ZN-FILOSÓFICA

domingo, 9 de fevereiro de 2014

DO COSMOGÔNICO AO COSMOLÓGICO



                                                                                                                                                                             

O PENSAMENTO COSMOGÔNICO E COSMOLÓGICO

Iª Parte
AS EXPLICAÇÕES MITOLÓGICAS SOBRE A ORIGEM DA VIDA E A CONDIÇÃO HUMANA.

                                                                 
                                                       A Caixa de Pandora - Ao homem imprudente e temeroso são atribuídos os males humanos.


1 - A physis – Origem da vida

Conta-nos as várias versões do mito grego que Prometeu (o que vê antes ou prudente, previdente) é o criador da humanidade. Era um dos Titãs, filho de Jápeto e Clímene e também irmão de Epimeteu (o que vê depois, inconsequente), Atlas e Menécio. Os dois últimos se uniram a Cronos na batalha dos Titãs contra os deuses olímpicos e, por terem fracassado, foram castigados por Zeus que então tornou-se o maior de todos os deuses.
Prevendo o fim da guerra, Prometeu uniu-se a Zeus e recomendou que seu irmão Epimeteu também o fizesse. Com isso, Prometeu foi aumentando os seu talentos e conhecimentos, o que despertou a ira de Zeus, que resolveu acabar com a humanidade. Mas a pedido de Prometeu, o protetor dos homens, não o fez.

Um dia, foi oferecido um touro em sacrifício e coube a Prometeu decidir quais partes caberiam aos homens e quais partes caberiam aos deuses. Assim, Prometeu matou o touro e com o couro fez dois sacos. Em um colocou as carnes e no outro os ossos e a gordura. Ao oferecer a Zeus para que escolhesse, esse escolheu o que continha banha e, por este ato, puniu Prometeu retirando o fogo dos humanos.

Depois disso, coube a Epimeteu distribuir aos seres qualidades para que pudessem sobreviver. Para alguns deu velocidade, a outros, força; a outros ainda deu asas, etc. No entanto, Epimeteu, que não sabe medir as consequências de seus atos, não deixou nenhuma qualidade para os humanos, que ficaram desprotegidos e sem recursos.
Foi então que Prometeu entrou no Olimpo (o monte onde residiam os deuses) e roubou uma centelha de fogo para entregar aos homens. O fogo representava a inteligência para construir moradas, defesas e, a partir disso, forçar a criação de leis para a vida em comum. Surge assim a política para que os homens vivam coletivamente, se defendam de feras e inimigos externos, bem como desenvolvam todas as técnicas.

Zeus jurou vingança e pediu para o deus coxo Hefestos que fizesse uma mulher de argila e que os quatro ventos lhe soprassem a vida e também que todas as deusas lhe enfeitassem. Essa mulher era Pandora (pan = todos, dora = presente), a primeira e mais bela mulher já criada e que foi dada, como estratégia de vingança, a Epimeteu, que, alertado por seu irmão, recusou respeitosamente o presente.
Ainda mais furioso, Zeus acorrentou Prometeu a um monte e lhe impôs um castigo doloroso, em que uma ave de rapina devoraria seu fígado durante o dia e, à noite, o fígado cresceria novamente para que no outro dia fosse outra vez devorado, e assim por toda eternidade.

No entanto, para disfarçar sua crueldade, Zeus espalhou um boato de que Prometeu tinha sido convidado ao Olimpo, por Atena, para um caso de amor secreto. Com isso, Epimeteu, temendo o destino de seu irmão, casou-se com Pandora que, ao abrir uma caixa enviada como presente (e que Prometeu tinha alertado para não fazê-lo), espalhou todas as desgraças sobre a humanidade (o trabalho, a velhice, a doença, as pragas, os vícios, a mentira, etc.), restando dentro dela somente a ilusória esperança.
Por isso, o mito da caixa de Pandora quer significar que ao homem imprudente e temeroso são atribuídos os males humanos como consequência da sua falta de conhecimento e previsão. Também é curioso observar como o homem depende de sua própria inteligência para não ficar nas mãos do destino, das intempéries e dos próprios humanos.

Disponível em: http://www.brasilescola.com/filosofia/caixa-de-pandora.htm. Consultado em 12/2013.                                                                                

2 - A psique – condição humana
                   
                                               Édipo, o herói triste.

A tragédia edipiana e o complexo de Édipo

Uma profecia foi anunciada ao rei de Tebas, Laios. Preocupado com sua infertilidade, ele foi consultar o oráculo que lhe disse que era uma benção não gozar da paternidade, pois um filho de sua esposa, Jocasta, o arruinaria, destronando-o e tomando sua esposa. Assim, o rei afastou a rainha de seu leito. Jocasta, percebendo a distância, embebedou-o para poder com ele se deitar e conceber. Quando a criança nasceu, o rei mandou matá-la. Um escravo furou o pé da criança e o pendurou num monte para que perecesse e os abutres o comessem.
Mas uma infeliz coincidência fez com que um pastor resgatasse a criança e a entregou para ser criada pelo rei Polibo de Corinto que não tinha filho. A criança foi chamada de Édipo (por ter os pés inchados).  Atingindo a idade adulta, Édipo consultou o oráculo e este lhe disse que ele desgraçaria sua família, assassinando seu pai e tomando sua mãe por esposa. Por amar seus pais adotivos, Édipo resolveu partir de Corinto.

Numa estrada, Édipo encontrou-se com Laios que o ordenou a sair da frente da condução, ao que Édipo disse que não iria obedecer senão a seus pais e aos deuses. Um escravo de Laios, então, passou por cima do pé de Édipo, que, tomado de raiva, matou a todos sem saber que Laios era, na verdade, seu pai biológico. Laios tinha saído de Tebas à procura de solucionar o problema da Esfinge, uma praga que assolava sua cidade. Este monstro criou um enigma: “O que tem às vezes 2, às vezes 3, às vezes 4 pernas e quanto mais tem, mais fraco é?” Quem não acertasse a resposta seria devorado e a peste continuaria assolando a cidade. Édipo que se encontrou com o mostro resolveu o enigma: é o homem, pois ele engatinha quando criança, anda quando adulto e usa bengala quando velho. A esfinge se autodestruiu e a cidade foi salva, aclamando Édipo como novo rei. Com isso, ele tomou Jocasta, sua mãe, por esposa, sem o saber. Assim, uma nova desgraça caiu sobre a cidade e para ser reparado o erro, as profecias pediram que o tebano que o cometeu morresse.
Sem saber de quem se tratava, o mistério só foi revelado quando a mãe de criação de Édipo, Peribeia, em uma carta, revelou a adoção de Édipo. Jocasta se matou ao saber que tinha se tornado esposa de seu filho, com o qual teve quatro filhos, e Édipo, com o camafeu (um alfinete) de Jocasta, cegou-se e saiu vagando no exílio.

Ora, essa tragédia se realizou porque a todo instante cada escolha foi feita tentando evitá-la. Destino, fatalismo ou liberdade? Eis a questão que pairou numa Grécia que visava consolidar a democracia após um período de aristocracia com base nos mitos e também, nos tempos modernos, para explicar o funcionamento da psique humana. Freud construiu o famoso “Complexo de Édipo” usando o exemplo da tragédia para elucidar as questões mais fundamentais da sexualidade humana. A psicanálise entende que há uma estreita e profunda relação sentimental entre o filho e a mãe, que gera satisfação e prazer inconsciente no contato com a amamentação, além da imagem do pai, na visão da criança, como competidor. Nas suas várias fases de desenvolvimento, há uma tendência ao prazer sexual, segundo a forma como cada uma delas é desenvolvida (fase oral, anal e sexual).
Uma lembrança importante: houve uma tentativa de imitar a história da tragédia grega na telenovela brasileira nos fins da década de 80. Em 1987, Mandala foi ao ar pela Rede Globo, numa adaptação de Dias Gomes do texto de Sófocles e protagonizada por Vera Fischer, Felipe Camargo e Nuno Leal Maia, entre outros.


IIª Parte
Pensamento Cosmológico




1 - O que é filosofia?

A palavra filosofia é de origem grega. É composta por duas outras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem à palavra sophos, sábio.
Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim a filosofia indica um estado de espírito da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita.
Pitágoras de Samos teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos. “Quem quiser ser filósofo necessitara infantilizar-se, transformar-se em menino”.

Disponível em: http://www.brasilescola.com/filosofia/. Consultado em 12/2013.

2 - Transição, do discurso mítico ao filosófico


A reflexão filosófica surge no século VI a. C., na Grécia, em contraposição à narrativa mítica. Um novo conceito de verdade sobre a realidade substitui, assim, o modelo baseado na tradição oral dos poetas, autoridades portadoras da vontade dos deuses.
A Filosofia surge como espanto diante da possibilidade de estranhar o mundo e concebê-lo de forma racional. Esse espanto impulsiona a busca da compreensão do ser enquanto algo natural e capaz de ser apreendido pelo Lógos (razão, discurso, palavra) humano.

Após esse primeiro passo, a Filosofia também nos aparece como admiração, isto é, a contemplação da verdade de modo absoluto e universal, válida para todos, independente de raça, nação, cultura, mito, etc. Assim, a Filosofia liberta o homem da insegurança e do temor proporcionados pelo Mito de que o destino dos homens era um joguete dos deuses.
Para conhecer essa verdade, os filósofos se esforçaram para conhecer as causas e os princípios (arqué) de toda a realidade, descobrindo na multiplicidade de coisas e opiniões um princípio único. Vejamos quais são as principais características deste processo de compreensão:

• Tendência racional, em que somente a Razão é o critério de explicação sobre o mundo, segundo seus próprios princípios;

• Submissão dos problemas à análise, à crítica, à discussão, à demonstração, procurando oferecer respostas seguras e definitivas;

• O pensamento é a fonte do conhecimento e deve apresentar as regras de seu funcionamento para justificar suas bases lógicas (por exemplo: os princípios de Identidade, da Não Contradição e do Terceiro Excluído);

• Não aceitar as noções pré-concebidas, as opiniões já pré-estabelecidas, os pré-conceitos imediatos, mas investigar o real com o rigor exigido pelo pensamento e suas leis, não sendo passivo, mas sim ativo no processo do conhecer;

• Descobrir, a partir da análise das semelhanças e dessemelhanças entre as coisas, o princípio que promove a generalização, isto é, o que permite agrupar os vários casos particulares em uma classe geral de objetos.


IIIª Parte
Cosmologia


                                      A busca pela origem do Universo.
                                                               
A racionalização do pensamento

Os pré-socráticos buscavam, além de falar sobre a origem das coisas, mostrar que a physis (naturezas) passava por constantes mudanças e que essas eram provocadas por alguma coisa que tentavam conhecer. Por causa das viagens marítimas, da invenção do calendário, da invenção da moeda, do surgimento das polis, da invenção da escrita e da política os gregos passaram a perceber que nada ocorria por acaso e que não existia a interferência de deuses relatados no período mitológico.

A cosmologia surgiu como a parte da filosofia que estuda a estrutura, a evolução e composição do universo, sendo a primeira expressão filosófica apresentada no Período pré-socrático ou cosmológico. Suas principais características são: a substituição da explicação da origem e transformação da natureza através de mitos e divindades por explicações racionais que identificam as causas de tais alterações, defende a criação do mundo a partir de um princípio natural e que a natureza cria seres mortais a partir de sua imortalidade.

No período em que a cosmologia prevaleceu, as pessoas acreditavam que a natureza somente poderia ser conhecida através do pensamento, ou seja, existia a necessidade de pensar para se chegar ao princípio de todas as coisas que forma, a partir de sua imutabilidade, seres sensíveis a transformações, regenerações, mutações capazes de realizar modificações quanto à qualidade e quantidade. Tal mudança – Kínesis – significava tais modificações, além de significar movimentação e locomoção.
Disponível em: http://www.brasilescola.com/filosofia/cosmologia.htm. Consultado em 12/2013.