ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 2 de setembro de 2015


I LOVE OSTENTAÇÃO!

Por: Claudio Fernando Ramos, 02/09/2015. Cacau “:¬)

“Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas sim em diminuir a tua cobiça. Aquele que melhor goza a riqueza é aquele que menos necessidade dela tem”.

 Ostentação, como você já deve saber, não é uma coisa nova; porém, como você também já deve ter notado, ela está na moda. E, como tudo que está na moda, deve ser sentida, vivida e propagada; pelo menos assim pensa a maioria.

 É sabido que todos nós, em maior ou menor monta, temos, bem lá no fundo do nosso ser,  significativos percentuais de egoísmos, narcisismos e vaidades mil; ou seja, ninguém é o tempo todo, só altruísta,  só admirador e só humildade. A rigor,  ser altruísta, saber admirar e portar-se com humildade são virtudes cada vez mais escassas em nosso confuso, conturbado e angustiante cotidiano.

O capitalismo, como sistema econômico, sempre fomentou a individualidade no seio da sociedade. Na baixa Idade Média, quando a Questão dos Universais recrudesceu, os nominalistas (progressistas e individualistas que eram), não tiveram grandes dificuldades em sagrarem-se “vencedores”, tendo em vista que essa, contrariamente aos realistas (favoráveis às tradições e, portanto, conservadores), era a opção da emergente e implacável classe burguesa. No entanto, a despeito do que se acredita, para ser um bom ostentador não é necessário que se tenha dinheiro (se tiver melhor ainda)! Na maioria das vezes, semelhantemente a maldade e a sensualidade, basta sugestionar, induzir, aparentar ter ou ser. Quantas vezes o mais bravo e violento não foi o primeiro a jogar a toalha, por o rabo entre as pernas e sair correndo  na hora do perigo? E quantas vezes os mais atraentes, belos e sedutores na hora “H” deixaram muitíssimo a desejar? Dizem que o amor é cego, isso só é verdade nos casos em que amantes e amados têm, ambos, problemas de visão!

No universo da economia globalizada um simples boato pode pôr tudo a perder ou a ganhar. É tudo uma questão de saber aproveitar os exíguos momentos em que tanto a virtú quanto a fortuna encontram-se alinhadas, semelhantemente ao que ocorre (de tempos em tempos) aos planetas em nosso sistema solar, diria o brilhante N. Maquiavel.

Por isso, não caia na besteira de subestimar o poder da aparência! Aparência, em um mundo imediatista e pragmático como o nosso, é tudo! Ser e ter de fato, nunca foi tão relativo!  

No passado, as fidalguias ostentavam nos salões das cortes, mesmo se estivessem irremediavelmente falidos. Hoje, mesmo sem monarquias, “favelados emergentes” são convidados para se fazerem presentes, de forma ostentosa, nas alienantes “cortes midiáticas”. Não sei se faço bem definindo-os pela velha terminologia herdada de Canudos (favela); hoje, eufemisticamente, são denominados “membros da comunidade”. Graças, a não sei quem, as favelas finalmente acabaram no Brasil!  Agora, cheios de importância, os comunitários, tornaram-se temas de novelas, captadores de audiência para programas de auditório, animadores nos periódicos de variedades, cantores de todas as formas e ritmos (porque agora música não tem identidade nem história, ela se diz eclética) e toda espécie de espetáculos verborrágicos televisivos.

Cada um há seu tempo, cada qual a sua maneira; mas todos cobertos de pompas. Quem se importa se aqueles eram “fidalgos falidos” ou que estes sejam “emergentes sem pedigree”? A relevância é esta: o que vale é ostentar!

Não fique triste, não se desespere caso você também esteja à procura da fama, da gloria, do sucesso e, portanto, da ostentação a qualquer preço. No mundo de hoje, qualquer pessoa pode ser o que quiser ser, mesmo se possuir pouco ou até mesmo nenhum talento; pouco importa se o bolso estiver recheado de notas ou sem um níquel furado para contar história. Algum tipo de sucesso é sempre possível, bastando que para isso não te esqueças de desenvolver um estomago ultrarresistente; uma cara de pau impecavelmente bem lustrada e uma ética camaleônica.

Para que essas coisas? Bem, o estomago é para poder, a exemplo dos abutres, digerir sem regurgitar as carniças que terás que comer ao longo do percurso, que, quase sempre, é árido, sinuoso e indigesto; a cara encerada lhe servira para ajudar na arte da dissimulação, ou seja, ser contrário e contraditório o tempo todo quanto à própria natureza inerente das coisas; e, quanto à ética camaleônica, esta lhe dará paz (ainda que falsamente) e uma consciência pseudo limpa quando tiveres que negociar, sem nenhuma reserva e escrúpulo, os valores mais caros de uma vida inteira, aqueles que aprendemos desde a infância com os nossos íntegros, honestos e trabalhadores pais. Cacau ":¬)

OBS: Esse texto foi escrito em homenagem as novelas (I Love Paraisópolis e Babilônia, etc.), aos programas de auditório (Esquenta, Faustão, Eliana, Domingo Legal, etc.), aos programas de humor (Pânico, Zorra, etc.), aos programas de variedades (Mais Você, etc.) e a quaisquer outras porcarias semelhantes a estas. Cacau “:¬)