ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

David Hume (1711 - 1776)




“Em cada solução encontramos uma nova pergunta.”

 - Hume pretende aplicar o método de raciocínio experimental para entender melhor a natureza humana

- Usar um método científico, que era usado basicamente para entender os objetos, para interpretar também as pessoas, criando assim a ciência do homem.

- O filósofo acreditava que se explicarmos:

v  o que;

v  como são as pessoas;

v  qual a essência da natureza humana; explicaremos também todas as outras ciências.

- Isso acontece porque todas as ciências, como a matemática e a física, estão relacionadas diretamente com as pessoas, pois a própria razão, que é o fundamento da matemática e da física, faz parte da natureza humana.

DAS SENSAÇÕES AS IDEIAS

- Tudo o que temos em nossa mente é resultado das nossas sensações.

- Nossas ideias são percepções, mas existem diferenças entre o sentir e o pensar:

v  o sentir está relacionado às nossas sensações mais vivas, mais recentes e que nos marcam mais.

v  o pensar está relacionado às ideias, que é uma percepção mais fraca.

A ORIGEM DAS IDEIAS
“Nada é mais livre que a nossa imaginação.”

v  as ideias são como imagens que com o tempo vão perdendo cor e definição.

v  as ideias dependem das sensações, nós só temos ideias de algo depois de percebermos esse algo.

v  não existem ideias inatas, ideias que nascem com as pessoas.

MEMÓRIA E IMAGINAÇÃO
“As pessoas reclamam da falta de memória, mas não da falta de entendimento.”

- As ideias simples que temos através das sensações podem se relacionar e se transformar em ideias complexas através da memória e da imaginação.

- As ideias simples se associam em ideias complexas principalmente através:

·         da semelhança;

·         da proximidade no espaço e no tempo;

·         da relação de causa e efeito.

EXEMPLOS I

Ø  Quando olhamos uma fotografia lembramos uma pessoa, pois a imagem da fotografia é semelhante à pessoa.

Ø  Quando pensamos em comida podemos pensar logo depois em geladeira, supermercado ou restaurante, pois geralmente a comida está próxima destes lugares.

Ø  Quando pensamos em gol pensamos em alguém que chutou uma bola, pois o chutar a bola é a causa e o gol o efeito.

RELAÇÕES DE CAUSALIDADE
“A natureza é sempre maior que a teoria.”

- A relação de causa e efeito não pode ser conhecida a priori, pois ela depende da experiência.

- Nenhuma pessoa quando for posta frente a um objeto do qual não conhece absolutamente nada vai poder raciocinar sobre ele, para que isso aconteça essa pessoa vai ter que experimentar o objeto e descobrir quais são suas causas e efeitos para somente depois poder criar sobre ele ideias e conceitos.

A FORÇA DO HÁBITO
“O hábito é o nosso grande guia.”

- Quando observamos algo repetidamente temos a tendência a acreditar que esse algo vai acontecer sempre, essa tendência torna-se um hábito.

- Através do hábito nós estabelecemos relação entre os fatos, mas isso não quer dizer que essa relação é necessária.

- Não é porque sempre vimos o sol se levantar toda manhã que necessariamente ele se levantará amanhã.

- Para Hume essa relação de necessidade existe nos eventos práticos da nossa vida, mas não existe como uma justificação racional e filosófica.

- O filósofo acredita que o que chamamos de experiência e realidade nada mais é do que um conjunto de ideias e sensações, mas não existe algo que una essas percepções.

SOBRE A PERENIDADE DO SER
“O gênio está próximo do louco.”

- Não existe:

v  uma subjetividade constante;

v  não existe um eu contínuo;

v  autoconsciente;

v  idêntico.

- Não existe um princípio de identidade permanente onde cada um de nós pode dizer esse sou eu.

- Nós somos algo parecido com um teatro móvel e anônimo onde são representadas sensações e ideias.

A MORAL
“Seja filósofo, mas não se esqueça de ser homem.”

- A moral é derivada mais dos sentimentos do que da razão.

- A razão pode até apoiar a moral com algumas orientações, mas o fundamento da moral são mesmo os sentimentos e especificamente os sentimentos de:

v  dor (vício);

v  prazer (virtude).

- A virtude provoca prazer e o vício a dor.

EXEMPLO II

Ø  Quando estamos diante de uma pessoa virtuosa sentimos um prazer característico, e o contrário acontece quando estamos diante de alguém com vícios.

Ø  A virtude nos provoca o elogio, e o vício a censura.

MORAL E RELIGIÃO
“A ignorância é a mãe da devoção.”

- A moral não é o fundamento da religião.

- A religião não fundamenta nem é fundamentada pela razão ou pela ética.

- A religião:

v  nasce do instinto;

v  e os deuses surgem por causa do medo que temos da morte;

v  e as crenças surgem da nossa inquietação com o nosso fim;  

v  determina, em grande medida, a nossa existência antes da morte.

SENTENÇAS:

- A beleza não está no objeto, mas na mente do observador.

- Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias.

- O auto-domínio da mente é limitado da mesma forma que o domínio do corpo.

- O homem é o maior inimigo do homem.

- O trabalho e a pobreza são o destino da maioria.

- A razão é escrava das paixões.

- Um milagre é a violação das leis da natureza.

- Um erro é a mãe de outro.
 
EXERCÍCIOS
1. “Embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos, através de um exame mais minucioso, que ele está realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência.”
(HUME, David. Investigação acerca do entendimento humano. Trad. de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 36. Coleção Os Pensadores.)
De acordo com o texto, é correto afirmar que, para Hume:
a) os sentidos e a experiência estão confinados dentro de limites muito reduzidos.
b) todo conhecimento depende dos materiais fornecidos pelos sentidos e pela experiência.
c) o espírito pode conhecer as coisas sem a colaboração dos sentidos e da experiência.
d) a possibilidade de conhecimento é determinada pela liberdade ilimitada do pensamento.
e) para formar as idéias, o pensamento descarta os materiais fornecidos pelos sentidos.
2. “Para Hume, portanto, a causalidade resulta apenas de uma regularidade ou repetição em nossa experiência de uma conjunção constante entre fenômenos que, por força do hábito acabamos por projetar na realidade, tratando-a como se fosse algo existente. É nesse sentido que pode ser dito que a causalidade é uma forma nossa de perceber o real, uma idéia derivada da reflexão sobre as operações de nossa própria mente, e não uma conexão necessária entre causa e efeito, uma característica do mundo natural.”
(MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 183.)
De acordo com o texto e os conhecimentos sobre causalidade em Hume, é correto afirmar que
a) a experiência prova que a causalidade é uma característica do mundo natural.
b) o conhecimento das relações de causa e efeito decorre da experiência e do hábito.
c) a simples observação de um fenômeno possibilita a inferência de suas causas e efeitos.
d) é impossível obter conhecimento sobre a relação de causa e efeito entre os fenômenos.
e) o conhecimento sobre as relações de causa e efeito independe da experiência.