sexta-feira, 8 de julho de 2011

O PROFESSOR FILÓSOFO

Por: Claudio Fernando Ramos (Cacau) 08/07/2011
O mito da caverna é, certamente, a mais famosa das alegorias já narrada em toda a história da filosofia.
De fácil compreensão, flexível e extremamente, “atual’, ela vem passando por diversas adaptações ao longo dos séculos. Aqui, nós nos propomos fazer mais uma releitura do texto platônico.
Há uma caverna, as pessoas no seu interior, por conta de uma série de contingências, só conseguem ver sombras, e essas são tomadas como sendo o real. Livre dos grilhões que a todos prende, um dos habitantes percorre o difícil caminho da saída, lá chegando vê as coisas como de fato são, depois de também  superar os problemas externos, por conta da forte incidência da luz solar ferindo o olhar despreparado . Essa fantástica “saga”  já poderia chegar ao fim com esse feito; porém, essa foi somente a parte mais “fácil”, se assim podemos classificar. Uma vez fora e, por conseguinte, agora  possuidor de uma epistéme (ciência, em grego, se diz assim), surge-lhe o maior dos desafios: retornar; não para lá viver, como quem deseja esquecer o que aprendeu, mas para de lá contribuir melhor  com “rito de passagem” dos que  ficaram.
Tão nobre como o desejo de abandonar o falso é a capacidade de dividir o verdadeiro. Esse fazer tem um nome específico: ensinar. E quem faz isso é o professor. Falo dessa função da forma mais ampla possível, não somente do profissional (a docência em si), mas de todos, que de uma forma ou de outra, têm como objetivo de vida, lançar luz sobre toda e qualquer forma de ignorância, que na perspectiva de Platão é a própria escuridão.
O caminho foi rude para sair da caverna, o retorno não será diferente. Mas o que pode ocorrer nesse retorno? Ironia, desprezo, zombaria, injustiça, apatia... “Conhecimento é poder”, assim sentenciou o filósofo empirista da Inglaterra. Porém, isso não está democraticamente distribuído, só uns poucos têm acesso ao ensino com qualidade. A consequência direta disso é o que se vê no fundo da caverna, a capciosa supremacia de um imperador: o senso comum. Nesse nefando domínio ele não está só, gerou filhos de nomes estranhos, mas bastante conhecidos: achismos, opiniões, pontos de vista, preconceitos, fanatismo, superstições...   Não é possível lembrar o nome de todos, são muitos.
A narrativa platônica tem um desfecho trágico; talvez por que sua intenção tenha sido a de prestar homenagem ao seu grande mestre, sentenciado a morte pelo tribunal grego. Mas isso não implica que essa deva ser a sorte de todos que desejam retornar ao fundo da caverna. É fato que as dificuldades são para todos, porém, o mesmo não deve ser crido sobre o fracasso.
Em um mundo de aparências (o fundo da caverna), infestado de sobras bruxuleantes (as coisas que percebemos com nossos sentidos). Somos prisioneiros de nossas crenças, opiniões e preconceitos (os grilhões que nos prende ao fundo), precisamos não só de educadores especialistas (tanto na forma como no conteúdo), mas de ardorosos mestres, intelectuais humanistas, educadores altruístas, líderes apaixonados e éticos. Para Platão esse profissional tem nome: o filósofo (amante do conhecimento). Para nós ele é somente o simples e majestoso PROFESSOR.   

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