ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Michel Foucault (1926-1984)


 
 
Esquematizado por: Claudio Fernando Ramos, em 16/09/2015. Cacau ":¬)
 
PRINCIPAIS OBRAS:

 Ø  Arqueologia do Saber

Ø  História da Loucura na era Clássica

Ø  As palavras e as Coisas

Ø  Vigiar e Punir 

Ø  História da Sexualidade

Ø  Microfísica do Poder

 INTRODUÇÃO

 - Utilizou um método de investigação histórica e filosófica.

 - Analisou as mudanças de comportamentos desde o início da modernidade; mudanças, sobre tudo, nas instituições prisionais e hospícios.

 - Refletiu sobre as condições do nascimento da psiquiatria.

 - Avaliou a loucura, a disciplina e a sexualidade, enquanto ideias construídas historicamente, a partir do século XVI.

 - Afirmou que há um forte nexo entre o saber e o poder.

 VERDADE E PODER

 - De acordo com a tradição: o saber antecede o poder; primeiro busca-se a verdade essencial, da qual decorre a ação.

 - Para Foucault o saber não se encontra separado do poder.

 - O poder é quem gera o que usualmente se considera como verdadeiro.

 CONCEPÇÕES: ARQUEOLOGIA E GENEALÓGICA

 Ø  Arqueológico – Esse processo identifica, em um determinado período, quais são as maneiras de pensar e certas regras de conduta que constituem um “sistema de pensamento”.

Ø  Genealógico – É uma tática posterior ao processo arqueológico, completando a investigação, na tentativa de explicar as mudanças ocorridas, para saber como a verdade foi “produzida” no âmbito das relações de poder.

 AS INSTITUIÇÕES FECHADAS

 - O conhecimento psiquiátrico não “existe” (constituição) para que se entenda o que é a loucura em si; mas sim, como instrumento de poder que propicia a dominação do louco e o seu consequente confinamento em instituições fechadas.

 - Crítica à tática de exclusão, onde os “diferentes”  (loucos, mendigos e criminosos) são tratados em separado. A exclusão separa:

 Ø  os loucos dos não loucos.

Ø  os perigosos dos inofensivos.

Ø  os normais dos anormais.

 ASCENSÃO DA BURGUESIA

 - Ao se constituir em classe hegemônica a burguesia precisou de uma disciplina que excluísse os “incapazes” e “inúteis para o trabalho” (loucos, vagabundos e mendigos).

 - Com o desenvolvimento do processo de produção industrial,  se criou também novos mecanismos de controle bem mais eficazes, esses mecanismos têm a finalidade de

 Ø  tornar os corpos dóceis (bons para serem controlados);

Ø  os comportamentos adequados (mais consumidores do que cidadãos);

Ø  os sentimentos coerentes ao novo modo de produção (Deus ajuda quem trabalha, tempo é dinheiro, etc.).

 A SOCIEDADE DISCIPLINAR
(Das Naus aos Hospícios)

 - A extensão progressiva dos dispositivos de disciplina ao longo dos séculos (modernidade) e sua multiplicação no corpo social configuram o que se chama “sociedade disciplinar”.

 - No passado renascentista havia as “naus dos loucos” ou “nau dos insensatos”, transportados para lugares distantes ou deixados à deriva, esse tipo de perversão social assombrava a imaginação das pessoas.

 - Na modernidade a loucura foi reduzida ao silêncio para não comprometer a relação entre a subjetividade e a verdade.

 - A nau transforma-se em hospícios - Além de expulsa por conta de uma razão dominadora (ver Razão Instrumental da Escola de Frankfurt), a loucura passa a ser vista como doença e a ser controlada em instituições fechadas.

 - Nos séculos XVII e XVIII, os processos disciplinares assumiram a formula geral de dominação exercida em diversos espaços:

 Ø  Hospitais e Hospícios

Ø  Colégios e Organização Militar

Ø  Oficinas  e Famílias

Ø  Medicalização da sexualidade

 - Com um olhar onipresente, o Estado e suas instituições sociais se encarregam de manter o controle do:

 Ø  Do tempo.

Ø  Do espaço.

Ø  Dos movimentos.

 O PODER: UM EXERCÍCIO, NÃO UMA POSSE

 - Na obra “Microfísica do Poder” Foucault identifica que o poder não se exerce de um ponto central como qualquer instância do Estado, mas se encontra disseminado em uma rede de instituições disciplinares.

 - São as próprias pessoas em suas relações recíprocas (pai, professor, médico e etc.) que fazem o poder “circular”.

 - Cabe a Genealogia do Saber (Nietzsche) investigar como e por que esses discursos se constituíram, que poderes estão na origem deles, ou seja, como o poder produz o saber (ver o inverso com Francis Bacon).

 PANOPTICON
(Aquele(s) que tudo vê(em))
 
 

 - A reflexão de Foucault passa pelo projeto do jurista Jeremy Bentham (1748-1832) que fez um projeto denominado Panopticon (literalmente, “ver tudo”). O jurista imaginava uma construção de vidro, em anel, para alojar loucos, doentes, prisioneiros, estudantes ou operários. Controlados por uma torre central com absoluta visibilidade.

- O resultado é a interiorização do olhar que vigia, de modo que cada um não perceba a própria sujeição.

 O CONTROLE DA SEXUALIDADE
(Sob a égide dos especialistas)

 - Na obra História da sexualidade, Foucault destaca que na contemporaneidade fala-se muito de sexualidade, sobre tudo para proibi-la.

 - Os especialistas, sobre tudo os da área das exatas, são céleres em apresentarem padrões sobre:

 Ø  O que é normal e o que é patológico.

Ø  Classificações de tipos de comportamentos.

 - Ao “competente especialista” cabe a última palavra sobre as coisas que importam. Através desse expediente “vigia-se” e “controla-se” as ações fundamentais:

 Ø  Estudo.

Ø  Sexo.

Ø  Trabalho.

Ø  Relacionamentos.

Ø  Religião.

 - Desse modo o discurso científico naturaliza tudo, ou seja, as coisas são apenas naturais, não culturais também; com isso tudo se reduz a uma visão “biologizante”.

- As mulheres durante muito tempo viveram (algumas ainda assim vivem) presas a essa biologização da existência:

Ø  Esposa exemplar, geradora de filhos, mãe zelosa, rainha do lar, objeto de desejo masculino.

- Segundo Foucault, a partir de 1870 os psiquiatras começaram a constituir a homossexualidade como objeto de análise médica. Tornando-se, a partir daí, ponto de partida de uma série de intervenções e de controles novos. Algumas dessas intervenções foram:

Ø  Na medida em que eram visto como pervertidos e libertinos sexuais - às vezes também como delinquentes, algumas punições eram bastante severas (algumas poucas vezes o fogo).

Ø  Arrolados em uma espécie de parentesco global com os loucos e os doentes (tentativa da cura gay).

CONCLUSÃO
(Os micropoderes)

- Para Foucault a noção de verdade encontra-se ligada a prática de poder disseminadas no tecido social (os micropoderes).

- Esse poder não é exercido pela violência aparente nem pela força física, mas pelo adestramento do corpo e do comportamento.

 - O adestramento  do corpo e do comportamento possibilita o “fabrico” de indivíduos normatizados:

 Ø  O tipo de trabalhador adequado para a sociedade industrial capitalista.

 Bibliografia:
Aranha, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia com textos: temas e história da filosofia. São Paulo: Moderna 2012. p. 483-486.

 Exercício

 

“Máquina a vapor para a rápida correção das meninas e dos meninos. Avisamos aos pais e mães, tios, tias, tutores, tutoras, diretores e diretoras de internatos e, de modo geral, todas as pessoas que tenham crianças preguiçosas, gulosas, indóceis, desobedientes, briguentas, mexeriqueiras, faladoras, sem religião ou que tenham qualquer outro defeito, que o senhor Bicho-Papão e a senhora Tralha-Velha acabaram de colocar em cada distrito da cidade de Paris uma máquina semelhante à representada nesta gravura e recebem diariamente em seus estabelecimentos, de meio dia às duas horas, crianças que precisam ser corrigidas. (…)”
(Imagem e texto retirados do livro Vigiar e Punir, de Michel Foucault)

 Com base no que foi exposto acima, podemos afirmar que
I) Foucault foi extremamente influenciado por Nietzsche no que tange ao seu método genealógico de análise da história e das práticas sociais.
II) Foucault declara que o melhor método para se educar uma criança é aquele baseado no medo e na coerção.
III) Foucault compila a sua própria história sobre as práticas soberanas e disciplinares na medida em que não faz uma análise contínua e progressiva dos poderes e técnicas que surgem e desaparecem na sociedade.
IV) a intenção de Foucault não era a de mostrar a relação entre verdade, poder, saber e as instituições sociais.

Marque a alternativa correta.
A) Somente a alternativa III está correta.
B) As alternativas II e IV estão corretas.
C) As alternativas I e II estão corretas.
D) As alternativas I e III estão corretas.
E) NDO