ZN-FILOSÓFICA

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Geração Y

(Ensaio sobre os novos tempos)

Por: Claudio Fernando Ramos – Natal-RN, 16/01/2013. Cacau “:¬)



Segundo alguns sociólogos a Geração Y, também chamada geração do milénio ou geração da Internet, se refere aos jovens nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela Geração Z.



Vivemos na fase da comunicação instantânea, esse é um fato inconteste. Tudo ficou mais fácil. Para os que já eram gente na década de oitenta, é doloroso recordar como foi complicado fazer uma simples ligação telefônica, principalmente se fosse de um orelhão. Já na década de noventa, possuir um telefone celular era prerrogativa de poucos... Hoje, modernos e tecnológicos que somos, nossos jovens nem se divertem mais ao vivo, tudo é virtual, ganhasse e perdesse amigos com o apertar de uma tecla. Admirável mundo novo! 



Mas se as novas tecnologias facilitam a nossa vida, dando a ela uma dinâmica nunca antes imaginada, nem tudo são flores. Comunicar-se ficou muito mais fácil, mas será que o mesmo pode ser dito sobre a compreensão das mensagens? Meu trabalho me coloca na presença de jovens diariamente, falo com eles, falo para eles e também tenho que ouvi-los. Percebo fenômenos interessantes nessa lida diária: 1 – dificilmente seus discursos têm aquelas três partes tão conhecidas de todos nós – princípio, meio e fim; 2 – todo início de sentença é sempre precedido por chavões – “tipo assim...”, sabe como é...!?, nossa... cara... é muito demais!, meio que...; 3 – há um generalizado desconhecimento do valor e importância dos conceitos – para a esmagadora maioria um conceito nada conceitua; 4 – princípios elementares da lógica são deixados à beira do caminho: a) principio da não contradição - uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo; b) principio do terceiro excluído - uma alternativa só pode ser verdadeira ou falsa; c) princípio da identidade - A é A; e por fim: d) o princípio de razão suficiente ou razão determinante - esse princípio enuncia que nada é sem que haja uma razão para que seja ou sem que haja uma razão que explique o que seja. 



Tudo isso pode parecer um tanto quanto inverosímel ou até mesmo preciosismo de minha parte, talvez alguns me taxem até de reacionário ou anacrônico, mas antes de corroborar esses pensamentos, seria interessante levar em conta algumas perguntas que não querem calar: 1) por que na última redação do ENEM houve tantas provas em branco e provas zeradas (147 mil, juntado as duas situações)? 2 – por que o mercado sofre tanto em busca de mão de obra qualificada e não consegue? 3 – por que as nossas faculdades formam tantos mais informam tão poucos (as provas da OAB e os erros médicos que o digam)? 4 – por que no ensino médio temos que lidar com provar de recuperação trimestral, provas finais e conselhos de classe (há muito tempo passar de ano nas escolas brasileiras deixou de ser somente consequência do mérito)? Tudo isso sem esquecer a sistemática despolitização a que os jovens então sujeitos; encharcados de dancinhas, modinhas e futilidades mil, não resta espaço algum para a tomada de consciência. Empreendimento necessário, porém, quase sempre trabalhoso e na maioria das vezes não prazeroso. 

No passado, as pessoas dos países chamados subdesenvolvidos iam para o norte (primeiro mundo) fazer o trabalho inferior que os cidadãos dos países ricos não queriam fazer; hoje vemos o contrário radical: pessoas de países centrais vêm aos países periféricos e emergentes para fazer o trabalho intelectual que não somos capazes de realizar. Acho que devo parar por aqui, caso contrário o texto ficará longo por demais e, assim sendo, dificilmente ele será lido por algum de meus antenados e informados amigos virtuais. Tá ligado? Caca “:¬) Rsrsrsrs...