ZN-FILOSÓFICA

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Jonh Locke (1632-1704)
 
 
 
Exercício

1 - Apenas os princípios da não contradição e da identidade nascem conosco.
Diante dessa tese, Locke:
A) concorda; sem esses princípios nenhuma percepção lógica da realidade é possível.
B) concorda; na idade adulta todos os homens alcançam essas máximas.
C) discorda; se assim fosse, crianças e idiotas também alcançariam esses princípios.
D) discorda; tais noções primitivas são recebidas na alma no momento de sua criação.

E) NDO

 

Empirismo X Racionalismo

 

- A filosofia empírica (do grego empeiria = experiência) ganha formulação paradigmática, sistemática, metodológica e crítica consciente a partir de Locke.

 

- Seguindo a linha tradicional do empirismo, que admite que todo conhecimento vem da experiência, portanto, dos sentidos, Locke busca compreender qual a gênese, a função e os limites do entendimento humano.

 

- Critica a noção cartesiana de sujeito como substância.

 

Tábula Rasa

 

- “A mente é uma tabula rasa”, já diria Aristóteles, é retomado aqui para evidenciar que não existe nada na mente que não estivesse antes nos sentidos.

 

- De acordo com Locke, a mente é como uma cera passiva, desprovida de conteúdos, em que os dados da sensibilidade vão imprimindo ali as ideias que podemos conhecer.

 

- Aqui, ideia não tem o mesmo significado que em Descartes (ou se tem, trata-se apenas das adventícias, não das inatas).

 

- As ideias inatas existem no espírito humano, são anteriores ao nascimento e coordenam, assim, o modo como o homem conhece. (Concepção cartesiana)

 

- Para o filósofo empirista, o saber humano é determinado pelas impressões vindas da sensação, não de um fundamento inteligível inato.

 

- Corpo e mente são uma coisa só, não são distintos como em Descartes.

 

Do particular ao Universal

 

- O sujeito ainda existe como fundamento, mas agora não mais um sujeito universal (razão) e sim um sujeito particular no qual todas as representações (ideias) estão encerradas no modo como cada indivíduo percebe a realidade.

 

- Fica então a pergunta: como universalizar os juízos, já que as representações são particulares?

 

a) Viés aristotélico - para Locke a única coisa que pode ser inata no homem é a capacidade de depreender (abstrair) ideias dos fatos singulares.

 

b) Viés cartesiano - as próprias ideias são inatas.

 

O mapa da mente humana

 

- Em seu Ensaio sobre o entendimento humano, Locke faz uma espécie de mapeamento de como em nossa mente se produzem as ideias:

 

A) As ideias derivam das sensações.

 

B) Não existe pensamento puro sobre conceitos meramente inteligíveis, mas pensar é sempre pensar em algo recebido pelas sensações impresso em nossa mente.

 

C) A experiência nada mais é do que a observação tanto dos objetos externos como das operações internas da mente.

 

D) Pensamento não é formal, mas sim uma síntese entre forma e conteúdo derivados da experiência e limitados a esta.

 

- A experiência pode ser de dois tipos:

 

1ª – Externa, da qual derivam as ideias simples de sensação (extensão, figura e movimento, etc.);

 

2ª – Interna, da qual derivam as ideias simples de reflexão (dor, prazer, etc.).

 

- Locke chama de qualidade o poder que as coisas têm de produzir as ideias em nós e distingue entre:

 

1ª - Qualidades primárias (objetivas) – são as qualidades reais dos corpos das quais as ideias correspondentes são cópias exatas;

 

2ª - Qualidades secundárias (subjetivas) – são as possíveis combinações de ideias, sendo em parte subjetiva, de modo que as ideias delas não correspondam exatamente aos objetos (cor, sabor, odor, etc.).

 

- A mente, segundo Locke, tem tanto o poder de operar combinações entre as ideias simples formando ideias complexas; como o de separar as ideias umas das outras formando ideias gerais.

 

São três os tipos de ideias complexas:

1ª - Ideias de modo, que são afecções da substância;

 

2ª - Ideias de substância, nascidas do costume de se supor um substrato (essência) em que subsistem algumas ideias simples (gêneses);

 

3ª - Ideias de relações, que surgem do confronto que o intelecto institui entre as ideias.

 

Essência nominal

 

- Locke admite também a ideia geral de substância, obtida por abstração e não nega a existência de substâncias, mas sim a capacidade humana de ter ideias claras e distintas.

 

- Conforme Locke, a essência real seria a estrutura das coisas, mas nós conhecemos apenas a essência nominal, que consiste no conjunto de qualidades que deve ter para ser chamada com determinado nome.

 

- A abstração (que nos antigos era o meio pelo qual se alcançava a essência do ser) torna-se, em Locke, uma parcialização de outras ideias complexas:

 

1ª - o geral e o universal não pertencem à existência das coisas;

 

2ª - são invenções do próprio intelecto que se referem apenas aos sinais das coisas, sejam palavras ou ideias.

 

- O conhecimento, então, consiste na percepção da conexão ou acordo (ou do desacordo e do contraste) entre nossas ideias.