ZN-FILOSÓFICA

sábado, 5 de janeiro de 2013

OS MISERÁVEIS



Por: Claudio Fernando Ramos, Natal-RN. 05/01/2013 Cacau “:¬)
 
Existem vários tipos de misérias no Brasil! Dentre elas, duas são endêmicas: a fome e o analfabetismo funcional (popularmente conhecida como burrice aguda ou crônica). Nas redes sócias (face book), com aproximadamente 1.800 compartilhamentos, essas frases que vos apresento, grassam entre os jovens. As frases são recebidas com entusiasmos, gracejos e, o que é pior, com significativos assentimentos.
Resolvi observar mais de perto as proposições que, nos jovens, vêm despertando tanta simpatia. Feito isso, cheguei às seguintes conclusões:


Para que ir à escola?

Inglês: para não só ver, mas acima de tudo, entender os filmes.

Português: para não ler ou escrever só isso; mas poder apreender, interpretar e, se possível for, reinventar o mundo através das palavras.

História: os mortos “ensinam” tanto quanto ou até mesmo mais que os vivos. Aprender com quem já errou ou acertou é fator preponderante para a formação cognoscitiva do ser humano. Sobre erros e acertos do passado do e presente, no plano político, leia o que diz N. Maquiavel em sua obra renascentista: O Príncipe.

Ciência: a ausência da parte, necessariamente, desarmoniza o todo, mesmo que isso não seja facilmente percebido pelos sentidos. Valorar esta ou aquela parte do corpo, desprezando as demais, é prova irrefutável de que ainda não demos muitos passos que nos afaste das cavernas, tão abundantes nos primórdios da existência. Rezemos para que os médicos também não tenham andado tão pouco.

Geografia: reduzir à ciência geográfica a mera identificadora de lugares, é, sem dúvida alguma, prova cabal do desconhecimento dessa disciplina. Essa ignorância assemelhasse a seguinte frase, proferida pelos machistas de plantão: mulheres foram feitas para o sexo, para os filhos e para os serviços domésticos nada mais. O que pode ser mais anacrônico?

Matemática: ter uma calculadora (calculadora científica) não difere muito de se possuir um computador de última geração. A questão não é possuí-los, mas sim, operá-los. Desconfio que a maioria esmagadora não consegue. Ou será que me equivoco?

Artes: do Google muito pode ser impresso, é fato. Porém, é impossível a qualquer provedor, outorgar a qualquer internauta: o prazer, a satisfação, a arrebatadora experiência de encontrar-se com o belo. Todas as formas de arte, quando livre do pragmatismo diário, tem a capacidade de suscitar no homem o seu melhor, mesmo que isso venha ser desvirtuado e mal utilizado posteriormente. Quem só imprime não tem como saber dessas coisas. 



Educação Física: acordar cedo, de fato constitui uma virtude (talvez seja mesmo um “esporte”), ao menos no mundo capitalista, onde reza a máxima: tempo é dinheiro. Todavia, a grande maioria das pessoas acorda cedo (cada um de acordo com suas necessidades), mas, esse suposto “esporte” da maioria, não nos tem livrado de uma estatística alarmante (uma verdadeira pandemia): cresce a cada dia o número de obesos no país.


Do interior da caverna só alguns saem.

Não precisei pensar muito para perceber o quão inócuas são essas proposições. Verdadeiras falácias, que só encontram ecos nos corações e mentes dos que, miseravelmente, ainda acreditam que mesmo desprezado a mais singular das instituições humanas (a escola), é possível viver com qualidade de vida e dignidade nesse mundo. Esses vivem na simbólica Caverna de Platão, de lá se negam a sair. O que preocupa não é o fato de lá ficarem, mas o porquê ficam. Ficam porque amam a mediocridade e, o que é muito pior, desconhecem qualquer outro lugar que não seja os das sobras da ignorância.    Cacau “:¬)