ZN-FILOSÓFICA

quinta-feira, 20 de março de 2014

KARL MARX (ESQUEMA DE AULA)





Materialismo Dialético
 
 “Não é a consciência dos homens que determina o ser social. Ao contrário, é o ser social que determina a consciência.”

 * O ser humano é histórico-social.



No Materialismo Histórico, as relações materiais que os homens estabelecem, o modo como produzem seus meios de  vida  formam  a  base  de  todas  as  suas  relações.  Mas esse  modo  de  produção  não  corresponde  à  mera reprodução  da  existência  física  dos  indivíduos.  A  forma como  os  indivíduos  manifestam  sua  vida  reflete  muito exatamente aquilo que são. O que são coincide, portanto, com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como com a forma como produzem.

Ao adquirirem novas  forças produtivas, os homens mudam seu modo de produção e com o modo de produção mudam as relações econômicas, que não eram mais que as relações necessárias daquele modo concreto de produção.



a)    “A essência humana é o conjunto das relações sociais”.

b)    O homem não deve ser pensado de forma abstrata e isolada, como é comum nas filosofias idealistas (Hegel).



* O movimento dialético do Capital e do Trabalho



As Relações Sociais de Produção constituem a base de  toda  estrutura  social.  São  elas  que  definem  os  dois grupos  da  sociedade  capitalista:  de  um  lado  os trabalhadores, aqueles que nada possuem além do corpo e da  disposição  para  o  trabalho,  também  chamados  de proletários  ou  operários;  do  outro,  os  capitalistas,  que possuem  os  meios  de  produção  necessários  para transformar a natureza e produzir mercadorias.



Capital e trabalho apresentam um movimento constituído de três momentos fundamentais.



a) Unidade imediata e mediada - juntos por essência, mas separados por conveniência.



- Em um primeiro momento estão unidos, separam-se depois e tornam-se estranho um ao outro, mas continuam por sustentar-se reciprocamente e promovem-se um ao outro como condição positiva.



b) Oposição de ambos - separados por conveniência, tornam-se estranhos um ao outro (tese e antítese).



- O operário conhece o capitalista como a negação da sua existência e vise-versa.



c) Oposição de cada um contra si mesmo - estranhando um ao outro, tornam-se estranhos a si mesmo. Capital e trabalho como tese e antítese de si mesmos.



- Uma vez que o capital é simultaneamente ele próprio e o seu oposto contraditório, sendo trabalho (acumulado); e o trabalho, por sua vez, é ele próprio o seu oposto contraditório, sendo mercadoria, isto é, capital.



* Modos de Produção e Forças Produtivas



- Modo de Produção – é a maneira como se organiza a produção material de um dado estágio de desenvolvimento social. Essa maneira depende do desenvolvimento das Forças Produtivas.

- Forças Produtivas – a força de trabalho humano e os meios de produção, tais como máquina, ferramentas e etc.



Um  primeiro  pressuposto de  toda  existência  humana  e,  portanto,  de  toda  história,  é que os homens devem estar em condições de poder viver a fim de fazer a história. Mas, para viver, é necessário, antes de tudo, beber, comer, ter um teto onde se abrigar, vestir-se etc. O processo de produção e reprodução da vida através do  trabalho  é,  para  Marx,  a  principal  atividade  humana, aquela que constitui sua história social; é o  fundamento do materialismo  histórico,  o  método  de  análise  da  vida econômica, social política e intelectual.



a) O comunismo primitivo.

b) O escravismo na Antiguidade.

c) O feudalismo na Idade Média.

d) O capitalismo da Idade Moderna.



* Alienação ou Estranhamento



a) O trabalhador estranha o produto de seu trabalho:



- O fruto do trabalho do proletariado pertence a outro.

- O produto de seu trabalho se consolida, perante o trabalhador, como um “poder independente”.

- Quanto mais o trabalhador se “esgota” no trabalho, tanto mais poderoso se torna o mundo para ele; uma vez que esse mundo é objetivado pelo próprio homem.

- Quanto mais o trabalhador torna-se empobrecido diante do mundo, menos o mundo interior lhe pertence.



b) Alienação da atividade produtiva do trabalhador:



- A atividade produtiva deixa de ser uma manifestação essencial do homem, tornando-se um “trabalho forçado”, não voluntário.

- O trabalho alienado é determinado apenas, pela busca de satisfações  de necessidades externas.

- O trabalho deixa de ser uma feliz confirmação da própria humanidade do ser.

- Não corrobora o desenvolvimento de uma livre energia física e espiritual; tornando-se, antes de mais nada, em um inexorável sacrifício diário que promove, sem titubeios, a mortificação do ser. A consequência disso é a profunda degeneração dos modos do comportamento humano.



c) Alienação de si mesmo:



- Com a alienação da atividade produtiva, o trabalhador aliena-se também do gênero humano.

- A perversão que separa as funções animais do resto da atividade humana e faz delas a finalidade da vida, implica a perca completa da humanidade.

- A livre atividade consciente é o caráter específico do homem; a vida produtiva é vida genérica.



d) A vantagem e a desvantagem do homem sobre os animais:



- O homem é o único que pode fazer de toda natureza extra-humana o seu “corpo inorgânico” (vantagem).

- Devido à alienação do trabalhador frente ao trabalho, essa vantagem, a de possuir um “corpo inorgânico”, torna-se uma desvantagem; uma vez que esse corpo inorgânico escapa-lhe cada vez mais das mãos, quer como alimento do trabalho, quer como alimento imediato, físico.



e) Consequência imediata:



“Em geral, a proposição de que o homem se tornou estranho ao seu ser, enquanto pertencente a um gênero, significa que um homem permaneceu estranho a outro homem e que, igualmente, cada um deles se tornou estranho ao ser do homem”.



- Alienação do trabalhador da vida genérica e da humanidade; constituindo a alienação do homem pelo homem (H1/H2 – homem 1 sobre homem 2, Aristóteles).

- Esta alienação recíproca dos homens tem a manifestação mais tangível na relação operário-capitalista.

 

* A Força da Ideologia



Segundo o materialismo dialético marxista, as idéias  devem  ser  compreendidas  no  contexto  histórico vivido  pela  comunidade.  No  entanto,  Marx  vai  além, mostrando  que  muitas  vezes  esse  conhecimento  aparece de  maneira  distorcida,  como  ideologia,  ou  seja,  como conhecimento  ilusório  que  tem  por  finalidade mascarar  os conflitos  sociais  e  garantir  a  dominação  de  uma  classe sobre outra, quando se vive em uma sociedade dividida em classes, com interesses antagônicos.



a) Ideologia geral:



- O conceito de ideologia possui inúmeros significados.

- No sentido positivo, exerce a função de cimento do grupo social.

- Torna a sociedade de fato unida em torno de crenças comuns que fazem justamente a força das tradições.



b) Ideologia marxista:



Para  Marx,  as  concepções  filosóficas,  éticas, políticas, estéticas,  religiosas da burguesia  são estendidas para  o  proletariado,  perpetuando  os  valores  a  elas subjacentes  como  verdades  universais.  E  desse  modo, impedem que a classe submetida desenvolva uma visão do mundo mais universal e lute por sua autonomia.

- Segundo Marx todas as formas de pensamentos e de representação dependem das relações de produção e de trabalho.

- Onde há sociedade dividida, existe exploração do trabalho e separação do mesmo entre: braçal e intelectual.

- A exploração e a divisão do trabalho promove a perda da autonomia do proletariado (Alienação).

- A ideologia surge como apaziguadora dos conflitos oriundos dessas diferenças.

- Sem a necessidade da violência a ideologia mantém o consenso e a coesão.

- A ideologia esconde as distorções, mascara as desigualdades e oculta a exploração.



Mais-valia: o capitalista paga um salário ao trabalhador e, no final da produção, fica com o lucro, valor a mais que não retorna  ao  operário,  incorpora-se  na  mercadoria  e  é apropriado pelo capitalista. Esse valor excedente produzido pelo operário é a Mais Valia. A  história da humanidade é, para Marx, a história da  luta de  classes, da  luta constante entre  interesses que  se opõem, embora esse  conflito nem sempre se manifeste de forma clara.



Infraestrutura e Superestrutura
   
infraestrutura é o conjunto de  forças produtivas e das relações sociais de produção. É a base  sobre a qual se constituem as demais instituições sociais. Já as ideologias políticas, as concepções  religiosas,  os  códigos  morais  e  estéticos,  os sistemas  legais,  de  ensino,  de  comunicação,  o conhecimento  filosófico  e  científico,  as  representações coletivas etc, constituem a superestrutura.