ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O atentado de Oslo e o mundo fora de ordem

Por: Claudio Fernando Ramos (Cacau), Natal-RN 27/07/2011


Podemos mantê-los distantes por um certo tempo (refiro-me aos radicais de direita), mas isso não será possível por um período muito longo. Mesmo porque, os próprios “humanistas”, “liberais” e “democratas” modernos, costumam beber em “fontes” conservadoras quando isso lhes soa conveniente (Maquiavel em sua forma mais pura: “há vícios que se mostram benéficos e virtudes que se mostram perniciosas.”). Alguns acreditam que no fundo, assim como fazem os religiosos de várias denominações, a verdade é uma só, ou seja, “A”, necessariamente, deve ser sempre igual a “A”, porque é impossível que em uma mesma relação e ao mesmo tempo, “A” seja e não seja A. De uma só vez temos aí dois princípios apresentados: o princípio de identidade e o princípio da não-contradição. São óbvios e importantes, quando aplicados nas proposições e postulados de caráter científicos que visem o bem estar das nações, afirmo isso sem relativismos e sem ambivalências. Porém são temerários, quando aplicados nas relações interpessoais. O fato é que eles, os princípios temerários, parecem seduzir somente homens que odeiam mais o virtuoso justo meio de Aristóteles (que se praticado seria o ideal para toda e qualquer sociedade), que os caprichosos e capciosos caminhos dos extremos (nacionalismos, capitalismo-selvagem, comunismo, fundamentalismos...). Quando olho para o outro e concluo que A=A (necessariamente), serei obrigado, por uma questão de mórbida coerência, a concluir que uma terceira via deva ser descartada, ou seja, A é X ou é Y sem que haja uma terceira possibilidade. Esse princípio é denominado pelos pensadores de terceiro excluído, mesmo em um universo com escolhas plurais, só se deve escolher entre duas alternativas: falso ou verdadeiro. Ou você é a favor desse ou daquele, qualquer coisa diferente disso é postar-se em cima do muro, e isso não é aceito.
 Os homens modernos são homens do saber; muitas e rápidas informações. Cada vez mais especialistas, só não se sabe e não se é o que não se quer ser (o difícil é saber quando faço escolhas e quando sou determinado). Já fizemos guerras, dominamos pandemias, inventamos máquinas, ampliamos o conceito de família, criamos replicantes (clones), aumentamos a produção, fomos a Marte... A razão é suficiente. Nesse mundo de cores, formas e cheiros, não devemos nos enganar, tudo é mera impressão, nada é como parece ser. Chorar diante da dor, sorrir por acreditar no amor, isso é nada, somente coisas pequenas... Próprias da infância da humanidade, diria um positivista do século XIX, engodo dos nobres e clérigos, afirmaria um iluminista do século XVIII. Querem que acreditemos que somos vítimas não desse ou daquele indivíduo (a não ser quando isso lhes apraz), mas de um determinismo inexorável que, como vagas vorazes, a tudo arrasta quando em seu caminho. Esses ditadores da causalidade têm em mente o seguinte enunciado: dado A, necessariamente se dará B. E também: dado B, necessariamente houve A.
 Como o “nosso” homem de Oslo é branco e cristão temos uma fatalidade, um simples desequilíbrio, juventude sem regras e controle, nada mais. Pior seria, se o pior acontecesse, ou seja, já pensou se ele fosse de um país do eixo do mal? Se ele fosse árabe? Se ele fosse do islã? Choram-se as perdas, enterram-se os mortos, o equilíbrio se refaz. Afinal o que ele fez hoje, nações fizeram na guerra fria. Qual a diferença de um homem (o presidente de um determinado país) fomentar a implementação de ditaduras militares na América latina (com suas mortes e barbaridades), e um outro tentar (também de forma vil) a criação de um Estado ultra nacionalista? E quanto à Coréia e o Vietnam? Deles não temos mais lembranças?
 Para um estudante de lógica, o que não é o meu caso, esse texto contém alguns poucos mais significativos equívocos. De mim mesmo acho isso muito bom, minha “loucura” momentânea é perfeitamente normal. Se no afã de descrever o que vivencio cotidianamente, por pouco ou por muito, perco a razão, não me desespero; sou corroborado pelo Dr. Frankenstein de todos, à sociedade.  O que os lógicos podem achar desse texto, confesso que em nada difere do que acho do mundo: “Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”.