Apologia: “a vida sem inspeção não vale a pena ser vivida pelo homem”. Seguindo esse lema e essas palavras, podemos dizer que o pensamento de Sócrates se desenvolve como uma investigação metódica cuja única finalidade é esclarecer através deste exame minucioso a ignorância daquele que diz saber sem, todavia, saber realmente. O segredo dessa investigação metódica (a dialética) de Sócrates está no conceito de ironia que garante para cada interlocutor um discurso particular a respeito das suas suposições sobre seu próprio conhecimento. Por esse discurso, o filósofo esclarece seu interlocutor sobre sua ignorância e o faz assumir, ou pelo menos considerar a possibilidade de uma postura distinta da inicial, mais elevada, mais sábia e, portanto, capaz de se reconhecer a si mesmo.

O pensamento socrático está escrito em grego, língua dos filósofos do período. Sócrates criticou sim o saber dogmático. Ele o fez através da sua prática de indagar as pessoas a respeito de suas certezas. Sendo assim, as afirmativas falsas são a primeira, a segunda e a quarta.

O surgimento da filosofia só foi possível graças às transformações sociais e econômicas ocorridas na Grécia, permitindo o surgimento dessa nova modalidade de conhecimento, dito filosófico. Filosofia significa uma atitude crítica frente ao mundo e que não se contenta com os conhecimentos aparentes. Desta forma, o filósofo cria conceitos que o ajudam a chegar mais perto da verdade, ainda que não tenha qualquer garantia que irá conseguir chegar a ela ou não.